terça-feira, 31 de julho de 2007

Uma noite na espera de e com Caco Barcellos


Caco Barcellos tem a profissão e competência que todos os jornalistas queriam ter. Uma matéria que mude o país depois de muita apuração e investigação é o grande sonho. Por isso também que ocorrem muitos erros graves na grande mídia, mas isso é outro papo.

O grande ícone do jornalismo romântico esteve em Curitiba ontem e, como escrevi aqui, deu muita dor de cotovelo. A palestra estava marcada para ontem às 20h, primeiro dia letivo do segundo semestre de 2007. Pela ocasião, os alunos do período noturno não tiveram aula.

Caco atrasou. Para conter os ânimos e expectativas do público, o jeito foi apelar aos jornalistas funcionários da RPC -a filiada da Rede Globo no Paraná. Dulcinéia Novaes foi a primeira a improvisar uma palestra.

Novaes é a cara paranaense na Rede Globo. Sempre que há uma matéria de relevância nacional, ela é quem mete a cara no Jornal Nacional.

Já no "boa noite" ela demonstrou um carisma arrebatador. Falava simples, sorrindo, com uma ou outra firula graciosa. Com o microfone na mão, dava pequenos passos no palco que preenchiam todo o espaço.

Na fala dela, nada demais. Falou o básico, como começou, a necessidade do repórter ser sintético, blá blá blá. Mea culpa do auditório, que disparava perguntas do quilate de "você prefere jornalismo impresso ou televisivo?".

Esgotada Dulcinéia Novaes, entra Mauri König. Ao contrário de Novaes, König é força bruta e vem do jornal impresso. Parece que fala com o cadarço do tênis. Mas se trata de um cara ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo. Duas vezes. Tem histórias interessantíssimas. Mas parecia visivelmente incomodado na função de enchedor de lingüiça.

Quando finalmente chega o astro da noite, uma hora atrasado, a expectativa era que ele unisse a carisma de Dulcinéia com a profundidade de König. Não aconteceu. Perguntou em voz alta para si mesmo se "era para falar". Começou a engrenar passados 20 minutos de conversa.

Prato principal
Não vou aqui descrever toda a palestra, que girou em torno do "Profissão: Repórter" e de questões éticas do jornalismo investigativo. Só registro a opinião dos alunos no dia seguinte: "Médio". Se não fosse O repórter, seria "Ruim".

Duas coisas são altamente destacáveis na palestra. Primeiro, Caco declarou que se tiver que escolher trabalhar com uma equipe de talentosos ou de batalhadores, fica com a segunda. Coincido.

A outra é que Barcellos não considera matérias de declaração como jornalismo. O ranço é pelo seguinte: no jornalismo, uma declaração polêmica dependendo de quem seja, é notícia. Por exemplo, a entrevista com Roberto Jefferson que desatou o escândalo do mensalão. Para Barcellos, a reportagem da Folha de S. Paulo (que se não me falhe foi feita pela Renata Loprete) não cumpriu com bons preceitos do jornalismo.

E isso toca no cerne deste futuro livro. Afinal, declarações tem o seu valor? Segue no próximo post. Este está longo demais.

Quer melhorar seus textos?

O site IJNET (International Journalists' Network) oferece material muito bom para melhorar os textos jornalísticos. Alguns exemplos são:

Dicas de redação
Consejos para escribir un buen reportaje
Toda buena historia comienza con una buena idea

"Escrever é re-escrever", segundo dizem os expertos. A escritura vai melhorando com o tempo, e materiais como estes ajudam a ter as coisas mais claras e produzir textos mais interessantes.

IJNET está em inglês, espanhol e português. É bom procurar nos diferentes idiomas. O material em inglês tem 27 tópicos enquanto o de português tem só 16.

Dia Mundial do Orgasmo - Off Topic

Hoje é o Dia Mundial do Orgasmo.

E eu não tive nenhum até agora =[

Na boa, será que tem um funcionário na Onu pago para criar essas datas comemorativas? Eu quero este emprego.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Ai, meu cotovelo - a palestra de Caco Barcellos


Acaba de encerrar a palestra de Caco Barcellos. Estou meio zonzo, foram três horas de falação sem interrupção na PUCPR. Como ele se atrasou -graças ao caos aéreo, alegou- dois jornalistas paranaenses foram convocados a entreter o público enquanto a atração da noite não chegava. Auditório lotado.

Apenas registro que deu uma inveja tremenda ver a pilha de livros exposta na saída do auditório. Vendiam "Abusado" e "Rota 66", livros mais recentes do repórter global.

Um dia seremos assim. Amanhã, espero mais recuperado, conto uma lição importante que aprendi lá.

Àqueles famintos por notícia real time, paciência. Francamente, você não precisa saber disso agora. Nem da maioria de notícias expostas nos sites noticiosos.

O fenômeno NAH!

Este blog é o rasto que vamos deixando enquanto fazemos o livro. Todas as etapas estão documentadas neste espaço virtual, basta só cliquear nos links aos textos na coluna direita para encontrar do primeiro ao último post.

Quem leu o blog "de pé a pá"* terá percebido que ao longo destes meses colocamos todo tipo de textos. Alguns 100% relacionados ao andamento do livro e outros um tanto distanciados, mas sempre mantendo uma referência a nossa experiência com Curitibocas.

O post de hoje está dedicado a uma publicação que fez sucesso em Argentina: a Revista NAH! O nome já pode dar um indício de que não se trata de uma coisa muito séria, mas a verdade que é um projeto que fez sucesso no meu pais. A moral da NAH é o sem-sentido, o absurdo e a piada que às vezes chega a ser meio grotesca.

NAH! começou em 2002 com a premissa de não respeitar os padrões. Um exemplo: publicavam uma nova edição só quando eles queriam (ou quando conseguiam a grana necessária para imprimir-la), não mensalmente como se acostuma fazer. Outro dato, a distribuição era feita de modo mais informal. Eu me lembro de conhecer a revista três anos atrás pelo um amigo do meu primo que as vendia pessoalmente. Nesse momento a NAH! custava só $1 (um peso), hoje custa $6,90. O público tem se queixado pelo aumento, e eles explicam tudo no seu site de Perguntas mais freqüentes. Vale a pena entrar.

Por que estou escrevendo sobre esta revista? Simples, porque é um caso de uma proposta inovadora que fez sucesso justamente pela sua originalidade. Não foi fácil chegar aonde chegaram, demorou e precisou de muito esforço... Hmmmm.. Tipo, Curitibocas? A comparação não é em termos de conteúdo mas no fato de trabalhar muito pelo um projeto próprio.

A última edição que comprei foi "VeraNAH", publicação em honro ao verão, e atualmente a possui João Varella. É prova que o humor, mesmo se é bastante portenho, pode divertir aos irmãos brasileiros. (Ele que conhece a revista pode dizer se tem alguma similar no Brasil, eu ainda não vi).

Hoje eu queria ter a edição que publicaram enquanto eu estava em Curitiba. Perguntei em mais de cinco bancas de revistas da zona mais movimentada do centro. Em todas estava esgotada. Aliás, em Buenos Aires tem duas bancas por quarteirão, quase como o fenômeno das farmácias em Curitiba. O fato que uma revista feita com suor esteja esgotada significa que o esforço está rendendo. Tomara que aconteça algo similar com Curitibocas.

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* expressão argentina. "De pé a pá" = tudo

Ziraldo e o antro

Em meu último post, expliquei que tinha um preconceito bobo com blogs. Veja só quem parece dividir meu antigo sentimento:



Claro que este vídeo está fora de contexto. O jornalista João Paulo Pimentel não perdeu a chance de tirar isso a limpo e entrevistou o criador do Menino Maluquinho.

Gazeta do Povo – Em que sentido a internet é o “antro do débil mental”, como você diz no vídeo?
A edição do vídeo só pegou o começo da conversa de uma pessoa inflamada. Não retiro nenhuma daquelas palavras, que estavam contextualizadas no programa do Amaury Jr. Um antro é onde se reúnem as pessoas de má qualidade. E grande parte dos usuários da internet têm má-fé. Prova disso é o meu vídeo no YouTube. Só um débil mental faria isso.
(...)
Mas é claro que, ao chamar o internauta de babaca, você criaria uma controvérsia...
Não xinguei o usuário da internet e, de mais a mais, não existe “o usuário de internet”. Existe o torcedor do Flamengo. A internet não é uma instituição nem um clube. Isso é uma colocação que não faz sentido: “Olha, usuário da internet, o Ziraldo xingou você”.

Os blogs não podem ser encarados como ferramentas de escrita e leitura, principalmente num país que não costuma ler nem escrever?
As escolas deveriam incentivar os alunos a manterem blogs, mas existe o blog do exibido e o do reflexivo. Agora, a maioria dos blogs não convida à reflexão. É fofoca, é bobagem e com uma linguagem cifrada – feita por gente que não dominou a escrita. Não se pode chegar à internet sem passar pelo livro, mas é isso que está acontecendo.

