segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Gaúchos decidem destino do Corinthians


Esse era mais ou menos o título do portal Zerohora.com durante os jogos de Grêmio x Corinthians e Goiás x Internacional - não me lembro se o sujeito era "gaúchos" ou dupla", mas é por aí. Segundo a manchete, o futebol do extremo sul virou uma espécie de César. A um simples movimento do polegar para baixo, condenaríamos um dos times para o rebaixamento.

A realidade é bem diferente. O Grêmio conseguiu um resultado medíocre contra um péssimo Corinthians e o Inter serviu de sparring para o Goiás - graças a fórmula dos pontos corridos, os colorados não disputavam mais nada. A dupla de 'césares' na verdade estava mais para burocrata romano.

Mas assim vêem os gaúchos a realidade. O bairrismo gaúcho, comentado por Napoleão de Almeida, traz umcerto umbigocentrismo danoso. O estado se arrasta em crise econômica grave que nem parece existir na visão dos governantes, imprensa e povo local. A governadora Yeda Crusius está ajoelhada no altar da CPMF, esperando ajuda de fora, já que o Rio Grande do Sul não conseguiu arrumar a casa por si.

Não quero pintar aqui um quadro maniqueísta, onde o excesso de gauchismo seja apenas danoso. Para ser justo, tenho que ressaltar a defesa das tradições locais e a cultura auto-sustentável do estado. Artistas maravilhosos como Ultramen, Cachorro Grande, Nei Lisboa, entre outros, conseguem se sustentar apenas com excursões pelo interior do RS.

Sem contar os grandes escritores, artistas plásticos e políticos... sobre esses últimos, vale ressaltar que os deputados gaúchos são os que menos trocam de partido. Cobrança pura e simples do eleitorado gaúcho que é bastante politizado (não me atrevo a dizer "o mais politizado do país", mas se não o é, está bem próximo). O grande desafio do Rio Grande do Sul é lidar com seu apego às raízes e buscar novos meios para lidar com novos desafios.

No Paraná, alguns, como o Napoleão, comentaram sobre a admiração do bairrismo gaúchesco. "Curitibocas" não é a solução para esse problema. É só um livro. E traz uma visão analítica e bastante opinativa sobre a cidade de Curitiba. Ufanismo barato está descartado no livro. Essa é a maneira correta de uma sociedade crescer. De maneira crítica e responsável. Uma pequena contribuição para um bairrismo responsável.

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