segunda-feira, 21 de maio de 2007

Sabatina de Marcel Proust

Circula por aí um questionário de autoria atribuída ao escritor francês Marcel Proust. As versões variam a forma e a quantidade das perguntas. O suplemento Sal do jornal Clarín aplica uma versão reduzida desta tal sabatina.

No Curitibocas, aplicamos uma versão de 30 perguntas aos entrevistados. Sem réplica, como segue abaixo:

Qual é o cúmulo da miséria?


Onde você gostaria de morar?


Qual é o seu ideal de felicidade na Terra?

Para quais erros você tem maior tolerância?

Quais obras literárias você prefere?

Qual é seu personagem histórico favorito?

Seu pintor favorito?

Seu musico favorito?

A qualidade que prefere no homem?

A qualidade que prefere na mulher?

A virtude que prefere?

Sua ocupação favorita? (hobby)

Quem você gostaria ter sido?

O que você mais aprecia dos amigos?

Seu pior defeito?

Seu sonho de felicidade?

Qual seria sua pior desgraça?

O que você gostaria de ser?

Sua cor favorita?

A flor que mais gosta?

Qual pássaro preferido?

Seus autores favoritos em prosa?

Seus poetas favoritos?

Seus heróis na vida real?

Seus nomes favoritos?

O que você detesta?

O feito militar que mais admira?

Qual dom da natureza você gostaria de ter?

Como gostaria de morrer?

Seu lema?

Destas (não tão) simples perguntas surgiram respostas curiosíssimas. Em breve falaremos mais sobre o assunto.

Mosaico Curitibocas

Sem que fosse nossa intenção, os próprios personagens de Curitibocas - Diálogos Urbanos foram se entrelaçando. Essa é a riqueza do livro, e a razão pela qual são verdadeiros representantes da cidade.

Um exemplo é o Key Imaguirre, a quem entrevistamos justamente porque foi mencionado por outros personagens como um referente da cidade. E para completar este quebra-cabeça, na entrevista com o arquiteto, ele contou uma anedota com o próprio Hélio Leites, que também faz parte do livro.

Casos como este tivemos muitos. As conexões foram aparecendo naturalmente. Isto nos dá um incentivo para acreditar que a coletânea de entrevistas vai realmente construir um mosaico da Curitiba e da sua identidade.

A continuação, um trecho da entrevista com Key.

Outro [projeto] foi o assobiódromo do Hélio Leites. Eu que fiz a maquete para ele.

O que era o assobiódromo?

Um lugar para você assobiar.


Você não pode assobiar na rua?
Pode, mas ele queria um lugar específico para isso.


E onde seria esse assobiódromo?

É, a gente conversou sobre isso. Não tem terreno. Então eu fiz uma coisa que você possa colocar em qualquer lugar. O desenho era em cima do tamanho de uma quadra urbana, que seria 100 por 100 metros. Fiz lá o tal assobiódromo dele. Deixa eu fazer um desenho para você ver [desenha]. A forma dele é mais ou menos assim, meio de embrião. Aqui é bem alto e na medida que você vem para cá ele vai baixando. Andava, aí eu coloquei um laguinho no meio. Então você pode vir na margem do lago ou ali em cima e ficar assobiando por ali.

Você assobia muito?

Eu não. Mas ele é. Ele tem o Fiu-Fiu Esporte Clube, que é o Clube de Assobiadores. Ás vezes você encontra ele na rua XV com quatro, cinco malucos assoviando.

***
Foto: Monize Carrara de Lima

domingo, 20 de maio de 2007

Tangos & Tragédias contra Vampiro contra Curitiba


Este fim de semana vi uma peça expoente da minha terra natal. Tangos & Tragédias encerrou hoje uma série de três apresentações no Teatro Guaíra - maior teatro daqui de Curitiba. Apesar de Hique Gomes e Nico Nicolaiewsky se apresentarem como oriundos da Sbórnia, o espetáculo é permeado por elementos da cultura gaúcha. Em certo momento do espetáculo, ensinam como se diz "Bah", interjeição símbolo do Rio Grande do Sul.

A alegria e humor de Tangos & Tragédias tem pouca relação com o humor apreciado pelos baianos (gaúchos consideram que a Bahia é o que resta do Brasil acima de São Paulo). Absurdo e engraçado sem apelar para caricaturas fáceis.

Tangos & Tragédias é um dos muitos exemplos de produtos culturais oriundos do sul. Gomes e Nicolaiewsky trazem juntos os produtos da Sbórnia Records com mais arte do sul. Em contrapartida, Curitiba dá impressão de carecer deste tipo de iniciativa.

Hoje fui no mais curitibano dos teatros, o Lala Schneider, ver uma O Vampiro Contra Curitiba. Texto do tal Dalton Trevisan com direção de João Luiz Fiani e protagonizado por Marino Jr.. Se tivesse que fazer uma seleção teatral desta terra, estes seriam os escolhidos.

A obra é pesada, pessimista e visceral, como tudo que tem o dedo do vampirão Trevisan.
Este é um ponto de vista de Curitiba. Acho que faltam outras opiniões vir a público. Curitiba é a polaquinha, Nelsinho e mais. Onde estão os outros curitibocas? Só exportam morcegos nesta terra?

Se fizer as mesmas perguntas...

No meu último texto, comentei que estava lendo o livro "Perfis, e como escrevê-los", de Sergio Villas Boas. Hoje acordei cedo e peguei meu livro - na verdade, é emprestado, mas tudo bem.
Me senti identificada com o perfil do escritor João Ubaldo Ribeiro. Acho interessante transcribir o trecho que me surpreendeu tanto.

- Quinhentos anos? Você veio aqui para falar dos quinhentos anos? Essa não!
- Bem, poderia ser um dos assuntos, afinal a Carta de Pero Vaz de Caminha ainda é a certidão de nascimento do Brasil...

- Primeiramente, não temos quinhentos anos.

- Menos ou mais?

- Olhe, meu amigo, preciso trabalhar; estou cada vez mais sem saco para entrevistas.
- Por que deixou a gente [eu e o fotógrafo carioca Antônio Batalha] chegar até aqui, então?

- Você insistiu muito...

- O que mais te incomoda em entrevistas?

- Os caras me fazerem as mesmas perguntas de sempre, e o modo como me folclorizam.

- Pode nos mandar embora daqui, se quiser.

- Mas sou um sujeito que não sabe dizer não. Vamos, vamos começar. Diga o que pretende.

Um dos nossos entrevistados, o artista Edílson Viriato, teve uma atitude similar à do João Ubaldo Ribeiro. Ele estava com o saco cheio de responder as mesmas perguntas e não teve muita resistência em conversar conosco. Mas a diferença com o Sergio Villas Boas foi que nós insistimos em que nossas perguntas fugiam do normal e nem pensamos na hipótese de ir embora.

O trecho a continuação mostra o momento mais crítico do encontro com Viriato.

"Então, que tipo de perguntas você vai fazer? Se não entrar nisso, está bom. “O que é sua carreira?”, “Porque você faz isso?”, “Porque faz?”, “Como começou?”, “Como que é?”, esse tipo de coisa é foda. (...) Podemos começar. Mas se fizer essas perguntas, eu vou ser sincero, não é ser grosso, ser antipático, mas é cansativo. Os jornalistas chegam e fazem as mesmas perguntinhas. “Fale um pouco da sua obra”. Que obra? Se às vezes eu nem tenho obra".

sábado, 19 de maio de 2007

"Disseram que" é a solução para o confronto

Entrevistador não faz competição de inteligência com o entrevistado. Bem, alguns adoram demonstrar sua erudição, mas considera-se um erro já que a entrevista deve sempre privilegiar quem responde as perguntas.

Existem aquelas perguntas que são polêmicas e não devem ser evitadas, sob pena de dar a impressão ao leitor de falta de coragem do repórter. Quem entrevistar Sam Raimi deve mencionar o que grande parte dos fãs do cabeça de teia ficaram decepcionados com Spider-Man 3, por exemplo.