Eu entendo o velho Zira. A internet dá poder para qualquer um sair disseminando mentiras e calúnias. A inclusão social na rede mundial no país foi da mesma maneira que acontece com todas nova tecnologia, ou seja, parte das classes altas e vai descendo conforme preços e tecnologia são facilitados.

A elite brasileira no Brasil é pouco educada. Não só passa batido por livros, como Ziraldo diz em sua última frase, como é ignorante na linguagem textual de maneira geral. Jornais, revistas, carta, gibi, recadinho de mural. Nada com mais de cinco frases coerentes é efetivo aqui.

Acho que agora faço parte do "antro de débil mental".


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Confira a matéria completa aqui. João Paulo Pimentel escreve também para o Blog Caiu na Rede.

domingo, 29 de julho de 2007

The Blog Experience

Quem deixou de falar comigo por uns três anos deve ter estranhado. Este que vos escreve tinha um preconceito bobo (pleonasmo?) contra os blogs e fotologs. Culpava o meio pela grosseira queda de qualidade do conteúdo na internet por volta de 2002 - época da famosa inclusão digital.

Na verdade, a culpa é dos usuários. Pelo meu antigo raciocínio, se os jornais eram ruins, deveríamos parar de destruir as imprensas. Errei, admito.

Como adiantei em um post recente, aqui começo o relato da minha jornada blogueira.

O título não é pedantismo. Serve para dar a deixa do primeiro alerta do mundo dos blogs: saiba inglês. O início da internet foi nos EUA. O inglês é a língua da rede. Por isso, não entenda como arrogancia a falta de tradução dos termos que estão por vir, pois simplesmente elas não existem.

Até onde sei, o único país que esboça uma defesa do idioma é a Espanha. Lá blog é bitácora. Mas a muralha espanhola começa a ruir. Aos poucos o vocabulário mundial da rede muda o do país peninsular.

A idéia deste blog surgiu de uma conversa sem muita firula. "Vamos fazer um blog?", perguntei. "Go", respondeu Ceci. Só depois que eu fui entender como funciona a coisa. Fiz uma rápida pesquisa para entender o que eram os tais de blog que pululam nos sítios dos jornais do mundo inteiro. Comecei, claro, pela Wikipédia.

Ok, bilhares de críticas a Wikipedia. A enciclopédia cresceu e comete imprecisões pavorosas. Inegável a utilidade dela para dar iniciar pesquisas, para dar um norte. Para temas mais profundos, não recomendo de jeito nenhum.

Pesquisa vai, pesquisa vem, resolvo ler o tal do Google AdSense. Ahá, então é assim que tem gente vivendo de blogar.

Mas isso é assunto para outro momento.

Curitibocas em YouTube

Há algum tempo postamos aqui um vídeo que fizemos para explicar do que trata-se o livro. Naquele momento o colocamos sem áudio e ficava meio sem graça. Agora já podem apreciar-lo com tudo certo.

Estamos produzindo, com a ajuda de um amigo simpatizante de Curitibocas, um outro vídeo menos formal que será colocado em YouTube em breve.

sábado, 28 de julho de 2007

Afinal, este blog trata do que?

Recebi uma pergunta na minha caixa de e-mail que mudou meu dia: "Como vai aquele projeto do Curitibocas sobre uma reportagem com personalidades de Curitiba?". Iria dedicar meu dia aos afazeres do emprego que me obrigaram ficar este final-de-semana de plantão. Como não caiu avião, nem morreu político importante, dediquei-me junto com a Cecilia a resolver esta questão. Regra de ouro: se um leitor -e neste caso não era nenhum paraquedista vindo do Google- não entendeu, a culpa é toda de quem escreveu.

Tenho que dar a mão a palmatória. A co-autora deste LIVRO me dizia desde o começo para colocar um link permanente que explicasse o projeto. Teimei. Pensava que com o cabeçalho bastava.

Acontece que o cabeçalho estava fraco e acima de uma figura. Regra básica de legibilidade, texto sempre separado de imagem. A atenção do leitor fica dividida entre um e outro. Como não conseguimos ainda solucionar a pleno a questão do cabeçalho, coloquei um bold (aka negrito) para melhorar.

Também dei uma enxugada no texto.

Outra ação é o link explicativo acima dos posts. Este texto será constantemente mudado de acordo com as atualizações esmiuçadas nas postagens regulares do blog.

Moral da história: se você tem um assunto complexo e quer que os outros entendam, seja didático. Nunca se sabe quando alguém novo vai se interessar e tentar entender qual a moral da coisa.
*****
Essas minhas dicas de blog são meio nas coxas. Tem o seu valor, mas tenho pouca experiência no assunto. Para quem quer algo mais específico, sugiro deve conferir o novo blog do Alessandro Martins -blogueiro já bem experimentado-, o Queroterumblog.com.

Valeu Skype

Nos tempos pós-modernos é relativamente fácil continuar um trabalho como o nosso. Claro que já passado o trabalho de campo, o que resta é dedicar muito tempo em frente do computador e com um telefone perto.

Atualizar o blog, mandar mails, redatar textos e demais questões são tarefas que vamos nos distribuindo entre os dois. Mas há uma ferramenta que tornou-se essencial para nos dois. Skype.

Com o programa você pode falar como se fosse em telefone mas de graça. MSN oferece um serviço parecido mas Skype ganha na qualidade do som principalmente. Graças a este programa com João nos comunicamos facilmente sem gastar um centavo. Debatemos do livro, das oportunidades que foram surgindo nestes dias, das ações que temos que tomar, entre outras.

Skype oferece mais um serviço. Você pode fazer ligações a números que não estejam online. Isto tem um custo, claro. Mas é realmente mínimo porque as ligações internacionais tem custo local e você acaba gastando muito pouco. Assim é como eu tenho crédito para ligar para Curitiba às pessoas que precise.

Esta etapa da divulgação parece fácil mas não é. Precisa de muita dedicação (como todas as anteriores) e de persistencia no envio de mails e ligações. Se Skype não existisse acho que muito ficaria nas mãos do João. Mais uma vez, a tecnologia facilita o trabalho.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Precisa-se de revisor

Curitibocas entra em fase de recrutamento. Estamos em busca de um revisor. Se você está disposto e faz letras, jornalismo ou se considera apto para o serviço, junte-se a nossa equipe.

Já temos voluntários para

  • Fotógrafia
  • Diagramação
  • Arte da capa
  • Ação de marketing maluca (breve mais detalhes)
Agora se acha que pode contribuir de outra maneira para este projeto, entre em contato.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Blog Quente


No começo, todos eram sites. Depois começaram a diferenciar-se. Uns passaram a serem chamados "Portal" (Yahoo!, um dos primeiros). Outros "Search Engine" (exemplo: aquele site que começa com "G" e é vedete na Dow Jones).

Aí vieram os publicitários. A mania insuportável de criar termos novos volta e meia gera algo interessante. É o caso de "Hot Site", que designam os sítios criados para um assunto específico moderno e efímero.

Outro termo bacana da internet: blog. Significam páginas com modelos pré-definidos, layout simples e que os usuários não precisam ser gênios da programação para montar um.

Este blog é um "Hot Blog". Rá! Trata de um tema bem específico e efímero, que morrerá assim que os assuntos sobre o livro produzido por Cecilia Arbolave e eu se esgotar.

A tal da blogosfera tem suas regras, lógica e charme próprio. Fascinante, principalmente para quem trabalha com comunicação. Claro que também tem pontos negativos e profundas bobagens.

Nos próximos posts, acompanhe as opiniões deste neófito da blogosfera sobre a experiência de ser um blogueiro. Sei que a maioria que frequenta este espaço não tem um blog e não entende patavinas de RSS, SEO, meme e outros palavrões da área. Nos próximos dias, registrarei minha pequena experiência para quem interessar possa. Assim você entenderá um pouco mais deste e de outros termos que estão revolucionando a comunicação.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Como é feito um livro?

A Fundação Demócrito Rocha tem um vídeo bem instrutivo com todos os passos da fabricação de um livro.



Descobri pelo Alessandromartins.com

Parabéns escritores!

Graças ao blog Lendo.org descobri que hoje, 25 de julho, é o Dia do Escritor. Que bom ter um dia para homenagear aos que optam pela escritura como meio de expressão.

Então, parabéns para todos eles!

Não nega o diálogo, mas da mídia ela não gosta

Trecho da entrevista com a artista Didonet Thomaz. Versão sujeita a alterações e revisões até a publicação do livro.

Como lida com a crítica? Se um crítico vai e fala mal do meu trabalho, e daí? É ponto de vista dele. Eu tenho que tocar.

Nunca teve o afã de querer ser conhecida? Não. Isso é um critério de valor. Tem gente que é alucinado por isso. Quer fazer escola de qualquer jeito. Não estou procurando isso, não. Conheço pessoas que tem uma pasta para mim. O Key Imaguirre tem uma pasta para mim na biblioteca dele. Eu quase cai para trás. Fui publicando, entrando em contato. Sou muito comunicativa, mas não sou muito da mídia. Não que eu seja tímida, eu não gosto de exibicionismo. As entrevistas para a mídia são uma conseqüência. O que tiver que ser vai ser. Eu não nego orientação. Estou começando a orientar agora. Não nego diálogo. Tenho também o meu critério.

