segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Como divulgar seu trabalho na imprensa - parte II

Retomo de onde parei.

Passo 3: Disparo
É a parte de enviar o mail com o release para a imprensa. Depois de escrever o release e catar todos os endereços, parece o mais barbada. Só que alguns cuidados devem ser tomados aqui.

  • Use um tamanho de fonte para o título e outra para o texto. Fim de papo. Nada de fazer uma miscelânea de fontes e efeitos para destacar certas partes do release. Já recebi cada coisa...
  • Mande o texto no corpo do e-mail e, se quiser, também anexo em um arquivo .doc ou .rts. Se quiser.
  • Fotos em anexo mesmo. De preferência em baixa resolução, para não pesar na caixa de entrada do jornalista. Disponha-se a enviar mais fotos e em alta, se necessário.
  • Coloque o seu mailing com cópia oculta. Evite lembrar ao jornalista que essa informação está sendo distribuída para todos. Gostamos de exclusividade. Ou, pelo menos, não gostamos de ser lembrados da falta dela.
Passo 4: Follow
Agora chega uma parte delicada. Faz parte da liturgia das assessorias de imprensa chamar os jornalistas um tempo depois do envio do release. A desculpa é para averiguar se realmente chegou o e-mail. Bah, a real ambas as partes sabem: é para reforçar o assunto na cabeça do jornalista e dar aquela insistida. "Viu como é legal o tal tal tal?". Todos nesse ramo já usam e-mail a tempo suficiente para saber que quando uma mensagem não chega vem um aviso de System Delivery Failure e seus variantes.
Acho que uma maneira honesta de fazer o follow é ligar e dizer:
- O fulano, eu acabei de te enviar um mail com o assunto tal, recebeu? Certo, só quero me colocar a tua disposição caso tenha alguma dúvida.
Nessa hora também tem muito do feeling. Se sentir que o cara está apurado, diga tchau o mais breve possível. Se o jornalista dá abertura para falar mais, mete ficha. Adriane Perin, repórter de cultura do Jornal do Estado, aproveitou meu follow para fazer uma entrevista e fechar esta matéria aqui.

Passo 5: Disponibilidade
Se fosse enumerar as práticas que eu mais detesto nas assessorias de imprensa profissionais, a número um com toda a certeza seria a mediação. Explico com um exemplo.
Recebi um release de uma grande franchise de cursinho pré-vestibular e seus resultados do vestibular da UFPR. Comprei a idéia. Queria produzir uma matéria com uma menina que tinha passado no vestibular depois de sacrifícios. Ligo para a assessoria e peço o telefone da tal menina. Não me passaram. Por mais que eu insistisse, eles queriam ligar, marcar o horário para a repórter se encontrar com a personagem e depois me ligar avisando. Aí de repente eu tinha que mudar tudo e lá vai o assessor outra vez ligar para a personagem. Um meio-de-campo bastante inútil e que só deixou o meu trabalho mais lento.
Não vejo outra explicação para essa prática se não aquela do "mostrar serviço".
Por um lado, até entendo as assessorias. Um serviço desses não é tão fácil explicar como o de um motoboy (que faz entrega ligeiro) ou de um técnico em informática (que conserta micros). Mas daí a empatar o jogo...
Enfim, meu conselho aqui se resume em dar todos os telefones que o jornalista achar necessário. Isso foi bastante útil no Curitibocas, que envolveu no mínimo 20 colaboradores se contarmos os entrevistados.

Passo 6: Sem vergonha
Última observação: no Curitibocas, não sofremos nenhum tipo de preconceito por sermos estudantes fazendo todo esse trabalho. Sim, a maioria dos que enviam mensagens para a imprensa são as assessorias ditas profissionais - não raro com trabalhos bastante amadores.
Às vezes parece que as redações são espaços herméticos, acessíveis para poucos. Não é bem assim. Pelo menos, não deveria ser. Mas isso é papo para outro momento.

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Bom, acho que eram esses os conselhos básicos para começar um trabalho de assessoria do próprio trabalho. Tenho certeza que se um assessor ler, vai achar que estou desprestigiando o trabalho, que não é bem assim, que tem mais um monte de coisa, verificar os resultados e blá blá blá. Não dê bola para eles e vá em frente com o seu trabalho. Se ele merecer, vai ganhar um destaque legal. E isso é mais importante do que todos esses passos.

Um comentário:

Dirceu Veiga disse...

João, bacana demais vocês dividirem a experiência de vocês com a divulgação do Curitibocas. Com certeza é um material muito útil! Abração.