Um excelente conselho do crítico de cinema Sebastian Tabany. Para contornar esse tipo de questão, faça menção da opinião dos outros. No caso do Homem-Aranha 3, o entrevistador evita constrangimento se formular a perguna "alguns críticos desqualificaram o filme, o que você acha disso?". Assim evita-se o enfrentamento direto com o entrevistado.

No Curitibocas, essa máxima foi solenemente ignorada quando entrevistamos Edílson Viriato. Ele queria ser desafiado, pedia uma entrevista diferente.

O contrário aconteceu com a Irmã Custódia. A técnica foi explorada ao pé da letra. Para perguntar sobre a pomposidade dos papado, menti ter lido em um artigo do "New York Times" que dizia que caso Jesus voltasse, jamais usaria as roupas de Bento 16. Nem sentaria no trono como um rei enquanto a cultura brasileira servia de bobo da corte.

Moral da história: Ceci e eu ouvimos esta maravilhosa dica em um curso de crítica cinematográfica. Tudo agrega. Um sujeito que tem o sonho de ser um grande repórter de economia vai encontrar boas idéias em material que envolve outras editorias.

Formação em primeiro lugar

A arrogância certamente não nos caracteriza. Somos conscientes que não temos experiência na escritura de livros e não pretendemos que nossa visão do assunto seja a única válida - razão pela qual aceitamos críticas e sugestões.

Para conseguir fazer um trabalho cada vez melhor, acreditamos na formação inteletual. Atualmente, ambos estamos lendo livros relacionados ao nosso assunto. João está com "Lennon Remembers", um livro de Jann S. Wenne. No meu caso, estou com "Perfis, e como escrevê-los", de Sergio Villas Boas, que mesmo não sendo especificamente sobre entrevistas, dá muitas dicas para o trabalho jornalístico.

Ninguém tem A fórmula para fazer um livro. É só a experiência que dá diversas alternativas para escolher a mais conveniênte. Mas com certeza Curitibocas - Diálogos Urbanos vai ser um produto da contínua formação e auto-crítica.

Guia de entrevistas IX - Programa do Jô


"Too much hype", diriam as revistas de games importadas.

Jô Soares é inteligente e tem o timming para o humor.

Mas como diz o título, o programa é dele.

O programa é ele.

Muito show, pouca informação e insistência de arrancar humor em todas as entrevistas.

Recomendado para quem gosta do Jô. Quem gosta de boas entrevistas deveria buscar em outras fontes apontadas neste Guia.

Programa do Jô - Segunda à sexta depois do Jornal da Globo (geralmente 0h30).

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Divergências na edição

Das 17 entrevistas, algumas são mais complicadas que outras em termos da edição. Tanto por sua extensão, como por sua variedade temática, tem várias que parecem impossíveis. Tal é o caso da famosa Efigênia Ramos Rolim.

É a terceira vez que editamos esta entrevista e ainda não terminamos. Ontem a noite discutimos sobre se colocar ou não um trecho final do encontro. Eu argumentava que era importante incluir as dois últimas poesias que a Efigênia falou. Por outra parte, João defendeu que isso que ela disse, já estava em outras partes da entrevista, e não dava para redundar.

A decisão ficou em suspenso. Temos que ler e reler, escrever e reescrever para ver como estruturamos essa entrevista. Estas divergências são as que fazem tão rico o processo de escritura. E na dificuldade sempre encontramos alguma saída.

Repórter da BBC perde o controle em entrevista



O repórter trabalhava em uma filmagem sobre a Igreja da Cientologia. A discussão é com um representante da religião.

Com alguns entrevistados, dá vontade de dizer umas e outras. Mas esse caso foi extremo.

Beatles, terrorismo cultural e Curitibocas


Beatles é uma das bandas que você respeita, gosta ou desconhece. Os motivos para estarem no topo de todas as listas de melhores álbuns e bandas são vários. Um deles é o jogo dos Beatles entre o comercial e o artístico.

O disco "Revolver" tem canções pop de ótima qualidade. "Taxman" e "Good Day Sunshine" tem refrões fáceis e chicletões. Muita gente pode ter comprado o LP por essas duas.

O incauto que fez isso teve que passar por coisas como "Eleanor Rigby". Com certeza não será uma passagem confortável. " Ah, look at all the lonely people" e um octeto de cordas que tocam fundo na alma de qualquer ser que se apresente como humano. E o pior: é chiclete.

Curitibocas vai na mesma linha. Terá entrevistas "pop". Quem sabe alguém compre para ler sobre o Oilman, Plá e outras figuras caricatas de Curitiba. Nas próprias entrevistas terá de passar por um conteúdo denso. E por outras entrevistas de gente que tocam ou esmurram fundo na alma.

É terrorismo. Disfarçados, introjetamos substâncias danosas na idéia de mundo do receptor.
*****

Nota de esclarecimento: não quero me comparar com os Beatles. Esta é a banda que toda vez que escuto me faz lembrar por que não tenho uma banda. Ao mesmo tempo que me regozijo por entender que se trata de uma grande obra, fico aborrecido por não ter o talento deles.

Guia de entrevistas VIII - Playboy


Tem gente que abre a Playboy só para ver as figurinhas.

Sugiro que dê um pouco de atenção na seção de entrevista.

É o tipo de entrevista que norteia este projeto.

Looooooooooooonngas. Detalhadas. Fluídas.

Temas variados.

Acredite, eu já comprei a Playboy só pela entrevista.

Lembro quando comprei a da Juliana Paes - na época nem sabia quem era. Claro que aproveitei para ver as figurinhas. Achei (e acho) ela bem comum, no caso.

Para as mulheres entenderem: parte do fetiche da Playboy é saber quem está pelada.

A propósito, a entrevista era do Falcão do Rappa.


Playboy - revista mensal por R$9,90.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Compro felicidad efímera por tres reales

O texto de hoje está em espanhol. Era para ser colocado no meu blog, mas resolvi fazer um post aqui também. A diferença entre português e espanhol não é tão grande, dá para compreender. O esforço vale a pena.

Hoy gané la lotería. Nunca pensé que iba a caer en ese juego pero caí. La felicidad duró media hora. Paso a explicar.

Hace más de un mes entrevistamos a la legendaria vendedora de billetes de lotería, Borboleta 13. Es una de los 17 entrevistados del libro Curitibocas - Diálogos Urbanos. El encuentro fue muy interesante, llegamos a conocer realmente quién es esta persona que con los años ganó su lugar en el imaginario popular de Curitiba.

Ya hace un tiempo pensé que antes de volverme para Argentina, le quería comprar un billete. Hasta ayer no había cumplido esa determinación.

Borboleta está ubicada en un lugar estratégico, una esquina muy transitada del centro. Ayer estaba pasando por ahí cuando de repente escucho: "Olha a cobra, aqui tem". Esa frase es su sello distintivo. Me acerqué y nos quedamos charlando un rato. Resolví comprar un billete. Tarde o temprano lo iba a hacer. Saqué 5 reales y compré un billete de "cobra". El sobrenombre de esta vendedora se debe justamente a vender "cobra" y "borboleta" (sería mariposa en castellano).

En fin, guardé el billete y seguí con mi día. Hoy me acordé que tenía que chequear los números premiados. Me metí en Internet, puse mi número y salió un lindo mensaje que fui premiada con 20 reales. Para alguien que no tenía expectativas de ganar, es una linda sorpresa. Fui muy feliz, confieso.

El paso siguiente fue salir en busca de mi dinero. Sin dejar de sonreir, entré en una sucursal de la Caixa Económica. Mi ansiedad tuvo que esperar ya que entré en el lugar equivocado. Dos empleados (uno fue incapaz de resolver esta simple situación) me dieron nuevas instrucciones. Crucé la calle y fui a una lotérica. Ahí esperé en la fila. El tiempo pasaba y yo ideaba qué iba a hacer con esa plata (nótese como 20 reales pueden cambiar mi día).