Como se relaciona com a mídia? No caso do jornal, foi uma vertente muito interessante. Uma abertura que a Gazeta me deu por intermédio do José Carlos Fernandes, da Mariângela Guimarães e do Paulo Camargo, que na verdade se transformaram em amigos. Imagina, eu não sou jornalista e faço uma página de jornal. Lá dentro, na redação junto com eles. Trabalhando com os programadores visuais. Tudo isso é um lastro de confiança, de cumplicidade. Meu diálogo com a sociedade era lançado na imprensa. Foram umas 13 páginas mais ou menos. O que a sociedade me dá, eu respondo dessa forma.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Pronosticamos o fim mas...

Foi meio impossível abandonar este blog. Nos últimos dias antes de eu ir embora, combinamos abandonar a régua de fazer um post por dia. Ou ainda temos muito para dizer ou é a rotina de escrever aqui, mas a realidade é que não paramos.

Com este post, são em total 255 posts desde que criamos o Blog de Curitibocas. É um número interessante se pensamos que todos de alguma forma estavam relacionados ao livro. Claro que às vezes a conexão era um pouco, como diríamos na Argentina, "tirada de los pelos" (para dizer que é meio complicada), mas tudo bem. O importante é que atualizamos o blog dia a dia e agora não conseguimos parar.

Estamos aguardando a resposta de uma editora e daí vamos decidir de uma vez por todas com qual fazer este livro. Daqui a pouco, mais novedades.

Diagnóstico pós-blog

Passada a experiência de ter um blog, fiz um check-up psicológico. Fiquei viciado em blogs? Diagnóstico.

Clique na figura para fazer o teste.

No mesmo site, um questionário para verificar o valor de seu corpo. O meu vale $4575,00. Uau, me sinto bem.



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Fenómeno Oilman

Hoje teve o esperado reencontro com toda a minha família. Além das boas empanadas que comemos, falamos bastante do meu intercâmbio. Entre as experiências daqui de Curitiba, a mais importante é claro, o livro.

Expliquei cada etapa de Curitibocas - Diálogos Urbanos, os desafios, os sucessos, os obstáculos. Tudo. Contei sobre alguns dos personagens mas quando cheguei ao Oilman, cai na conta do difícil que é explicar a alguém de fora por quê esse super herói é parte da cultura popular curitibana.

Enquanto relatava, eu percebia alguns olhos confusos. Depois de algum tempo me perguntaram: "Só vai de sunga nas ruas?"; "Qual é a moral dele?"; "Vocês entrevistaram a ele de sunga e óleo?"

É engraçado ver as reações de pessoas daqui frente a um personagem como o Oilman. Curitiba é bem diferente que Buenos Aires. Aqui é quase impossível que alguém como Nelson Rebello crie um super herói urbano desta natureza. E se ainda ele consegue, demoraria muito mais anos dos que precisou na capital paranaense. Agora começo a imaginar os jornais argentinos comentando sobre um Oilman porteño... Que loucura.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Ceci, você está falando errado!

Lá em fevereiro, quando cheguei no Brasil eu teve que me acostumar a novas regras gramáticas. Eu falava em português do mesmo jeito de como eu falava em espanhol e isso resultava em orações bastante interessantes, se não incompreensíveis.

O tempo foi passando e as complicações apareceram com o espanhol. Eu misturava tudo, escrevia "história" com acento quando em espanhol não leva e cometia outros erros terríveis. Mas tudo bem, as pessoas entendiam minha situação meio confusa.

Hoje, após seis meses, eu me encontrei com uma grande amiga minha, a já citada Maru Ayam. Num bate papo que durou horas, ás vezes eu me confundia e falava palavras em português. Ela ria. Maru citou vários exemplos engraçados de meu novo portunhol. Teve um que eu me surpreendi. Como foi que eu pode confundir?

Em Curitiba, quando contava em espanhol para ela da luta para a publicação do livro e tal, eu usava a palavra editora, como se fala em português. Em espanhol, a acepção para essa palavra é outra.

Editora em português é editorial em espanhol. Porém, editora em espanhol é aquela pessoa que edita e corrige um texto. O mesmo acontece no inglês com publisher e editor.

Por tanto tempo eu cometi o mesmo erro. Que vergonha. Tem que ter me paciência agora. Daqui a pouco eu vou falar certo de novo.

domingo, 22 de julho de 2007

Bloco de notas para chuva


Chove em Curitiba... Mais do que ensopar desavisados, a água atrapalha que quer tomar notas. "Oh, e agora, como anotarei este dado importante que acaba de surgir nesta chuva?".

Seus problemas acabaram!

http://www.riteintherain.com

Bugiganga cool demais.

*****
Conheci através do Novo em Folha.

Adeus, Cecilia

Cecilia Arbolave embarcou por volta das 12h de hoje para Buenos Aires.

Bye Bye Brasil

Depois de seis meses em Curitiba volto para minha terra, a linda Buenos Aires. Me aguarda uma cidade bastante fria mas muitas pessoas e coisas das que tinha saudades.

Neste tempo aqui aprendi bastante do povo curitibano e dos ritmos da cidade. Claro que o livro ajudou bastante. Além das entrevistas, que foram encontros realmente interessantes, minha avaliação é que fizemos um trabalho muito bom, profissional e que vai dar certo.

O blog talvez não seja o mesmo. Sem o dia-a-dia com os dois autores geográficamente no mesmo lugar, o Blog do Curitibocas vai tomar outra forma. Ainda falta um trecho do caminho para andar. Umas portas se abriram esta semana que deram mais um pouco de esperança a estes autores.

Bom, mas é hora partir. Bye Bye Brasil.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Anúncio do fim

Este blog puxa o freio de mão a partir do domingo. Os autores deixarão de fazer um post por dia o que na minha opinião acaba com o conceito de um blog. Fatos novos com relação ao livro estão cada vez mais raros. Agora entra uma parte burocrática meio mala que só arrancará bocejos dos amigos (e inimigos) leitores.

Quando pintar algo realmente bacana - relacionadas ao livro ou não -, postaremos aqui. Para não perder a atualização, basta se inscrever no envio por mail dos posts - basta digitar o endereço na barra lateral direita - ou no feed.

Na mesma data Cecilia Arbolave, co-aventureira deste projeto, volta a Buenos Aires.

O título deste post é para que no dia 21 ou 22 eu possa escrever um post com algo criativo como "Crônicas de um fim anunciado".

Não à Lei de Incentivo

Ontem fomos no cinema a assistir o filme "Cinema, Aspirinas e Urubus". No começo novamente apareceram patrocinadores e o logotipo da Lei de Incentivo. Eu pensei novamente (como eu faço cada vez que vejo essa imagen) por quê não apresentamos nosso projeto.

Enquanto escrevíamos o livro e fazíamos todo a parte de campo (as entrevistas), começarmos a contatar algumas editoras mas o feedback era sempre o mesmo: tem que ter o livro pronto e depois falamos.

Muita gente aconselhava ir pela Lei de Incentivo, mas quando pegamos ela caímos na conta que era um processo bastante mais complexo do que pensávamos. Tem bastantes requisitos e categorias que nós nem tínhamos pensado. Chegamos à conclusão que se queríamos apelar à lei, era melhor ter começado o projeto pensando em todas as condições dela.

Sempre trabalhamos com pouco, pelo menos neste projeto. E a Lei de Incentivo parece (e também pelo que nos dizeram) demorar bastante. Acho que os leitores deste blog já se deram conta que somos impacientes e queremos ter o livro pronto, o projeto acabado. Talvez cometemos um erro, quem sabe. O próximo livro pode até ser adaptado para uma Lei de Incentivo, mas nesta vez não deu.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Conjuntura do mercado


Bernardo Carvalho está obcecado com o mercado editorial, segundo ele mesmo admitiu no último Paiol Literário. Este cara, que é o da foto ao lado, constantemente pensa sobre o ofício de ser um autor. Dar aquilo que o público espera ou transgredir, eis a questão.

A fórmula é clara. Trama bem construída, personagem com matizes psicológicos curiosos e dados atuais. Eis o Big Bang de um best seller. E a crítica tambem já usa como gabarito estes elementos, porém agrega a paixão pela estrutura.

Para complicar a situação, as pequenas editoras são abocanhadas por grandes aglomerados de entretenimento. A mesma empresa que publica o livro faz o filme, lança o CD, DVD, game, bonequinho do Burger King. Cada historia deve dar um lucro extremo. O futuro aponta para que esta situação esteja ainda mais agravada.

*****
A conversa foi muito mais profunda que este resumão que postei aqui. Fica o convite para todos comparecerem no Paiol Literario do dia 14 de agosto com Sérgio Sant’Anna.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Curitiba e seu urbanismo

Trecho da entrevista com o arquiteto Key Imaguirre. Versão sujeita a alterações e revisões até a publicação do livro.

