terça-feira, 5 de junho de 2007

Cuidado: elogios e depreciações livres




Mais ou menos hora teremos que escrever uma nota de esclarecimento com relação ao conteúdo do livro. Nele os entrevistados (através de nós) dão nome aos bois. Elogiam, depreciam ou citam nomes famosos.


Nisso residem dois perigos na interpretação do leitor. Primeiro de que estamos fazendo acusações levianas ou achincalhando os citados sem dar direito de resposta. Segundo, e mais grave, de que estamos fazendo propaganda travestida de literatura.


Todos nós citamos muitas marcas e nomes nas nossas conversas cotidianas. Isto é o Curitibocas. A naturalidade da fala é levada ao papel com os devidos ajustes técnicos, sem qualquer tipo de alteração no conteúdo.


Nos acostumamos a acompanhar um melindre da mídia (sem excluir os livros) na hora de nomear. "Uma empresa que não vou citar o nome aqui, tal tal tal tal".Para o bem ou para o mal, isto é criminoso. Se o tal tal significa algo ruim, que seja dada luz ao caso - até para previnir que o caso se repita ou denunciar. Se é bom, os louros devem ser dados. Uma empresa que, por exemplo, consegue substituir a palavra "fotocópias" por "Xerox" deve receber a merecida citação caso determinado pessoa tenha se acostumado a falar assim. Um editor que altera essa palavra está censurando e mudando uma caracterísitica de quem a empregou.


Cito um caso específico do livro. A PUCPR é defenestrada pelo professor Key Imaguirre. Sua análise será publicada com todas as letras. Nada de usar "uma certa universidade". Em certos momentos, ele elogia a UFPR. Igualmente figurará no livro a citação, sem nenhum tipo de troca espúria ou clientelismo baixo.


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Conheço bem o comportamento brasileiro. Detesta qualquer conflito, prefere falar mal à boca pequena do que ter uma posição frontal e direta. A cordialidade portuguesa que corre no nosso sangue fez que questionadores sejam categorizaos como impertinentes. Preferem aceitar teorias conspiratórias ("os jornais são todos comprados") que levam à ações tolas ("por isso não compro jornais"). Qualquer sofisma se instala no nosso vazio crítico.


Por mim não gastaria nem um parágrafo do livro com este tipo de nota de esclarecimento. Infelizmente se faz necessário, sob o risco de sermos malditos à brasileira.

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