No pasaron diez minutos cuando me tocó a mí. Llegué a la ventanilla 5. La mujer puso el billete en una maquinita y con una sonrisa me dijo: "Ganaste dos reales". Argumenté que me había fijado en Internet y que decía que eran 20, ella debía estar equivocada. Chequeó de nuevo. "No, son dos reales". Ahí me explicó que seguramente ese era el premio si había comprado más de un billete. Después me ofreció comprar otro, esta vez uno de "elefante". Dudé, pero resistí. Sabía que era caer en un círculo vicioso.

Mi frustración fue de la mano de una risa fácil. Si alguien me vio caminar desde la lotérica hasta mi casa debe haber pensado que estaba loca. Iba riéndome de mi misma (todavía me sigo riendo). De los cinco reales que gasté, gané dos. Prefiero pensar que invertí tres reales para tener una dosis de felicidad efímera que con certeza cambió el rumbo de mi día. Esta situación fue insólita. Algún día tenía que jugar a la lotería, por lo menos una vez. Ahora conozco la experiencia y sólo la recomiendo para quien esté dispuesto a perder.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Guia de entrevistas VII - Marília Gabriela Entrevista

Muita fama, pouco trabalho efetivo.

Marília Gabriela ganhou o status de entrevistadora destemida e temida.

Seu programa é um palco para os projetos da Globo. BBBs, atores, apresentadores, etc.

O tom "duro" serve para destrinchar fofocas.

Força o clima confessional com um tom de cumplicidade com os entrevistados. Quando pega na mão, é para dar o sinal de "sou sua amiga".

Marília Gabriela Entrevista - domingo às 23h no GNT.


Apaixonado por Darcy


Não estava nos planos, mas cada vez que escrevo a introdução de um capítulo, gosto mais de nosso protagonista, Darcy.

O planejamento do livro foi as entrevistas, seguida das penosas degravações para finalmente começar a edição e a história fictícia que simplesmente dará um fio condutor à coisa.

Darcy foi planejado para aparecer o mínimo possível e ser a personificação do leitor na obra. Mas o fato dela(e) ser assexuado, atrai a atenção pelo esforço de neutralidade. Um pequeno paradoxo.

Mas acontece que Darcy interage com a cidade. Tem suas reações e atitudes perante as dificuldades que se envolve em Curitiba.

As páginas de Darcy são muito mais dolorosas para serem escritas do que as entrevistas. Estas tem uma lógica, um sentido e uma maneira mais precisa de certo e errado. A parte "Darcy" é mais livre, o que em princípio assustou este (quase) jornalista pela infinidade de possibilidades.

Levo metade de um dia para escrever uma introdução aos entrevistados que dá, mais ou menos duas páginas. Se este fosse o ritmo das entrevistas, o livro não sairia este ano.

Se soubesse desse afeto que desenvolvi pelo personagem, teria feito o inverso. Primeiro a história e encaixar as entrevistas de acordo com a história fictícia proposta. Fica para o próximo livro.

Para encerrar: esta idéia vai ao encontro do que eu sempre escutei de um publicitário amigo meu. Não existe essa de "poupar criatividade". Depois de esvaziar a cabeça, ela se encherá naturalmente.

O sonho chegou ao seu fim

Hoje eu fez o ultimo intento para conseguir a entrevista com o vampiro Dalton Trevisan. Fui até a lotérica onde trabalha um bom amigo dele. Me apresentei a Esteban*, contei do projeto mas a resposta foi a previsível: "Ele não dá entrevistas, nem a seus amigos".

O amigo do vampiro argumentou que se eu fosse aos Estados Unidos e quisesse entrevistar a J.D. Salinger (famoso por sua grande obra "O Apanhador no Campo de Centeio") a resposta seria a mesma. Não deu para contradizer.

Para minha surpresa, o Dalton comentou com Esteban sobre os bilhetes que deixei na sua casa há umas semanas atrás. Experimentei uma linda sensação ao saber que pelo menos ele falou sobre esse intento desesperado.

Mesmo com a negativa, fiquei um bom tempo na lotérica. Deu para bater um papo com Esteban da cultura curitibana, de possíveis entrevistados e de J.D. Salinger (descobri que são quatro os livros que ele publicou, me faltam dois) .

Curitibocas se mantém com seus 17 nomes. O sonho de entrevistar ao vampiro acabou.


* Além de ser funcionário de lotérica, Esteban tem uma vida paralela. Quando não vende bilhetes, faz filmes. Entre outros, é o responsável pelo documentário "Rainha do Papel", sobre a já mencionada Efigênia.

Guia de entrevistas VI - Ensaio


Entrevistador é como juiz de futebol. Quanto menos aparece, melhor é.

A analogia é levada a pé da letra no programa Ensaio. A pergunta é elipsada.

Todos elementos convergem para um tom confesional.

O olhar para baixo, fundo negro, câmera próxima.

O formato é explorado apenas para o gênero musical - o convidado também toca.

Será que dá certo com outros gêneros?


Ensaio - quinta-feira às 23h (novo horário) na Tv Cultura

terça-feira, 15 de maio de 2007

Começando o 5to capítulo

Quando começamos este projeto, me auto-enganei ao pensar que editar as entrevistas ia ser fácil e rápido. Nem é a primeira vez que me enfrento a uma tarefa como esta, mas agora eu tenho certeza que é bastante complicado do que tinha previsto.

Mesmo sendo difícil, o processo é interessante. Muitos nos perguntam como é que a gente faz para escrever um livro. Primeira e mais importante aclaração: não estamos escrevendo no mesmo computador, olhando a tela e pensando juntos. É uma idéia que nunca se cruzou pelas nossas cabeças. Cada um tem sua independência na escrita.

Segundo ponto: graças a outro trabalho que fizemos juntos (com o qual ganhamos o primeiro prêmio) cada um tem seu computador. Então dá para fazer várias coisas ao mesmo tempo e individualmente. Só se alguém está interessado, a dinâmica nestes momentos é a seguinte: eu pego uma entrevista, faço a primeira edição e passo para o João. Ele dá uma segunda revisada, muda várias coisas, e mexe com a história fictícia.

Por enquanto, o método funciona. Vamos já pelo 5to capítulo e está ficando muito interessante. Para finalizar, coloco um trecho em bruto da entrevista com Efigênia Ramos Rolin. Ainda não tinha passado pelo processo de edição. O personagem vai formar parte do 6to capítulo.

O que inspira a sua arte?
Eu acho que é um dom que veio de Deus. Eu acho que a arte, a poesia ta enclausurada no universo. Nem todo o mundo tem a graça, a essência... cada um tem seu pudor, cada um tem sua arte. A arte ta na clausura. Que adianta eu fazer isso aqui e não botar na rua. Se eu fechar, ela não exister. Arte é uma busca no universo. Toda hora tem, todo minuto tem algo para gente fazer. Tudo tem a hora certa. Assim como a criança tem uma hora certa para nascer. E eu não posso deixar passar. É um dom, sabedoria, força de vontade e luta. É uma guerra. Isso aqui é o sonho do meu sonho.

Amigo não existe

Trecho da entrevista exclusiva de Borboleta 13. Versão sujeita à alterações e revisões até a publicação do livro.


Tem amigos aqui na rua?
Tenho. Converso com um, converso com outro. Mas enquanto eu estou trabalhando evito conversar. O serviço tem que render. Eu tenho que procurar ganhar meus troquinhos e levar minha vida em dia. Meus médicos, eu tenho que fazer muitos exames. Às vezes eu perco dois ou três dias. Se eu quisesse estar trabalhando em empresa eu estava. Só que aqui eu tenho liberdade de vir o dia que eu quero.