Jaime Lerner é um bom urbanista? [Suspira] A pergunta para mim é fácil de responder. Mas a coisa tem conotação política e aí já me desagrada um pouco. Acho que num determinado momento ele foi um bom administrador para cidade no sentido que ele acreditou na história do Plano Diretor, fez os governos militares acreditarem e conseguiu os financiamentos nacionais e internacionais. Acho que ele tem esse grande mérito como prefeito. Como governador é outra história. Só que entre ser um administrador e ser urbanista, a diferença é muito grande. Quem deu a substância urbanística para ele ser um bom administrador foi o IPPUC, que não é invenção dele. O Plano Diretor não é de autoria dele, é do Jorge Wilhelm, paulista. Ele tem esse mérito em determinados momentos de saber escolher o pessoal para ir compor o IPPUC e essa instituição subsidiar a cidade com o que ela necessitava. Identificar os problemas da cidade. Lerner é meu colega na Universidade Federal do Paraná. É o único professor contratado antes de mim que nunca deu aula. Ele sempre está num cargo de alguma coisa que ele tem direito de estar licenciado. Jamais deu aula. Eu estou lá há 32 anos. Ele está há 33, uma coisa assim. Não sei o que ele é agora, mas algo ele tem.

Se Key Imaguirre fosse prefeito de Curitiba... Teria evitado essa explosão da população. Acho que isso foi muito efeito de propaganda, mas enfim, aconteceu. Os curitibanos estão submersos, estão meio diluídos. A partir da década de 70 teve muita propaganda sobre a cidade que tinha mais qualidade de vida que as outras cidades brasileiras. Acho que na verdade submergiu um pouco.

Era propaganda enganosa? Não é bem enganosa. O negócio é que era propaganda política. Inventam esses slogans. Não acredito que tenha tanta diferença na qualidade de vida. É que nem a historia do frio de Curitiba. Cadê?

Bate papo literario no Paiol

O ciclo Paiol Literário, organizado pelo jornal Rascunho, a Fundação Cultural de Curitiba e o Sesi Paraná, tem seu convidado do mês hoje, terça 17 de julho. Como todos os meses, o teatro recebe um escritor para bater um papo com o público. Já foram convidados Ana Maria Machado, Michel Laub, Miguel Sanches Neto e Flávio Moreira da Costa.

Esta é a vez do carioca Bernardo Carvalho que subirá ao palco e será mediado pelo escritor e jornalista José Castello. Para quem não puder assistir, as conversas podem ser encontradas tanto no jornal Rascunho quanto no seu site.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Sete maravilhas... de Curitiba?

Depois da escolha das Sete Maravilhas, um membro da nossa comunidade de Orkut, "Eu apóio Curitibocas", começou na semana passada uma discussão sobre as sete maravilhas de Curitiba. Eu ainda não me decidi, mas tem ali várias opções.

A primeira vez que li sobre isso achei que era uma brincadeira. Mas dia a dia aparecem novas provas que não é só um rumor. Realmente estão tentando encontrar as maravilhas curitibanas.

O blog Curitiba Deluxe também estão na busca. A pracinha do Batel, o "cavalo babão" e a réplica da estátua da Liberdade estão concorrendo para ser as maravilhas mais bizarras.

Já neste blog demonstramos como Curitiba nos inspirou para escrever parte da história fictícia do livro. Esta é mais uma prova das coisas engraçadas e sem muito sentido que acontecem aqui. Mas tudo bem, vamos ver quais serão as escolhidas.

Hoy, tudo bem?


O sonho do Mercosul, do chavismo bolivariano e qualquer outra utopia de integração da América Latina tem como base o mínimo entendimento entre as partes.

Quer queira quer não, o Curitibocas é uma contribuição (por mais minúscula) para esse sonho. Uma argentina e um brasileiro trabalhando a quatro mãos sem cara de cucaracha, sem apelar para estereótipos baratos. Um livro que pode muito bem figurar entre qualquer outro, sem parecer nada muito surpreendente neste aspecto.

Acredito que assim que vamos chegar - em futuro longínquo e se chegarmos - a tal integração. Sem alarde, trabalhando juntos de maneira natural.

Hoje postei um vídeo sobre o tema. Engraçado em um primeiro momento. Triste se pararmos para pensar no que ele significa realmente. Os brasileiros de classe média - eles que tiveram condições de pagar a entrada para a abertura dos jogos Pan-Americanos - não sabem o B+A = BA do espanhol. É matéria curricular de primeiro grau. Como sonhar com uma américa unida depois desse vídeo?

Ruim? É pior. A audiência presente na abertura do Pan demonstrou ser uma massa imbecil. Orquestrada pelo diretor do comitê no início da festa, deram "boa noite" bem bonitinho três vezes para representar o Rio de Janeiro, Brasil e a América. Aplaudiu quem era para aplaudir, vaiou quem teve que vaiar.

No primeiro indício de uma saudação coloquial, por mais absurdo que parecesse o contexto de um orador se referir em uma solenidade para milhares de espectadores com um "oi", responderam. Nem se colocaram a pensar "puxa, será que o "oi" ´deles´ é igual ao português? Será que ele está realmente saudando a platéia já que o comprimento é utilizado no meio do discurso?". São mais fáceis de adestrar que o cachorro de Pavlov.

E nós aqui tentando publicar um livro. Vai ser brabo.

oooooiiiiiiii

Durante a cerimônia de abertura dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, o mexicano Mario Vazques Raña, presidente da Odepa (Organização desportiva Pan-americana), começou duas frases de seu discurso com a palavra "Hoy" ("Hoje" em espanhol). O público no Maracanã não titubeou e respondeu...


"oooooiiiiiiii"


A fonte é o Kibeloco. Mais tarde comentarei este fato triste e engraçado aqui no blog.


Edit: Escrevi o comentário aqui.

domingo, 15 de julho de 2007

Os autores gostam de Liniers

A razão pela qual conseguimos escrever um livro juntos foi, além de ter a mesma atitude para com o trabalho profissional, que compartilhamos certas preferências. A literatura é uma. Os livros sempre vão da minhas mãos para as de João e vice versa. Sempre tem livro rodando por aqui.

Mas uma que é inegável é a de um certo humorista. Dizem que um extrangeiro pode entender tudo num país menos o humor. No caso do João, a teoria foi rebatida. Quando ele estava na Argentina, eu apresentei meu caricaturista favorito: Liniers. Desde então os dois, religiosamente acompanhamos suas criações no jornal La Nación.

Liniers provoca uma atitude um tanto radical. Ou você adora, ou não encontra graça alguma. Aqui um pouco da loucura deste argentino. Se gostam, tudo bem. Se não, não faz a menor diferencia. Tem um blog que posta dia a dia as tirinhas dele. Confira aqui.

Eu já fiz muita gente gostar de Liniers. Talvez converta algum leitor deste blog. Não se desmoralize se não entende as piadas. Na maioria das vezes não tem sentido.

A Igreja em questão

Trecho da entrevista com a freira Irmã Custódia. Versão sujeita a alterações e revisões até a publicação do livro.

Até hoje a opinião da Igreja é levada muito em conta. Você acha que deve manter uma posição política?

A política é a arte em benefício do povo. Ela tem que defender a pessoa, a vida e os valores que Jesus defendia. A Igreja tem que sempre defender a vida. Como a respeito da discriminação da mulher. Nesse ponto, ela não é seguidora de Jesus. A mulher não é permitido participar das decisões da Igreja. Jesus não ordenou as mulheres porque as mulheres naquela época não eram emancipadas. Não eram cidadãs. A posição política tem que estar sempre cuidando do povo, pastoreando o povo. Sempre orientando os fiéis, respondendo os anseios das pessoas.

Gostaria de ser padre?

Uma maioria pensa que se houvesse a ordenação de mulheres eu seria bispa direto. Fala o que pensa. Estou sempre com o microfone. Eu acho que estou trabalhando muito e vou continuar para que as mulheres tenham possibilidade de fazer parte da hierarquia da Igreja. Isso é disciplinar, não teológico. O que é disciplinar nós podemos mudar. O que é teológico, de Jesus, não. Igual o celibato. São Pedro era casado. O celibato dos padres é uma questão disciplinar, que nós podemos mudar.

Você acha que deveria mudar?

Celibato voluntário. Sempre vamos ter pessoas idealistas que vão lá 48 horas por dia. Eu acho que deveria ser livre. Não sine qua non. As outras igrejas tem e os fieis vão para a igreja do mesmo jeito.

sábado, 14 de julho de 2007

Nostalgiações depois da pista de dança


Depois da madrugada de ontem/hoje, me invadiu uma nostalgia de tempos que não vivi. Isso que eu estava no meio da pista de dança do bar "Era só o Que Faltava".

No caminho de volta, recordava o show da banda DeLorean. Tocaram sua especialidade, rock e pop dos 80 com perfomances "de época" do vocalista Luigi Poniwass (é ele aí na foto, em outra festa). Antes de soltar a voz, dava o ano e um pouco do contexto da época.

