domingo, 15 de julho de 2007

A Igreja em questão

Trecho da entrevista com a freira Irmã Custódia. Versão sujeita a alterações e revisões até a publicação do livro.

Até hoje a opinião da Igreja é levada muito em conta. Você acha que deve manter uma posição política?

A política é a arte em benefício do povo. Ela tem que defender a pessoa, a vida e os valores que Jesus defendia. A Igreja tem que sempre defender a vida. Como a respeito da discriminação da mulher. Nesse ponto, ela não é seguidora de Jesus. A mulher não é permitido participar das decisões da Igreja. Jesus não ordenou as mulheres porque as mulheres naquela época não eram emancipadas. Não eram cidadãs. A posição política tem que estar sempre cuidando do povo, pastoreando o povo. Sempre orientando os fiéis, respondendo os anseios das pessoas.

Gostaria de ser padre?

Uma maioria pensa que se houvesse a ordenação de mulheres eu seria bispa direto. Fala o que pensa. Estou sempre com o microfone. Eu acho que estou trabalhando muito e vou continuar para que as mulheres tenham possibilidade de fazer parte da hierarquia da Igreja. Isso é disciplinar, não teológico. O que é disciplinar nós podemos mudar. O que é teológico, de Jesus, não. Igual o celibato. São Pedro era casado. O celibato dos padres é uma questão disciplinar, que nós podemos mudar.

Você acha que deveria mudar?

Celibato voluntário. Sempre vamos ter pessoas idealistas que vão lá 48 horas por dia. Eu acho que deveria ser livre. Não sine qua non. As outras igrejas tem e os fieis vão para a igreja do mesmo jeito.

2 comentários:

Dasiy Carvalho disse...

Fico feliz em saber que pessoas de dentro do Clero estejam se mobilizando para discutir uma questão de tanta importância. É óbvio, me parece, que celibato teria que ser opcional. Talvez haja até necessidade de uma espécie de revolução para mudar este estado de coisas na Igreja, porém, penso que teria que ser urgente. Recentemente jornalistas italianos (Roma) fizeram uma reportagem completa e descobriram até documentos comprometedores com relação a abusos sexuais envolvendo padres e crianças...=[
Belo artigo, João, belo artigo!
bj!
Blog também é investigativo :)

João Varella disse...

Mais recente ainda: a indenização recorde que a igreja pagará pelo "conjunto da obra". Mais de 500 casos de abusos sexuais resultaram em pagamento de indenização recorde.

Faltaram alguns mandatos de prisão, mas tudo bem =P