Como é sua vida social fora da XV?
É difícil. Eu tive amigas que entraram na minha vida particular e não foi bom. Sempre fui isolada. O que existe são relações sinceras, amigo não existe. Foi um amigo que matou meu marido. Mataram de sacanagem, pensavam que ele era rico. A gente tinha dois terrenos na área da casa. Alugamos para ele, ele não queria pagar e foi lá em casa e matou o pai dos meus filhos. Isso foi em 88, três anos depois de comprar nossa casa. Era um cara que tomava café na minha xícara e comia no meu prato. Eu fiquei com filhos pequenos, de oito, nove e dez anos. Acabei de criar eles até dois anos atrás. Agora eu formei o caçula que tem 28.

Onde está esse “amigo”?
Está morto. Está onde merece.

Bendita seja a Web 2.0



Aproveitando o gancho do último post da Ceci, este vídeo dá um panorama compacto e interessante da revolução dos computadores. Desde o editor de texto até a Web 2.0.

Extraído da Caja de Cambios, blog de Martín Grosz.

Guia de entrevistas V - Provocações


A faculdade de comunicação ensina como se fazem programas de televisão. Provocações faz o contrário.

Iluminação, enquadramento, postura, figurino, cenário. Tudo parece apelar para o contrário do que foi padronizado.

Sem contar a atitude do entrevistador, Antônio Abujamra, com sarcasmo demolidor e sutil.

O lado artístico de abujamra é explorado com a leitura de um texto dramático.

A escolha dos entrevistados foge completamente do padrão Jô.


Provocações - quarta-feira às 23h na Tv Cultura.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Bendito seja o computador

Desde que descobri meu interesse pela escritura (há muitos anos já), sempre tentei imaginar como seria escrever nos tempos sem computador. Que pensamento cliché, eu sei. Mas na verdade é porque hoje parei a pensar o fácil que é tudo. Não consigo imaginar o trabalho que seria fazer Curitibocas numa máquina de escrever.

Mesmo sendo da geração dos computadores, da Internet e de tudo isso, gosto da aura daqueles objetos. Dá uma sensação de pureza na escritura. O pensamento se imprime no papel com muita força - até você escuta o som de cada tecla enquanto escreve. Sei lá. O texto é diferente.

Numa época eu até escrevia na máquina de escrever do meu pai. Era verde. Acho que ainda está em casa. Mesmo com o computador ao meu lado, preferia essa experiência. Fiquei frustrada várias vezes ao não conseguir produzir um texto sem erros. Não tem "delete" numa máquina de escrever.

Hoje a coisa é mais rápida. O teclado dá fluidez na escrita. Na tela do computador você vê o texto e modifica as vezes que seja necessário. Esta reflexão parece superficial, mas foi motivada pelo fato de estar o dia inteiro focada no livro - e por conseqüência, frente ao computador por várias horas.

Estivemos no mesmo ambiente mas nos falamos muito pouco. Tanto João quanto eu precisamos de concentração no texto. Esse silêncio me fez pensar o que aconteceria se trocássemos dois computadores por máquinas de escrever. As energias seriam um pouco mais tensas e teríamos um concerto de sons de tanto teclar. Só basta dizer: Bendito seja o computador.

Exercícios ensinam a melhorar diálogos em texto


Este post se deve à troca de conhecimentos entre blogs - uma fofoca cyber cultural do bem. Ou não, como diria Caetano.

O recomendadíssimo blog do Alessandro Martins - livros e afins garimpou 12 exercícios para melhorar seus diálogos no Lendo.org.

No exercício escrito por André Gazola estão expostas uma série de elementos que se aplicam ao gênero da entrevista. A constatação que um diálogo é colocado dentro de um texto literário de maneira artificial é essencial. Sempre lembrando que entrevista é um diálogo (Curitibocas - Diálogos Urbanos, lembra?).

Martins acrescentou a escrita tortuosa de Dalton Trevisan que em certos momentos emula um diálogo transcrito sem filtros para a linguagem escrita.

Acrescento um dado no outro extremo de outra mídia. Os diálogos de filmes, que são absolutamente diferentes da realidade. Alguns diretores do Dogma 95 chegam perto de um diálogo crú. Quanto mais perto da realidade, mas espanta a audiência acostumada aos diálogos harmoniosos dos filmes.

Lembro-me quando meu professor de redação da faculdade de jornalismo ensinou que a imensa maioria das declarações entre aspas não são ipsis literis. Meu castelo ruiu ali. Depois fui entender que o processamento das declarações é a para o bem do leitor.

Entenda então que Diálogos Urbanos é mais do que simplesmente fazer as entrevistas e colocar no papel. Vai mais para lá do além disso, como diria Caetano.

domingo, 13 de maio de 2007

Queremos celeste

Na Argentina existe um provérbio que disse assim: "El que quiera celeste, que le cueste". A tradução literal fica muito ruim, é inútil escrever ela aqui.

O que a frase quer transmitir é que se você quer alguma coisa, vai te custar. Dizer "Ahh, vou fazer um livro" é uma coisa. Agora levar a prática esse sonho é outra completamente diferente.

Curitibocas já tem uns 3 meses de vida. Ele absorve uma fatia grande de nosso dia. Cada etapa demandou muita atenção e dedicação. Fazer os contatos (alguns com mais resistência que outros); pesquisar sobre os entrevistados antes dos encontros; fazer as entrevistas; degravar; editar; contatar possíveis editoras; e a lista continua.

Este "celeste" que nós escolhemos é um projeto muito interessante. O desafio é grande, mas não por isso vamos desistir. Ao contrário. Para esta dupla, quanto mais difícil, melhor.

Les Luthiers, um grupo cômico legendário argentino, mudaram o provérbio para "El que quiera celeste que mezcle azul y blanco". Uma piada argentina que gosto, mas neste caso me desmoraliza. Prefiro a original.

Borboleta 13 trouxe segurança


O primeiro capítulo com Ivo Rodrigues está pronto. Degravado, editado e com história introdutória. Passamos ao capítulo dois, com Borboleta 13. Esta entrevista foi importante para firmar o projeto.

Na primeira entrevista, Cecilia participou pouco. Efigênia não entendia o que a nossa argentina perguntava. A recíproca era verdadeira, já que Efigênia conversava em tom baixo e com muitos rodeios.

Plá, o segundo entrevistado, agradou mais à Cecilia. Eu já torci o nariz. O cantor ficou o tempo todo na defensiva. Respondia por meio de metáforas.

Depois que estas entrevistas foram degravadas, percebemos a riqueza do material coletado e a pluralidade que estes dois vão dar ao conjunto da obra. Fogem àquela estrutura de entrevista que estamos acostumados a ler.

O encontro com Borboleta 13 foi redondo. Sentamos em um fast-food da XV. Cooperou com a entrevista e entendia perfeitamente as perguntas da srta. Arbolave.

Se tomássemos outra negativa com Borboleta, o projeto balançaria feio.

sábado, 12 de maio de 2007

Música da família Rodrigues

Trecho da entrevista exclusiva de Ivo Rodrigues, líder do Blindagem. Versão sujeita à alterações e revisões até a publicação do livro.



E a sua filha?

Ela é DJ. Não sei da onde ela tirou essa. Essa é demais, porque eu não engulo esses troços. Ela diz:

- Pai eu vou tocar em tal lugar.

- Você aprendeu a tocar algum instrumento?

- Não, eu sou DJ. Eu toco os discos lá.

- Porra, mas que merda isso.

É muita cara de pau. Bota os discos e diz que ela toca. E os caras curtem, é o maior sucesso. É bom até para o cara que é dono de bar, em vez de gastar uma grana com uma banda, põe um mané lá pondo disco.

Deve ser uma peleja musical entre ela e os roqueiros da casa.

Quanto a música sim. Eu procuro não me aprofundar muito porque cada um tem seu gosto. É a geração dela. Mas ela gosta muito do Blindagem e de rock. Sempre quando tem shows que eu vou ela, vai comigo. O Ivan gosta de rock anos cinqüenta e sessenta. Eles são assim tipo aqueles mods ingleses. Terninho, magrinhos, tipo The Who assim. Keith Moon assim, aqueles troços. Eu comprei a primeira bateria para ele quando ele tinha 14 anos. Incentivo, assim como meu pai fez comigo.