Reclamo muito da nossa situação atual. Pouco dinheiro para cultura, nem para sacar um livro que tem um óbvio viés comercial como o nosso. Na real, os 80s foram maldosos conosco, até piores do que a presente década. Planos econômicos estapafúrdios, derrotas esportivas - btw, Brasil em sexto no ranking de medalhas até o momento, atrás da fortíssima República Dominicana -, frustrações políticas. Nesta década nosso ímpeto, delicadeza e esperança foram abalados.

Deu vontade de ir para antes de todo esse vendaval. 70? Ganhamos uma Copa, mas teve um regime político fdp. 60? Jânio Quadros,Golpe Militar, bolo econômico crescendo no forno da classe alta.

Deixa para lá. Nostalgia é o lamento de uma situação romantizada, beirando ao extremo. E eu nem tenho com o que me "nostalgiar". Negócio é batalhar pelo e com o que temos hoje. Última semana de Ceci em Curitiba, esforço concentrado para acertar a editora.

*****
Fica a recomendação: todas as sextas banda Delorean no Era Só o que Faltava. Não percam quando eles tocarem "What a Feeling", trilha do filme "Flashdance". Um arraso.

Luigi é o dono do blog A Noite Toda.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Começa o count-down

Quando começamos a trabalhar neste projeto, o cálculo de tempos e tarefas fechava perfeitamente. Terminamos de escrever o livro em junho, o que deu tempo para conversar com as editoras.

No início, nem João nem eu pensávamos que ia ser tão difícil esta última parte. Quase um mês (ou até mais) dedicamos a fazer contatos com editoras. Das inúmeras ligações que fizemos e e-mails que mandamos, recebemos todo tipo de resposta menos a de uma editora que dissesse: "Olha, acredito no projeto de vocês e vou investir". Não. Nada disso.

Ou nos disseram que não estão publicando obras de nosso tema ou que os autores tem que cobrir os costos da publicação (opção que estamos considerando), sem mencionar as que não retornaram nosso contato.

Tivemos momentos em que renovamos a esperança, mas no momento estamos bastante desmoralizados. A pressa é porque daqui a nove dias eu vou embora para Buenos Aires. Claro que tenho muitas coisas que posso continuar fazendo desde lá, mas no que se trata de ligações e reuniões com editoras, deixo a João a cargo. Tomara que na semana que vem as coisas melhorem. Dá para usar a frase meio cliché: Temos os dias contados.

Livros das entranhas



Escondido nas entranhas da Casa Andrade Muricy está o setor de editoração da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná (SEEC). Volta e meia eles fazem por lá concursos literários de diversos gêneros- veja no site que atualmente estão selecionando contos.

Eles também publicam livros por meio de reuniões de conselho - acredito que o livro que acabei de ler, "Diários de um Crítico" tenha saído dessa forma. De vez em nunca eles se reúnem, dividem os originais que foram enviados e dão o veredito em 60 dias. "Diário..." tem uma qualidade bem interessante.

A Seec fica na Ébano Pereira, 240 em um prédio histórico. As meninas do setor de editoração que me atenderam eram bastante simpáticas.

Aproveite para ver uma exposição com as fotos do Fórum Social Mundial 2007.


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ps: Quando fui lá comerciantes da mesma quadra não sabiam onde ficava a secretaria. Será que eles não tiveram a mínima curiosidade de ir ali perguntar "o que tanta gente faz nesse lugar?".

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Questão de olhares

Nesta semana na Cinemateca se exibe a Mostra Viver Juntos, ciclo de cinema francês. Desde a segunda-feira que os autores de Curitibocas se deleitam todos os dias com os filmes da programação.

A descrição da mostra explica: "Os seis filmes desta mostra revelam os sofrimentos, frustrações, ilusões e esperanças de uma juventude que sofre cada vez mais com a precariedade e a exclusão".

Os filmes me deram perspectivas diferentes que realmente mudaram minha percepção da França. Foram, em uma palavra, olhares que eu desconhecia dos franceses ou melhor, dos excluídos no pais europeu.

A ancoragem que eu faço da mostra com o livro Curitibocas - Diálogos Urbanos é justamente nos olhares que os filmes propõem. O livro apresenta diversas experiências dos protagonistas da cidade. Provenientes de distintos âmbitos, eles dão uma visão muito mais integrada do que é e que representa Curitiba. Tomara que provoque sensações similares das que eu senti nestes dias.

Blogueiros Dependentes Anônimos

Aproveitando o encejo do último post da Ceci, realmente seria uma boa viver de blogar. Para isso o blogueiro deve se dedicar muito ao seu sítio. Mas há um limite. Veja estes dois vídeos do programa português Hora H.



quarta-feira, 11 de julho de 2007

Horse Racing das livrarias


O decano da Austral,

Update: a modificação da Língua Portuguesa


Meu game favorito é o Warcraft III - Reign os Chaos. Jogo ele desde que foi lançado, em 2002. Mas o jogo evoluiu desde seu lançamento. Recebeu 20 patches - pequenas atualizações que incrementam a competitividade. Sempre que aparecia um cheese - estratégia abusiva com claro desbalanceamento - os jogadores aguardavam um iminente patch que o coibisse.

Desde que comecei a trabalhar com jornalismo, sentia que havia algo errado com a gramática. Nas releituras e correções do Curitibocas batia o mesmo sentimento de espera por um patch. Infelizmente, o português não é mantido pela Blizzard.

Essa história de "X" e "CH", "S" com som de "Z", acento circunflexo, palavras iniciadas com "H", "SS" e "Ç" com som de "S", crase, desculpem os puritanos, mas são meros pinduricalhos que complicam e atrapalham a expressão. "Casa" deveria ser escrito com "Z". Não me venham com essa de "ah, mas estás propondo a diminuição do leque expressivo lusófono". Os vocábulos é o que contam e eles devem ser preservados, inclusive os mais arcaicos.

Acredito que muitos deixam de escrever textos longos e mais elaborados por essas dificuldades e uma suposta vergonha de escrever mal. Não estou me referindo à tratados complexos. Veja o caso da hiper utilização do informal scrap no Orkut ao invés do e-mail. Um tem toda a cara de chat com histórico permanente e exposto, enquanto o outro remete à idéia de carta. Detalhe: este, por mais que trabalhe com escrita, comete erros, como já escrevi antes.

O tal Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa que está para sair no final do ano se tudo der certo parece a oportunidade perfeita para limpar a língua. Mas o mote não tem a ver com o apontado no parágrafo anterior. O objetivo, igualmente válido, é a integração das nações lusofonas e facilitar a divulgação do idioma.

O patch é iminente, mas ele já pede nova atualização. No caso de um idioma, baixar e instalar uma atualização demanda mais esforço. A oportunidade não pode ser desperdiçada.

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ps: críticos e inimigos do meu coração, eis um prato cheio. Games e gramática é uma mistura indigesta. Imprima, dê risada e coloque ao lado do vudu reservado à este.

Sem previsão para o futuro deste blog

Foi em abril, ali pela Páscoa, quando decidimos criar este blog. Achamos um bom recurso para começar a divulgar nosso projeto. E realmente superou nossas expectativas.

Há quatro meses que cada um publica um texto por dia, régua que impusemos para manter atualizado o blog. Funcionou. Hoje em dia temos uma média de 60 a 70 visitas diárias, sem contar as exibições de página, claro. O número representa uma quantidade interessante de leitores que acompanham o projeto.

O que fazer com o blog logo que o livro esteja publicado? O melhor, o que fazer quando um dos autores volte ao seu pais (aka eu)? Por enquanto, como ainda não fechamos o projeto, vamos continuar aqui. Como é um espaço virtual, nem interessa aonde estejam as pessoas físicas. Porém, desde Argentina escreverei para o Blog do Curitibocas.

Após a publicação não temos previsão do que fazer. Ontem o Sr. Varella afirmou que gostaria viver de escrever num blog, então acho que vai ser difícil ele não aparecer por aqui. Mas não é momento de se preocupar por isso. Como diz a expressão, "Tiempo al tiempo".

terça-feira, 10 de julho de 2007

Falta mais um pouco

O projeto Curitibocas - Diálogos Urbanos começou em março e ainda não terminou. Falta simplesmente a impressão, etapa mais difícil do que parece.

Quando contamos do trabalho que fizemos, as opiniões em geral são positivas. Curitiba realmente não tem um livro que reúna a seus principais protagonistas.

No passar do tempo foram aparecendo algumas cobranças implícitas para que o livro seja publicado. Em primeiro lugar dos entrevistados. Já com as entrevistas editadas, tivemos que nos reunir novamente com eles para conferir nomes e lugares citados. Todos ficaram curiosos em saber do lançamento do livro. Até quem no inicio se mostrou mais resistente na entrevista agora esta ansioso por ter Curitibocas nas mãos.

