segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Nome de memória

Um mês depois da Noite Curitiboca volto ao blog. A maior lição que tirei dos autógrafos dados há 30 dias é a importância da memória.

Quem me conhece sabe o quanto me custa guardar na minha cabeça um rosto ou um nome. Os dois então, nem se fala. Acho que as maratonas de Star Trek, madrugadas de RPG e certos episódios de Seinfeld danificaram permanentemente meu cerébro. Se eu fosse um computador, acho que resolveria as coisas com uma desfragmentação de disco ou deletando alguns dos lixos que tenho guardado.

Nas noites de autógrafos fui forçado a relembrar de gente que nunca havia visto antes, exceto por uma foto ou outra no MSN. Aí faz diferença no estilo do autógrafo. A Cecilia é mais chegada do estilo "carta", onde elabora um texto particular para cada um. Meu plano original também era fazer assim. Tinha até lido alguns textos à la "ode genérica ao ser humano". Só que na hora H eu esquecia até do nome de quem eu estava dando a assinatura. Essa história de tentar fazer uma primeira página artesanal teve de ser substituída pela manufatura.

Percebi que estava em sérios problemas quando estava em meio a uma extensa dedicatória e o futuro leitor me pergunta:
- Não vai colocar o meu nome?
- Claro, no final.
E eu gastei mais do meu parco latim. Esperança de dar tempo de vir algum conhecido em comum para me ajudar. Ou uma desculpa esfarrapada para deixar tudo pela metade, sei lá.
- Mas você não vai perguntar o meu nome?
Levei alguns instantes para deduzir que eu não conhecia o sujeito. O evento era aberto e saímos em diversos meios. Era óbvio que gente nunca antes vista apareceria. Estava em uma enrascada.

Não sei se quem é esquecido ou quem esquece fica mais constrangido. Para evitar esse tipo de situação, na dúvida, chego logo dizendo meu nome, de onde conheci e um assunto genérico.

Raros compartilham do meu senso de cordialidade pragmática. Para dar uma ajuda na memória e sair do campo do teste de conhecimentos interpessoais, pergunto "e como vai o pessoal", para ver se ele me dá uma pista. Porém, em uma noite de autógrafo não há tempo para isso. Você não tem tempo de carregar um arquivo no HD. Tem que ter tudo pronto na memória ram - tem mais gente atrás querendo receber autógrafo e falar.

Nem aquela de aproveitar o ato da escrita colou.
- Tem acento no "i"?
- Meu nome é Ana.
- Claro que sim. Só queria saber se era com "h".

Tive a impressão de ter perdido algumas amizades nos eventos. Mas tudo bem. O que conta é que aqui estamos com o que for novidade do Curitibocas. Até que as novidades se esgotem.

2 comentários:

alessandro martins disse...

Pergunte o nome completo.

:)

Patrícia disse...

hahahahaha meu Desligado Amado...Saudades,bjs