Teu pai foi quem te levou à música?
Na vida inteira. Eu canto desde os sete anos de idade - recebia carta de todo o Brasil, eu cantava na PRB2, de Curitiba, meu pai levava para cantar em programas de auditório. Tinha fã-clube e tudo. Pediam cabelo meu, que eu cortasse chumaço de cabelo para as fãs. Então eu cantava e ganhava tudo que era prêmio. Tinha voz - meu pai sempre dizia para mim: “Cantor tem que ter voz. Não me venha de Roberto Carlos”.

100

Temos muito a comemorar neste post número cem. Primeiro de tudo há de se ressaltar a marca simbólica. Para usar um termo que o Plá gosta, enaltece a longa caminhada. Alguns inevitáveis percalços, mas no geral com boas e ótimas novidades a cada passo.

Ressaltamos também um crescimento exponencial do sítio. De 1 a 11 de abril, tivemos 191 visitas. Nos primeiros 11 dias deste mês 1,089. Ou seja, aproximadamente seis vezes mais.

O post 101 é um presente para você. Afinal, nada seria possível sem a sua participação. Como diria um amigo, "a ousadia faz o homem". As complicações burocráticas da entrevista de Ivo serão ignoradas - tenho certeza que ele também quer participar do livro .

Na próxima postagem, não perca: o primeiro trecho de Curitibocas - Diálogos Urbanos.

As 100 primeiras curitibocadas

A política de colocar 1 post por dia deu seus frutos. Hoje, com só 1 mês e 9 dias de existência, o Blog do Curitibocas chega ao post número 100.

Colocar um gaúcho e uma argentina juntos para escrever num mesmo lugar e o resultado é este, uma grande variedade de textos e idéias.

Hoje, 12 de maio, cumprimos os 100 primeiros textos do Blog do Curitibocas. Esperamos que hajam desfrutado da leitura e que continuem acompanhando este projeto. Claro que sem seu apóio, não seria o mesmo. Isto virou quase um discurso político. Vou finalizar aqui. Deixo então a João o honor de escrever o post n°100...

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Guia de entrevistas IV - Pé na Cozinha

O melhor programa de entrevistas da televisão brasileira de todos os tempos durou pouco mais de um ano.

Pé na Cozinha passava uma vez por semana (se não me falhe às sextas) na noite da MTV e tinha duração de uma hora.

O convidado além de ser entrevistado cozinhava sua especialidade. O cenário era uma grande cozinha.


A apresentadora/entrevistadora era Astrid Fontenelle. Ela amenizava o uso de seus irritantes jargões gays. Hoje ela apresenta o Happy Hour no GNT - nunca vi, mas pela propaganda já não gosto.

Embaixo da maquiagem, muito debate

A polêmica está em voga. A visita do Papa está realmente causando controvérsia no Brasil. O mês passado entrevistamos à irmã mais atípica de Curitiba. Quem já viu uma freira se maquiar e vestir de vermelho? Hoje apresentamos um trecho dessa entrevista com a Irmã Custódia, aonde ela critica a opulência da Igreja.
















Este blog e seus erros gramaticais

Os atentos leitores Tércio Saccol e Gabriela perceberam que há uma quantidade excessiva de erros gramaticais neste blog. Duas justificativas, uma para cada autor.

1) Cecilia
É argentina. Está no Brasil há pouco mais de quatro meses. Escreve melhor que a maior parte dos brasileiros. Eu não corrijo seus textos para manter a pureza de seu estilo e seguir com a agilidade do blog.

2) João
No meu antigo blog (Depósito Mirabolante, hoje reprodutor dos posts daqui) levava semanas para escrever um texto. Perdia muito tempo com correções e ajuste de estilo. Os bons blogs se caracterizam por atualizações mais constantes do que eu costumava fazer no antigo sítio. Erros de minha responsabilidade são corrigidos assim que detectados.

Erros no livro serão evitados à todo custo.



ps: a transição do Multiply para um blog foi difícil. Saiba mais no primeiro e segundo post deste blog e no último especialmente feito para o Depósito.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Museu com acervo humano

Ir ao museu é uma prática pouco comum na sociedade atual. Tem tanta oferta, tanta coisa para fazer que ficar num lugar silencioso, cheio de coisas estáticas e pouco transitado, não parece muito tentador.

Eu demorei para apagar a relação entre museu = escola. Na época não gostava de fazer essas visitas com a minha turma. Os monitores eram chatos, sempre era caótico, e quase nunca sentia que tinha aprendido algo.

Na minha infância, como a de muitos outros, minha avó foi a responsável pela iniciação na cultura. Quando íamos nos museus, a compensação pela hora e meia de visita era uma refeição em Mc Donalds - boa estratégia, sempre funcionava. Também lembro de uma vez que levou, em diferentes dias, aos 14 netos a uma exposição sobre Alexandre Magno. Para nos incentivar diz que quem escrevesse sobre a visita ganhava 10 pesos. Eu fiz, eu ganhei. Não questiono os métodos da minha avó porque funcionaram para que hoje a cultura seja um dos meus grandes interesses.

Em fim, comecei falando sobre como a visita aos museus não é tão praticada atualmente, viajei um pouco pelas lembranças e agora estou de volta. Em 1991 um grupo meio maluco criou em São Paulo um museu onde o acervo é simplesmente as pessoas comuns. Peço aos autores que não pensem coisas extranhas, e leiam sobre este negócio. É o seguinte: o Museu da Pessoa é uma rede virtual de pessoas que tem uma história de vida e querem dar-lá a conhecer. Qualquer um pode se cadastrar e dar um depoimento, fotos, áudio, artigos e exposições de algum aspecto da sua vida. É um site cheio de histórias, experiências e pontos de partida para boas pesquisas..

Curitibocas - Diálogos Urbanos reúne 17 entrevistas a personagens de Curitiba. Depois de dar uma olhada a este site, fiquei me sentindo pouco frente a tantas histórias de vida para descobrir. Mas será para outra ocasião. Concordo com os valores deste museu. Entre outros, tem um que se relacionam com o que já dizemos várias vezes: toda pessoa é interessante. Se dá a sensação do contrário, o problema é do entrevistador.


Guia de entrevistas III - Conexão Roberto D'Ávila

Melhor entrevistador em atividade no Brasil.

Roberto D'Ávila ouve, faz perguntas em cima das respostas, tem cuidado no tom.

Sabe fazer perguntas polêmicas sem agredir.


Conexão Roberto D'Ávila sextas-feiras às 22h30 e aos domingos, às 20h na TVE.

Plá completa 20 anos do lançamento do álbum Raio de Sol


O blog und ergro und registra que ontem o Plá completou 20 anos do lançamento de seu primeiro CD, Raio de Sol. O texto abaixo foi extraído de O Estado do Paraná em 09/05/1987:

Hoje e domingo, às 21 horas, no Teatro do Paiol, o compositor, cantor, instrumentista, Ademir Plá, realiza o seu show "Raio de Sol". Nascido em Santa Catarina, Ademir estudou na Faculdade de Educação Musical do Paraná, e optou por fazer um trabalho completamente independente dos moldes tradicionais. "Para fazer o que gosto com a minha música não posso estar vinculado a nenhum esquema", relata o artista. "Preciso estar livre para criar e divulgar a minha mensagem" continua ele. Suas músicas criticam o sistema vigente, falam das desigualdades sociais e principalmente da falta de oportunidade do jovem músico nos espaços da cidade. Ademir Plá também é escritor, independente. Ele escreveu "Hi...Ritiba" e mais recentemente "Ida Ininterrupta", ainda não publicado. Já musicou peças, entre elas "Até Nunca Mais", "Grito de Gente" e "Se Fernão não fosse gaivota".