Em segundo lugar, a cobrança e os amigos e conhecidos que apoiaram o projeto. Tem muita gente que acreditou desde o começo neste trabalho, que acompanha o blog e que torce pela publicação do livro. Acho que também aqueles que tanto criticaram o projeto querem ver o projeto acabado - só para seguir criticando. Mas tudo bem, isso também ajuda.

Em ultimo lugar, a cobrança e própria. Somos nós os que mais queremos ver o trabalho finalizado. Somos nós quem mais apostou nesta idéia e continua ate o fim. E somos nós quem mais põe pressão para fechar este projeto.

O que não tínhamos percebido no começo e que publicar um livro e um processo que demora muito e que requer paciência. Vamos lá então. Já estamos na reta final. Se precisamos esperar, esperaremos. Mas com certeza haverá um lançamento para responder a todas as cobranças que fomos gerando.

Roda Viva especial Flip 2007

O primeiro programa Roda Viva especial Flip2007 acabou agora há pouco. O escritor mexicano Guillermo Arriaga (roeirista de Babel, Amores Brutos, entre outros) foi o entrevistado.

A série de programas segue até a sexta-feira. Porém o horário é canalha: 0h30. Os próximos entrevistados são o moçambicano Mia Couto (amanhã), o israelense Amós Oz (quarta), a sul-africana premiada com o Nobel de Literatura Nadine Gordimer (quinta) e os jornalistas e escritores Robert Fisk, inglês, e Lawrence Wright, norte-americano (sexta).

A tentação de chegar estropiado no trabalho no dia seguinte é grande. Tomara que reprisem (em horários dignos) breve.

domingo, 8 de julho de 2007

Papel e caneta banda larga


Há tempos fazemos ponderações e elogios sobre as novas ferramentas para escrever. Uma delas até foi o Google Docs, além, é claro, deste próprio blog. É hora de ver o outro lado da história.

Hoje senti na pele o desprazer de ficar grande parte do dia sem internet. Tinha que honrar compromissos no meu novo emprego além de escrever o post diário que tentamos cumprir na medida do possível. Nada de Internet desde metade da tarde.

Para passar o tempo, li "Diário de um Crítico IV", do Temístocles Linhares. Em certas entradas de seu diário, elogia o ato de agarrar uma folha de caderno e caneta - que faz com que todo um mundo de possibilidades se abra. Para nos, filhos da pós-modernidade, se der pau no Windows fodeu.

E cá estava eu, ligando para a Brasil Telecom que eu tanto amo e odeio. Na primeira ligação o atendente me empurrou para meu provedor, o Terra. Insisti que entendo um pouco desse negócio e não podia ser problema do provedor. No empasse, desliguei na cara dele e chamei novamente. Um outro rapaz que parecia ser mais do mêtier consertou a bagaça. Por três minutos.

Terceira chamada, 30 minutos na espera (lia o "Diário..." para passar o tempo e passar raiva). No momento que a menina antende, coincidentemente volta a Internet. Puteio ela pela espera, que me contesta insistindo que verifique o estado da minha Internet. Ela com certeza sabia que eu já estava on line de novo.

Se eu estivesse escrevendo o livro pelo Docs, cara... a fúria seria maior ainda com a Brasil Telecom. Linhares parece um retrógradamente sábio a cada pane no sistema.

Cine barato, sala lotada

Ultimamente temos conversado com João do interesse pela cultura do povo curitibano. Nós já fizemos um produto cultural, um livro, mas daí a questão é se vai ser consumido.

O conteúdo de Curitibocas - Diálogos Urbanos é, como colocam nos filmes, apto para todo público. A diversidade dos entrevistados atinge várias áreas e setores da sociedade, o que conseqüentemente despertará o interesse de diferentes leitores.

Bom, mas o ponto é se as pessoas vão realmente tirar dinheiro da sua carteira e investir num livro. Nosso termômetro para esta situação são as manifestações culturais em Curitiba as quais assistimos. João já citou o Ciclo de Cinema Argentino e hoje eu vou trazer mais um exemplo que dá um pouco de esperança (ou não).

Nos domingos, R$1 pode ser tornar uma grande oportunidade para assistir um bom filme. Esse é o preço dos ingressos do Cine Luz e a Cinemateca e hoje eu aproveitei a promoção e curti o filme "Nome de família".

Aconteceu o que não esperava. A sala estava lotada. Confesso que minhas expectativas eram baixas em relação ao público que iria assistir o filme. E me surpreendi. Este exemplo é mais uma prova de que há interesse pela cultura em Curitiba. Claro, não é o primeiro nem o último. Não estou subestimando à cidade, é só que estou mais atenta à assistência do público nos filmes, peças e exposições que eu vou.

Mas, em contrapartida, apresenta-se um novo desafio. A sala estava lotada porque o filme custava R$1. Se o fator monetário é a motivação das pessoas, qual será o sucesso de nosso livro, que pelas estimativas que já nos deram, custará entre R$30 e R$50?

As dificuldades do crítico

Perdido na minha pilha de livro há quatro anos, comecei recentemente a ler "Diário de um Crítico", de Temístocles Linhares. Comprei os livros quatro e cinco da série de seis volumes que reproduz o diário pessoal de Linhares em 2002. Era um evento de confraternização da Central Press, assessoria de imprensa que estagiei, onde os funcionários traziam quinquilharias de casa para permutar. Infelizmente meu colega só trouxe estas partes.

Tive todo esse tempo de resistência para começar a ler o livro. Começar pela metade é ruim. Pior sem ter o final dele. Mas deixar um livro mofando na estante é pior.

Apesar de Temístocles Linhares ter sido um reconhecido crítico literário, seu diário tem uma boa variedade de temas. Um que tem muito a ver com o momento do Curitibocas começa na página 143, quando o autor faz uma viagem ao rio a fim de publicar um livro seu que está há cinco anos pronto.

Isso que se trata de um escritor de carreira, referência na sua área, metido em altos cargos da Universidade Federal do Paraná. A partir dessa página começa uma série de queixas com o mercado editorial brasileiro.

Depois de morto, a Imprensa Oficial reproduziu seus diários escritos à mão em 2.500 páginas sem nenhum esforço do autor.

sábado, 7 de julho de 2007

Convite para viajar

Trecho da entrevista com a artesã Efigênia Ramos Rolim. Versão sujeita à alterações e revisões até a publicação do livro.

O que acha das reações das outras pessoas em relação a sua arte? Tem pessoas que não entendem ainda. Daqui a cem anos eles vão entender que eu queria ajudar a terra. Brinco com o lixo, brinco com a arte. Uns gostam outros não. De repente chega um estrangeiro que diz ser lindo. Uma vez eu paguei um mico. Fiquei vendo um quadro bonito, bem trabalhado, mas era muito risco e rabisco. Aí eu vi um risco de caneta no meio do quadro. Eu falei com um cara que estava atrás de mim: “Olha que coisa engraçada. O homem faz o quadro que é risco e rabisco. Ainda dá um risco de caneta”. Aí ele falou: “Olha, Efigênia, ninguém é obrigado a explicar a arte. Daqui a cem anos você vai descobrir por que o autor deu um risco de caneta”.


A senhora já entendeu aquele risco? Ah, é como as pessoas que passam na minha barraca. É para viajar.


Essa incompreensão te afeta? Antes era o terror. Até eu mesma demorei para descobrir o que é uma arte. É amargo quando alguém abusava. Agora eu falo: "Você não conhece o que é arte, meu anjo. Se você conhecesse, iria valorizar mais". Nem Jesus conseguiu agradar todo mundo. Agora eu declamo essa poesia que você ouviu. Primeira poesia que eu fiz. Daí eu comecei a ficar conhecida. Eu nunca li e nunca estudei, mas dizem a história do homem é essa. Imagina quanta coisa tem no universo. Imagina quanta coisa está lá em cima que Deus quer mandar para o homem. E o homem passa por baixo ou pisa por cima e vai buscar uma coisa grande. Mas se busca uma coisa grande, esquece das pequeninas. Então a gente quer buscar as coisas grandes e nem faz as pequenas. É um dródio.

Blog asqueroso, não acesse

Atrasados, conhecemos hoje a Casa Erbo Stenzel. Deveríamos ter-la visto há tempo, mais precisamente desde que entrevistamos Didonet Thomaz.

A casa está no Parque São Lourenço. Dentro dela estão expostas obras do artista plástico Erbo Stenzel e conta um pouco da história do artista.

O mais curioso na visita foi termos conhecido Pedro Moreira da Silva Neto, espécie de guia da casa. Assim que nos fitou ofereceu um café feito de maneira especial. Começamos conversando sobre a bebida e terminamos falando de cultura.

Não agradou a ele a revista "Curitiba Apresenta", publicação gratuita que leva o selo da Fundação Cultural de Curitiba. Achou o papel ruim, colorida e grande demais. Eu particularmente gostei. Faz lembrar a guia de cultura das sextas que vem encartada na edição paulista da Folha de S. Paulo.