Curitibocas on air

Pela segunda vez desde que começamos a divulgar o livro, mudamos de entrevistadores a entrevistados. Hoje às 8 horas da manhã participamos de um programa de TV da PUC-PR. A entrevista forma parte de um trabalho de uma turma do 5to período de Jornalismo.

Nas suas perguntas, Rodrigo Eduardo Foggiatto, deu conta da boa preparação para a entrevista. Ele leu os 90 posts que colocamos desde o início do blog e conseguiu aprofundar em várias questões relacionadas ao projeto.

Parabéns para Rodrigo que além do bom timing para a televisão tem a carisma para ser um ótimo apresentador. Destacamos também a participação de toda a equipe: Ana Paula Ladach Cardoso, Francielle Karine Turesso, Karina Luisa Bero e Marisol de Freitas Vieira.

Para nós, passar a ser entrevistados sempre é interessante. Admito que foi difícil dissimular a paixão que temos por este projeto.

Curitiba substitui Nova York


Update no layout do blog! Hein!?!? Atualização no desenho do sítio!

O assíduo colaborador do Curitibocas, Jean Pecharki, trocou a foto no topo do blog. Agora a imagem é de Curitiba - cidade um pouquinho mais haver com o projeto do que Nova York.

"vim fazer uma crítica ao blog....aquela foto de NY não orna......", teclou Pecharki por meio do MSN. A crítica foi construtiva, já que ele mesmo arregaçou as mangas e mudou a foto. "pensando nisso, cá estou para resolver seus problemas", afirmou.

O amadorismo meu e da Cecilia é tamanho que quando colocamos a foto de Nova York, nem sabíamos qual era a cidade.

Jean Pecharki é artista gráfico com passagem em diversos jornais de Curitiba. Seu próximo projeto é trabalhar na comunicação do Pan-Americanos Rio 2007. Conta desde já com nossa torcida e apoio.

OFF TOPIC - Na medida

A vocação deste espaço virtual está longe de ser o futebol. Porém um comentário - que servia mais como analogia para o livro - parece ter sido certeiro. Cito: "Se precisa fazer um gol contra o Cerro Porteño, fazemos um gol. Se são necessários quatro no Caxias, pode acreditar que será assim".

Pode acrescentar na lista o jogo contra o São Paulo. Necessitamos dois gols? Tcheco e Diego Souza neles.

Leia o post com o comentário citado aqui.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Nossos horizontes excedem a cultura

Num das laterais da Praça Tiradentes se encontra o pipoqueiro com mais sucesso de Curitiba. Seu carrinho não é como qualquer outro. É grande, tem um teto maior e está sempre impecável. Se você compra um pacote vai receber além da pipoca um kit higiênico (guardanapo, palito de dentes e bala de hortelã) e um grande sorriso do vendedor. Valdir Novaki sabe do negócio. Com menos de um ano nesse ponto conseguiu uma clientela maior aos outros vendedores. A pipoca lhe permite dar uma boa educação a seu filho e construir uma nova casa no Alto Boqueirão. Difícil imaginar como um ex-bóia fria que começou a trabalhar aos 8 anos de idade se converteu num marketinero da pipoca. Recomendo dar uma olhada no site dele: http://pipocadovaldir.com.br

Curitibocas não é só de personagens relacionados à cultura, como alguns tendem a pensar. O livro vai formar um mosaico da cidade em todos seus aspectos. Música, esporte, religião, planejamento urbano, e mais outros componentes que formam a identidade de Curitiba.

Partimos da premissa que toda pessoa é interessante. Nossos personagens tem uma história para contar. Conhecidos ou não, vão revelar quem eles realmente são, quais são suas motivações, por que chegaram aonde estão agora, e que é o que faz que sejam um referente da cidade.

Guia de entrevistas II - Observatório da Imprensa


Sei que sou previsível. Mas não posso deixar de falar do meu segundo programa favorito, o Observatório da Imprensa. Programa péssimo do ponto de vista técnico.

A proposta do Observatório é de ser um programa de debates sobre a imprensa brasileira. O que ocorre são entrevistas paralelas sobre o mesmo tema, o que trava o debate. Cada resposta leva em média quatro minutos - uma eternidade em termos de televisão. O enquadramento usa primeiros planos fixos. Um programa "parado", comparado com a espetacularização televisiva padrão.

As perguntas são geralmente longas, mal-articulada e cheias de opiniões por parte do apresentador. Mas quando este apresentador é Alberto Dines, ganha a permissão para fazer isso.

Dines foi precursor da reforma no Jornal do Brasil nos anos 50 e 60 que injetou a modernidade na imprensa brasileira. Deu aula na universidade da Columbia nos EUA. Fez parte do auge da reforma da Folha de S. Paulo promovida por Claudio Abramo nos anos 70. Em sua coluna política, batiza os políticos cheios de regalias de marajás. Nos 90, cria o Observatório da Imprensa na Internet e na televisão. Há dois anos o programa conta com versão diária no rádio. O cara tem tantas medalhas e cicatrizes que dão permissão para fazer entrevistas à sua maneira.

O que importa no Observatório da Imprensa é o conteúdo. Em relação às entrevistas normais serve de mal exemplo, já que deve-se evitar perguntas complexas e opinativas - a não ser que você seja Alberto Dines.

Graças às reiteradas reclamações de Dines diante da maneira de Requião se relacionar com a mídia, o Observatório não é mais transmitido pela Paraná Educativa. Devido ao perfil de "baixo entretenimento", foi jogado para às 23h40 na TV Cultura, depois do Sr. Brasil (programa que ressalta o que há de mais retrógrado na música brasileira). Na TVE ele dá às 22h30. O site é o www.observatoriodaimprensa.com.br.

No próximo post da série, algo menos previsível.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Panacéia para a depressão: escrever


Solidão não tem remédio. Aí mudaram o nome de "solidão" para "depresão" e inventaram medicamentos para isso. Sempre que alguém me pede opiniões e soluções sobre o tema - btw, incrível como aumentaram os casos -, indico o exercício da escrita.

É uma panacéia para qualquer problema desta ordem. A escrita é o ato de solidificar os pensamentos. Idéias que não conseguem passar para o papel falham em algum ponto. Na escrita a mente é confrontada consigo e com elementos adjacentes. Um desafio.

Concordo que existem mil maneiras de se expressar. Pintura hoje é apontada como solução terapêutica para diversos casos. Acredito que a escrita tenha vantagens sobre a pintura. Um escritor quando trava pode dar uma volta no quarteirão, tomar um café ou até ler algo divertido. Se um pintor faz isso, a tinta seca.

Acredito que a isto se deva a crescente aparição de blogs de adolescentes que escancaram sua tristeza. Claro que tem uns que usam isto como show, mas aí já foge da minha alçada.
*****
Curitibocas não é dessas obras "puras". Tem um viés comercial inegável. Nós escrevemos por prazer, mas resolvemos transformar isso em um livro graças ao evidente apelo comercial - ou vai dizer que nenhum entrevistado da lista despertou sua curiosidade? Mas aí entra um terrorismo cultural que eu deixo para um próximo post.

Não estamos fazendo terapia com este livro. Para quem quiser insistir na analogia, em nosso livro Curitiba é quem está no divã.

Será que dá para fazer um "Portunhocas"?

Para quem ainda não sabe, os autores de Curitibocas - Diálogos Urbanos são uma argentina e um gaúcho. Interessante. Seria mais lógico fazer algo relacionado a Guaíba, cidade do Sr. Varella ou a Buenos Airas, terra da Srta. Cecilia. Mas o livro é sobre Curitiba.

A primeira opção já foi avaliada. Se Curitibocas é publicado, num futuro há possibilidades de um projeto "Guaipecas". Mas a segunda traz uma série de problemas.

Não só por ser uma cidade maior que alberga a umas 11 milhões de pessoas (contando a cidade metropolitana) que Buenos Aires não é um bom campo para escrever um livro como Curitibocas. A natureza dele é justamente a eleição dos personagens mais representativos da cidade. Dos 17 escolhidos, vários são conhecidos da rua. Isso não daria certo em Buenos Aires.

Em Buenos Aires prevalece o "Star System", quer dizer, os personagens famosos são os que aparecem na mídia, e todo o sistema faz com que apareçam tanto que acabam por cultivar uma adoração (ou rejeição) de uma grau parte da população. Talvez existam personagens populares na terra portenha, mas não como os de aqui.

Não existe um cara andando de sunga pela cidade - nova referência a Oilman, mas é impossível fugir de mencionar esta extranheza. Dificilmente uma vendedora de bilhetes vai ser tornar tão famosa quanto a Borboleta 13. A lista continua.

Uma coletânea a intelectuais seria uma opção mais acertada. Mas um "Portunhocas"? Impossível

Guia de entrevistas I - Roda Viva


Este blog trata em sua essência de entrevistas. A partir de hoje damos início a uma série de dicas de onde estão as boas e más entrevistas na mídia.

Começo pelo meu programa favorito da televisão brasileira, o Roda Viva - já dei amostra disso antes. A proposta do programa é colocar o entrevistado no meio de uma roda de entrevistadores composta em sua maioria por jornalistas de diversos meios de comunicação, o que traz diversidade ao programa. Já houve algumas bizarrices. Perguntas descabidas (Silvia Popovic), sarcasmos com acidez elevada demais (Reinaldo Azevedo) e puxa-saquismo desmedido (Ricardo Noblat), mas na média são bem selecionados.

O Roda se dá bem quando o assunto é político ou social. Coloca o entrevistado no meio do cenário que lembra uma arena romana para responder perguntas pertinentes para o espectador geralmente impertinente para a instituição que ali representada. Quando enverada para a cultura, mantém o tom de debate - às vezes de maneira descabida como na entrevista de Hermínio Bello de Carvalho, que teve de insistir que não manja de mp3, Ipod e indústria fonográfica.

Quando o programa traz o assunto esportes, é melhor mudar de canal. Os programas da SporTV são melhores. Ciência cai bem se está casada com um assunto atual. Se não envereda naquelas conversas especialisadísimas para poucos.

O Roda Viva acabou agora há pouco. Toda segunda-feira às 22h40 pelos principais canais públicos (TV Cultura, Paraná Educativa, TVE Rio, TVE RS, entre outros).

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Frustração na Feira do Livro

Mariana Ayam, embaixadora argentina do projeto Curitibocas, cumpriu com sua promessa. Ontem ela foi à Feira do Livro de Buenos Aires e entre milhares de pessoas encontrou o espaço que representa o mercado editorial brasileiro.

Segundo ela, havia um stand de uma editorial portuguesa e outro da Embaixada do Brasil. Mariana aclarou que a ultima contava com "tres libros locos". Com indignação acrescentou que as promotoras não faziam idéia de quais editoriais argentinas trabalham com livros do Brasil e que provavelmente nem sabiam falar português

Agradecemos a ajuda por parte de esta argentina. É uma desilusão não ter encontrado possíveis interessados lá em Buenos Aires, mas vamos deixar esse desafio para mais tarde. O importante é publicar o livro primeiro em Curitiba, eu acho.

Blog pós-livro

No último post, Cecilia deu conta da nossa dedicação com este sítio. Em suas frases finais, ela afirma que o blog estará atualizado até julho - mês em que ela volta ao seu país.

E depois? Uma hora ou outra esse livro sai. Mesmo com Cecilia longe, manterei este site tratando do Curitibocas até o lançamento. Depois de alcançado o objetivo, o que fazer com este espaço virtual?

De minha parte, confesso tomei gosto pela experiência. Como afirmei nos primeiros textos daqui, escrita para blogs não era meu forte. Tinha um exagerado esmero nos textos que eram geralmente longos e sem muitos recursos.

Além disso, é um desperdício ignorar nossa média de 70 visitas por dia que alcançamos neste mês - com tendência ascendente.

Estamos abertos a sugestões.

domingo, 6 de maio de 2007

Tudo, tudo está no blog

Quem está acompanhando a evolução do livro Curitibocas - Diálogos Urbanos, terá percebido a atenção que damos ao blog. Desde o 3 de abril, dia que criamos este espaço virtual, escrevemos 81 posts, sendo 70 em abril e 11 em maio.

A temática foi variando, mas sempre com a premissa de relatar curiosidades ou pequenos acontecimentos relacionados ao livro. Entre tantas outras coisas, escrevemos sobre encontros com entrevistados, inventamos um "Manual para fazer um livro", contamos dos pequenos desafios que foram aparecendo - a dificuldade de conseguir a entrevista com Oilman é nossa grau vitória -, colocamos audio e fotos dos entrevistados e até desafiamos aos leitores com o Quiz Curitibocas.

Os 81 posts dão conta do trabalho e a dedicação que temos para com o livro. Quem está começando a acompanhar este blog e quer conhecer mais um pouco sobre a moral e a evolução de Curitibocas, é só uma questão de fazer alguns "clicks" em os textos já publicados. Escrever é nossa paixão. Podem ter certeza que pelo menos até julho este blog estará atualizado dia a dia.

Livraria a vilã - um desabafo

Carlos Perrone, um dos administradores da livraria do DCE da PUCPR desabafa:

Tenho uma livraria, e fiquei mais decepcionado ainda com a classificação que fazem das livrarias, embora não deveria ter ficado. As pessoas imaginam que livrarias sejam vilãs, pois os livros que nelas são vendidos, deveriam chegar de forma institucional nas mãos das pessoas.

Recebi na livraria uma senhora que ao ver livros que fizeram parte do programa do governo e foram adquiridos para algumas escolas, se espantou e perguntou, como nós poderíamos ter ali tais livros, pois os mesmos foram distribuídos gratuitamente para seu filho, ignorando ela que os livros são de posse da editora e não do governo, que só foi mais um cliente, como nós fomos ao comprar os exemplares para termos em nossa livraria. Inconformada ainda com os livros em minha livraria, ela alertou cuidado que pode vir fiscalização, como se fossemos os vilões. Sendo que na loja ao lado funciona uma fotocopiadora em que são copiados vários livros. Mas ai tudo bem né.........

Marcador de páginas ideal



Eu achava que meu marcador de páginas com imãs era o melhor, até ver este vídeo no site Alessandro Martins - livros e afins.

sábado, 5 de maio de 2007

Mais fotos dos entrevistados

Já postamos a primeira seleção de fotografias dos entrevistados. Hoje colocamos os restantes 8 personagens. Estamos aguardando a de Mila Behrendt, por isso não aparece no collage. O entrevistado número 18 não vai formar parte do livro, por isso temos mais um espaço em branco.



De esquerda a direita: Paulo Cezar Rodrigues, Ivo Rodrigues, Ademir Plá, Valdir Novaki, Didonet Thomaz, Irmã Custódia e Juliano Suk.

Escrever é reescrever


Cambaleante pela bebedeira, o intelectual chega em casa no meio da madrugada. Em uma espécie de transe, metralha a sua máquina de escrever. No outro dia, entre as bitucas de cigarro, lê passagens geniais que juntas com outras resultam em um livro soberbo, uma obra mestra da literatura.

A narração acima é a mais pura ficção. Mas muitos acreditam que os escritores são seres inteligentíssimos que são tomados por arroubos de criatividade. Tem um "dom".

A realidade é bem diferente do outro lado dos livros. Escritores escrevem. Reescrevem. Revisam. Reescrevem de novo. Alguns de maneira dolorosa, como Guimarães Rosa. Outros mais brandos, como o poeta símbolo e supra-citado de Curitiba, Paulo Leminski. A verdade, por menos romântica que pareça, é que escrever envolve imediatamente reescrever.