Ao final, pediu encarecidamente para que nós criticássemos seu blog. Segundo ele, há um tremendo vazio nas críticas e análises. Ninguém mais discute, a arte que não é comentada cai no vazio. Nisso concordo com ele. Melhor até críticas levianas que nenhuma crítica. Acredito que uma grande quantidade de juízos bobocas possa levar à análises sérias e especializadas.

Então lá vai: Não entrem no blog nojento http://www.pedromoreira.blogspot.com . Eu nem entrei ainda e já não gosto.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Livro que influenciou Curitibocas (ou não) 7

A jornada do escritor (Christopher Vogler)

Baseado no livro do Joseph Campbell, "A jornada do herói", Christopher Vogler faz o que eu considero um manual para escritores. Ele aplica as estruturas míticas (mais complexas no texto de Campbell) na construção de boas histórias e bons roteiros.

No começo descreve os diversos personagens que podem (e às vezes devem) aparecer - herói, mentor, aliados, inimigos, entre outros. Logo ele se submergi nas diferentes etapas da jornada do herói. É difícil resumir-las, mas é basicamente uma progressão de desafios aos que se o herói se enfrenta.

A leitura é leve e, graças aos exemplos de filmes clássicos, o conteúdo teórico fica bem claro.

Desde o começo nós não quisermos dar muita atenção ao personagem fictício de Curitibocas, Darcy. A razão era que ele é uma simples desculpa para conduzir ao leitor pelas entrevistas. Mesmo assim, acabamos escrevendo mais da parte fictícia do que planejamos.

O livro, "A jornada do escritor" teria sido muito útil se o foco fosse Darcy. Como a prioridade são as entrevistas, não é preciso fazer de Darcy um herói/heróina, e nos preocupar com o seu desenvolvimento. Seria interessante, mas confuso para o leitor.

Voltando ao livro, acho que vou aplicar os conceitos que o autor propõe no próximo projeto.
No entanto, no epílogo, Vogler dá um incentivo aos escritores. Ele afirma que a jornada do escritor é de fato a jornada do herói. As seguintes linhas me deram ainda mais força para continuar nesta fase final.


Mas não perca as esperanças, porque escrever é uma coisa mágica. Mesmo o simples ato físico da escrita é quase sobrenatural, na fronteira com a telepatia. Imagine só: fazemos algumas marquinhas abstratas num pedaço de papel, as marcas ficam ali dispostas numa certa ordem, e alguém do outro lado do mundo (ou dali a centenas de anos) poderá conhecer os nossos pensamentos mais profundos. Os limites do espaço e do tempo, e mesmo as limitações da morte, podem ser superadas.

Triângulo das Bermudas no Pilarzinho

Nesta semana tive que ir ao Pilarzinho, bairro com ruas que se cortam, subidas, descidas, curvas... Em fim, já fui algumas vezes mas não é a área na qual mais freqüento. Me anticipei e procurei na Internet o endereço. Até fiz um mapa numa folha, colocando as ruas perto do ponto que precisava chegar. No momento nem sabia que o trajeto ia ser tão difícil.

Deixei minha bicicleta na Praça Tiradentes e peguei o ônibus Bracatinga. Até ali tudo bem. Mas quando perguntei à cobradora se sabia aonde eu tinha que parar, ela não conseguiu me responder. "Santa Cecília? Mas nós não passamos por essa rua". Eu tinha certeza que sim, já tinha pegado essa linha em outras ocassiões. Na confussão, um passageiro interrompeu dizendo: "Passa sim. Tem que descer na Hugo Simas".

Seguindo as instruções, desci no ponto. O lugar não parecia o mesmo da última vez que esteve lá. Andei pela Rua Santa Cecília e aí começou o desafio. Subi, desci, virei... Em fim, sabia que estava perto mas não encontrava o endereço. Perguntava as pessoas que supostamente moravam ou trabalhavam no Pilarzinho e ninguém conseguia me orientar. Engraçado, se trata de uma rua do seu barrio, num perímetro de dez quarterões.

Numa hora o bairro se transformou mais numa honra à música que a outra coisa. De repente, as únicas ruas eram Strauss, Beethoven, Mozart... Sério, eu não entendia nada. Até que decidi parar a um auto que vinha muito devagar na minha direção. Uma mulher de rasgos japoneses conduzia o carro. Um cheiro estranho saiu do dentro do veículo. Ignorei o cigarro que estava fumando e perguntei pela rua que procurava. Também não soube me indicar, mas estava disposta a me ajudar. Parou um motoboy, quem apareceu com um mapa (bendito mapa!) e me disse: "Tem que subir uns cinco quarterões, ali virar á esquerda e logo a direita". Simples, ?

A simpática mulher estava me aguardando. Olhei para ela e nem precisei perguntar, já me disse: "Te dou uma carona". No carro percebi que ela tinha mudado de cigarro, o cheiro já era mais comum. Aos poucos minutos chegamos ao meu destino sanas e salvas.

O episodio me demonstrou mais uma vez a desorientação na que se vive em Curitiba. É coisa séria que as pessoas não saibam se orientar num perímetro mínimo de dez quarterões. Mesmo mostrando um mapa, parecem estar no Triângulo das Bermudas. No final sempre há alguém que sabe, é só aguardar até encontrá-lo.

Café Calmante

Os caríssimos leitores deste blog perceberam que passei por uma época meio "revoltado-com-o-mundo". Passou. Como? Senta que lá vem a história.

Estava eu mais um dia vendo as propostas que nos chegavam. Cada vez mais injuriado com a situação. Ceci sentiu que eu estava meio brabo com tudo, inclusive com ela. Um aviso para os amigos: quando estou assim, uma espécie de TPM, melhor nem falar comigo. Em qualquer tentativa de comunicação posso encontrar algo que vai irritar.

Minha companheira de trabalho, fazendo uso daquela sensibilidade feminina que pouparia o mundo de muitas guerras, propus tomar um café terça-feira. Manobra arriscada de Arbolave. Nesse estado posso fazer o mais puro café ficar azedo.

Fomos no Terra Verdi, dentro do Shopping Itália. Um simpático lugar que serve café sem agrotóxicos - promete a atendente. Sem toxinas, ok. Mas sem aquele copinho de água e bolacha para acompanhar o néctar negro. Os tomadores de café sabem que assim fica bem melhor.

Enfim, o importante dessa lenga-lenga toda é que Cecilia me falou o óbvio. Eis então, mais do mesmo.

Segundo ela, estava nos meus planos essa hipótese, do livro não sair. Juntei dinheiro nos EUA, fazendo os típicos serviços que os estadunidenses descartam para trazer uma certa segurança financeira. Tudo pela possibilidade de falha. Ok, se falhar, não é terra arrasada. Sigo o barco como se nada tivesse acontecido.

Fácil assim, me senti melhor. E nossa maré começou a mudar. Fim da história e da brabeza improdutiva deste.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Em futuro breve!


Com mais tempo depois do Curitibocas terminado, agarrei o livro "Um Espinho de Marfim", de Marina Colasanti, da minha pilha de "não-lidos". Qual minha surpresa quando me deparo com a dedicatória de quem me presenteou:

Era da Ana Marina Godoy. Agora é do João C. Varella. Doação com a vontade de receber autografada uma publicação SUA. Em futuro breve! Ana
Ganhei faz dois anos. Estou na obrigação de retribuir agora. Tem gente que bota fé neste. Há bastante tempo. Rá!

Até dá um ânimo extra.

Além da pipoca

Nossa proposta desde o começo foi conseguir fazer uma radiografia de Curitiba a traves do seus principais expoentes. Geralmente isto traz uma idéia que são personalidades relacionadas à cultura e à política. Mas não é o caso de Curitibocas - Diálogos Urbanos.

Para elaborar o mosaico da cidade, tivemos uma visão mais abrangente. Claro que a coletânea inclui vários artistas plásticos e pessoas relacionadas à produção cultural (Edílson Viriato, Joba Tridente, Didonet Thomaz, entre outros). Tem também músicos (Ivo e Plá) e artistas populares (Hélio Leites e Efigênia).

Mesmo não sendo torcedores do Atlético, consideramos o futebol importante na identidade brasileira, e que não podia faltar no livro. Por isso entrevistamos ao puxador da Fanáticos, Juliano Suk. Logo abrimos mais um pouco os campos quando contatamos ao corredor de rua Paulo Cezar dos Santos Rodrigues.

Em fim, sem mencionar a todos os entrevistados, é possível perceber que a lista é bastante ampla e atinge vários aspectos da cidade. Dos 17, um é pipoqueiro, o Valdir Novaki. Mas não dá para definir-lo assim. É na verdade um grande empreendedor que está fazendo sucesso em Curitiba.

Vende pipoca? Sim, mas o importante é como. Já falei algumas vezes dele e de como aplica o marketing na venda. Nestes dias ele me lembrou do seu novo site na Internet. Enquanto entrei fiquei impressionada o que o pipoqueiro conseguiu. Acho que nenhum de seus colegas (e isso que tem muitos nas ruas da cidade) aplica este tipo de marketing.