Por menos natural que pareça, as entranhas do escritor segue lá. Ainda quem corta, reescreve, adiciona, muda é o autor - pelo menos assim se supõe.

Em nosso caso, o processo é dos duros. Ordenar as idéias dos entrevistados, fazer com que a conversa não caia em redundância e outros fatores que já mencionamos antes. Só que ao contrário da degravação bruta, aqui passamos um pente fino mesmo. Mais: a entrevista por mais alterada que esteja tem que fluir como uma conversa normal ou a verossimilhança vai para o espaço. A partir do momento que você entende o objetivo, vira um trabalho operário.


A partir do momento que assumimos e passamos a divulgar o projeto, muitos amigos e conhecidos declararam que sempre quiseram escrever algo. O que os afastava, na maioria dos casos, é esta maldita mística que inventaram para o ofício.

Nós não fumamos, escrevemos diretamente no computador (apesar das ilustrações ressaltarem outra coisa), consultamos o dicionário e os manuais de redação da Folha ou do Estadão e trabalhamos sóbrios - pelo menos a maior parte do tempo. Acredite, escrever é reescrevr. Opa, reescrever.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Sem apelação ou a que ponto chega um autor


Os leitores já devem ter se dado conta que nos preocupamos muito com a distribuição do livro. De minha parte, isso se deve a uma experiência traumática que tive.

Estava eu no segundo ano da faculdade empolgado com as aulas de economia e política. Gerson Lima era o professor. Minha animação foi se esvaindo ao longo da cursada. Lima apregoa a idéia que o governo deve imprimir dinheiro e distribuir para a população. Segundo o analista Alex Agostini, na época em que ele trabalhava na Global Invest e eu fazia a assessoria deles, essa idéia foi abandonada pela esquerda xiita no final da década de 70.

As aulas eram basicamente variações do mesmo tema. A tecla da distribuição de crédito era batida incessantemente. Meus protestos do fundão da sala foram em vão.

Como controlar a inflação que viria? A queda do investimento externo? A hiper-desvalorização da moeda? Não houveram respostas convincentes.

Política foi esquecida. Melhor assim.

Na última aula, senti um arrepio quando vi o professor entrar na aula com uma sacola. Projetou slides com soluções para os problemas brasileiros. "Tudo isso está explicado no meu livro. Ele custa 20 reais nas livrarias de Curitiba, mas hoje eu estou vendendo por quinze". Revelou-se assim o conteúdo da sacola. Ele sacrificou uma aula para comercializar seu próprio livro.

Quando eu vi uma fila de alunos na loja improvisada na mesa do professor, eu tive náuseas.

Curitibocas será comercializado sem golpes baixos.

Feriadão Curitibocas, alguma dúvida?

Os feriados sempre alteram o ritmo cotidiano das pessoas. Em nosso caso, o feriadão tão só afetou no afastamento dos autores. É dificil qualificar este projeto como um hobby, porque o enfoque que temos para com ele é como de um trabalho. Um dia sem faculdade foi mais uma oportunidade para avançar com Curitibocas. A semana foi curta mas teve muitos pontos positivos.

Sem contar que terminamos com as entrevistas e degravações, estivemos debatendo sobre o marketing de Curitibocas e sobre possíveis projetos enquanto o livro esteja terminado. O "brainstorming" é bem produtivo e está dando boas idéias.

Semana que vem teremos 3 reuniões que prometem ser produtivas. Sem perder a tradição de atualizar diariamente este blog, daremos conta de cada encontro. Fiquem ligados.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Fim da fase 2

Acabo de concluir a degravação da entrevista de Ivo Rodrigues, a última. É o fim da segunda fase do projeto. A primeira foi fazer as entrevistas. Agora passamos para a edição. Depois concluímos com a história que irá conectar as entrevistas.

Havia a possibilidade de haver uma nova entrevista, que iria atrasar um pouco o processo. Tentamos entrevistar José Ghignone, mas ele delimitou os assuntos que iria responder. Nestas condições, nos recusamos a fazer entrevista. Por um lado lamento perder a oportunidade de conversar com esta figura importante para a cidadeí. Por outro fico feliz de superar a barreira psicológica das degravações - parte mais chata. Já tinha mencionado o processo neste post.

A lista de entrevistados fechou naquela mesma que postamos aqui.

Com a fase da edição, poderemos disponibilizar trechos do livro. Aguardem.


ps: Ivo pediu para suprimir todas as citações de drogas da entrevista. Isso é um problema, já que praticamente 80% das respostas contém alguma menção de entorpecentes.

São 100, senhores, são 100

Quase um mês atrás, no dia 8 de abril às 15:03 h, criamos a comunidade "Eu apóio Curitibocas". Há algumas semanas começamos com a obstinação de chegar a ter a 100 membros. Quer dizer, 100 internatuas que apóiam nosso tão apreciado projeto. Hoje, conseguimos nosso objetivo. Próximo desafio, 200!

Curitibocas na Gazeta do Povo

A Entrelinhas, tradicional coluna da página dois da Gazeta do Povo, deu destaque ao Curitibocas hoje. Versão online aqui.


quarta-feira, 2 de maio de 2007

Arnaldo Jabor é fichinha perto do que virá


O presidente da Câmara Arlindo Chinaglia recentemente ameaçou processar o comentarista Arnaldo Jabor. Afirma chegar às vias de fato se Jabor não se retratar. A celeuma se deu por uma crônica onde ele descreve os deputados como "canalhas" - suave eufemismo se comparado ao sentimento nacional com os membros do legislativo.

Jabor é um o comentarista mais admirado do Brasil. Ele está em tv, rádio e jornais de alcance nacional. Os espectadores e leitores do cineasta o descrevem como "independente", "sincero", "polêmico". Tudo isso é discutível. O certo é que Jabor é um indignado.

Na época de FHC sua indignação era pela oposição que hoje está no governo e pelos "abestalhados" da situação. Na época de Lula sua indignação é pela oposição que esteve no governo e pelos "abestalhados" da situação. Nunca vi/li/ouvi Arnaldo Jabor propor uma idéia nova ou remar contra a maré. Suas análises reacionárias são o sentimento geral do povão travestidos de palavras alegóricas e duras comparadas com o noticiário insosso que o rodeia.

Mesmo assim, surgiu essa picuinha com Chinaglia que alimentará ainda mais sua fama.

Aí você lendo tudo isso se pergunta: "E o quéco? Jabor, Curitibocas... cadê a liga?". Fato é que os entrevistados disparam opiniões realmente polêmicas. Efigênia Rolim acusa Requião de ter destruído obras suas. Key Imaguirre diz que Lerner de arquiteto só tem o diploma. Hélio Leites chama Lula de bebum. Murilo Mendonça suspeita de esquema entre as operadoras de transporte público de Curitiba com a prefeitura. E tem mais. Esses eu lembrei de cabeça agora.

Fico preocupado. Se Jabor teve problemas por seus tapas, como serão recebidos os coices que estarão no livro? Censura prévia está descartada.

Nosso título polêmico

Quando falamos deste projeto, as pessoas geralmente mostram muito interesse e dão apóio ao trabalho. Mas quando mencionamos o título, as reações são bem diferentes.

Os argentinos, "ni fu ni fa", expressão em espanhol para dizer que não se interessam no mais mínimo (no título obviamente). Entre as pessoas não-curitibanas de nascimento, algumas argumentam, outras nem um pouco. Agora bem, a maioria dos curitibianos-curitibanos não aprova o título. Há tempo que o termino "curitibocas" tem uma conotação negativa, e isso parece provocar algum tipo de resistência.

Na minha opinião, eu concordo com Anthony Leathy, quem diz que é melhor gerar polemica com o título antes de ficar no lugar comum. No final das contas, quem vai defender as implicâncias de ser ou não ser um curitiboca são os próprios entrevistados. O título e tão só o título. Não significa um tratamento negativo aos curitibanos. Só baste ler para comprovar.