Hoje quero lhe dedicar meu post porque é uma prova de que Curitiba oferece oportunidades a quem as procura e persiste. Valdir está na Praça Tiradentes de segunda à sexta e acaba de inaugurar seu novo site de Internet: www.pipocadovaldir.com.br Entre e confira por quê merece tanto destaque.

terça-feira, 3 de julho de 2007

A Batalha das Impressoras

Este projeto não deve nada à PUCPR. Toda vez que descrevemos o que estamos fazendo para um universitário, logo pergunta se o é Curitibocas servirá de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). A resposta: não. Salvo por algumas pessoas que sem representar a instituição apoiaram o projeto, Curitibocas não deve nada à PUCPR.

Se bem me lembro, o quesito mais fraco nas avaliações da PUCPR é no que toca à produção científica e cultural. A burocracia, lentidão, parcimônia e absoluto desestimulo da universidade para projetos extra-acadêmicos inibiu qualquer tentativa mais veemente de parceria.

Ontem me dei conta que devemos algo mais para a PUCPR. Imprimimos cópias em A4 do livro por lá.

A dificuldade de imprimir qualquer coisa é um reflexo da estrutura organizacional da universidade.

Os laboratórios de informática são coordenadas pelo Núcleo de Informática para Assuntos Acadêmicos (NIAA). Well, Curitibocas não é acadêmico, como acabo de dizer. Bem consideremos como se fosse.

Sempre desconfio de instituições cheias de siglas internas. Parece que os aspones ficam escondidos em recônditos onerosos à organização. Geram papéis, documentos, protocolos...

As salas estão espalhadas por cinco prédios dentro da universidade. Fui neles um a um para fazer minhas impressões. O equipamento dos blocos verde e vermelho estavam borrando as folhas. A do azul estragada. A do amarelo... "Ué? Cadê a impressora?", perguntava a estagiária do NIAA. Nisso já estava exausto de subir a baixar escadarias na busca de uma impressora.

Terminei imprimindo na Biblioteca, que por sorte dias antes Ceci e eu descobrimos que tem um novo laboratório de informática. Muito bom, imprimi tudo lá rapidamente. Coincidência, este laboratório não é coordenado pelo NIAA.

Amanhã, poesia na XV

A proposta acima foi divulgada no blog do poeta Antonio Thadeu Wojciechowski. Nós tentaremos estar ali amanhã e incentivamos aos leitores deste blog a que façam o mesmo.

Cachorro traz oxigênio


Hoje poderia escrever sobre nosso encontro com uma editora. Ou com a batalha das impressoras da PUCPR. Mas no final da noite, um filme venceu na hierarquia de interesse do dia e à ele dedico as seguintes linhas. Teatro Sesc da Esquina, Amostra de Cinema Argentino, último filme. Fui em dois dias anteriores para ver quatro filmes e duas palestras. Razoável até então, com filmes que pareciam dever ao tão afamado Novo Cinema Argentino. Até que vi este último filme há poucas horas. Carlos Sorin, diretor da recomendada by Ceci "Histórias Mínimas" traz "O Cachorro" ("Bombón, El Perro"). E aí puxo o freio de mão. Uma coisa que detesto em comentários cinematográficos é o fato de você guiar os olhos e a percepção dos que assistirão o filme depois. Algumas películas são sensíveis a este tipo de tratamento. Um crítico sem pudor pode esgotar e matar um bom filme com isso.

"O Cachorro" trata de um homem e seu cachorro sem virar "Lesie" ou qualquer outro filme com cachorros. Tudo é muito real e muito doloroso para o recém desempregado Juan Villegas (interpretado pelo ator homônimo) que parece ter aprendido a conviver suas derrotas. A interpretação de Villegas é de um nível... seguramente o melhor que vi no ano e um dos melhores que vi em vida.

Filme altamente recomendado. Para quem está imerso nessa seqüencia de blockbusters ruins e tomadores de salas de cinema (Piratas, Spider, Shrek, Quarteto...) eis uma bolsa de oxigênio.

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Uma coisa que me dá esperança ainda foi as salas com bom público em todos os dias que fui. Também, com ingresso à R$ 2 (R$ 1 para estudante), filmes inéditos em sessões duplas e palestras com grandes nomes do cinema argentino... bem, se isso não desse certo, juro que deletaria o livro.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Livro que influenciou Curitibocas (ou não) 6

Perfis: e como escrevê-los (Sergio Vilas Boas)

Eu pequei na leitura deste livro. Mas por justa razão, eu acho. O livro começa com uma série de dicas para à escritura. Por mais que eu já tinha lido sobre essas questões anteriormente, isso eu achei interessante e até muito útil.

Mas depois do capítulo teórico, vem vários perfis biográficos já publicados pelo autor na Gazeta Mercantil. Fiquei frustrada. Claro que sempre há um componente estilístico, no qual o leitor pode gostar ou não. Mas na minha opinião, os textos estavam desorganizados, e por mais que se tratavam de personalidades conhecidas para o povo brasileiro, deveriam explicar melhor a vida do personagem em questão. Eu, por minha condição de extrangeira e não conhecer de quem ele estava falando, ficava confusa.

Depois de ler alguns perfis, me decepcionei e pequei na leitura. Normalmente não deixo um livro pela metade, mas não gostei o que li. Talvez se tivesse lido o livro inteiro, minha opinião seria outra, mas preferi ir por outro caminho. Repito, achei muito boa a parte teórica do "Perfis: e como escrevê-los", só não os textos que seguiram.

Escrever é re-escrever, como já dizemos algumas vezes. E quanto mais lemos, melhores são nossas re-escrituras. Nas entrevistas de Curitibocas, editamos as entrevistas para que fiquem o mais claras possíveis, fazendo uma progressão tanto temporal como temática. Os temas ficam bem entrelaçados e a história de cada personagem esteja bem clara.

domingo, 1 de julho de 2007

Paixão pelo futebol curitibano

Trecho da entrevista com Juliano (Suk) Rodrigues, puxador da Fanáticos, torcida organizada do Atlético Paranaense. Versão sujeita à alterações e revisões até a publicação do livro.

Por vestir a camiseta dos Fanáticos, tem pessoas que enquadram imediatamente como um delinqüente? De vez em quando você é discriminado por isso. Por pessoas que não conhecem o que tão falando.

Você sente preconceito? Não. Pessoas que me conhecem, que são minhas amigas, sabem quem eu sou. Então, não dou muito espaço a pessoas que não tem intimidade para falar alguma coisa. Quem falam alguma coisa são pessoas que não tem conhecimento da nossa própria nossa associação, do nosso trabalho. Eu falo pela Torcida dos Fanáticos, pela índole das pessoas que estão aqui e assim por diante.

Como se formou o estereótipo negativo do torcedor de torcida organizada? Eu acho que essa imagem está muito vinculada à sociedadeatual. A gente associa a própria torcida com alguns torcedores. Porque se você vai em qualquer lugar do Brasil hoje lugar, você encontra dificuldades de relacionamento, vai encontrar pessoas de boa e má índole. Se você vai num baile, vai numa festa, você vai encontrar pessoas de boa e má índole. O que varia é a maneira que a imprensa explora. As torcidas organizadas chamam muito a atenção e ela coloca sempre fatos negativos. Quem dá essa opinião que torcida organizada é violenta, é quem não entende do assunto e quem não freqüenta o dia-a-dia de uma, para ver como o trabalho é sério, com objetivo. Também não se pode se espelhar muito nas torcidas organizadas do foco Rio-São Paulo, onde lá realmente há grande quantidade de gente com más intenções. Digamos que lá tem pessoas que não tem boas intenções dentro de torcida organizada.

Rapport neles


Os caminhos da vida profissional um dia me levaram a fazer um curso de Programação Neurolinguística (PNL). Segundo os realizadores, cura traumas, melhora qualquer perícia (seria bom que todo personagem de RPG tivesse isso), controla sensações, ajuda a memorização... enfim, um punhado de coisas, tudo através da auto-sugestão.

Como meu ceticismo nunca desliga, o valeu apenas como curiosidade. Era impressionante como alguns realmente visualizavam e sentiam com o poder da mente. Salvo pela parte de rapport.

Rapport significa a relação estabelecida entre duas ou mais pessoas. Para ter um bom rapport, a PNL ensina algumas técnicas. O objetivo é entrar na sintonia da pessoa. Para isso você deve fazer o mesmo tom de voz, gestos, postura corporal, respiração, piscada, palavras, etc. A explicação é que são gestos que ninguém se dá conta, mas são familiares para si mesmo.

Claro que deve evitar fazer uma sombra da pessoa que fica ridículo. Negócio é prestar atenção em tudo e transmitir a tua mensagem como a outra pessoa faria. Depois de um tempo em sintonia, o outro pode começar a seguir o teu comportamento.

Sabe aquelas três frases que tu troca com alguém e logo tem a sensação que não gostou da pessoa? É um rapport ruim. E vice-versa.

Parece meio mágica. Mas é real. Ferramenta muito útil. Quando vê, o entrevistado criou uma empatia tremenda contigo e começa a soltar a língua.