quinta-feira, 21 de junho de 2007

Caminhante não há caminhos...

Faz-se o caminho ao andar.

Vários talvez tenham escutado a frase do poeta espanhol, Antonio Machado. Sempre senti muita verdade nessas duas linhas, e hoje eu posso aplica-la no projeto Curitibocas - Diálogos Urbanos.

Tanto João quanto eu gostamos de escrever, mas nunca fizemos um livro desde porte. Algumas etapas foram familiares, já que são próprias do jornalismo. Por exemplo, na hora de fazer as entrevistas, ambos tínhamos experiência no assunto. Mas outras nem tanto.

A medida que o livro foi madurando, e novas questões emergiam, fomos nos adaptando e resolvendo na hora. O tema atual: não temos a receita perfeita para lidar com editoras, mas a medida que temos mais contatos e reuniões, as coisas começam a ficar mais claras.

Muitas vezes penso: "Putz, poderia ter feito isto antes". Mas claro, nesse "antes" não tinha o conhecimento que tenho agora. Ninguém nasce sabendo como fazer as coisas. Tudo se aprende, pratica e perfeciona.

Fazer este livro exigiu um jogo de cintura de ambos. Para o próximo, tenho certeza que várias das coisas que demoramos em definir, vão ser resolvidas de modo automático.

Eis o momento do bom entrevistador entrar em campo


Os editores - espécie de técnico no jornalismo - deveriam estar atentos para seus setoristas do Senado. Falta maior profundidade nas declarações que rodeiam o caso Renan Calheiros.

"Me sinto preparado para relatar. Se não for relatá-lo hoje, vou me afastar do cargo e abro mão do relatório", disse Wellington Salgado, este cara da foto, relator relâmpago do caso em reportagem da Folha Online. Se sente preparado para relatar por um dia? Qual a diferença de hoje, amanhã e a próxima sessão do Conselho de Ética?

"É uma honra pertencer ao Conselho de Ética. Mas nesse momento desisto de ser relator porque não sinto nesse conselho vontade de julgar alguém pela quebra da ética. Não faz parte dos meus valores entrar nesse jogo", declarou depois que a votação foi mais uma vez adiada o misterioso ex-relator. Não sente por que? Por quem? Poderia ser mais específico? Você quer dizer que sente vontade de condenar um amigo seu? Ou sente que falta coragem para investir contra o chefe da Casa que afirma ter alguns rabos presos com ele?

*****
Obviamente, no Curitibocas não tivemos nada tão hard news ou de interesse público inflamável. Mas sempre que houve algo tão etéreo, preferimos pressionar um pouco os entrevistados. Se a saída da resposta era pela tangente, relatamos o fato e deixamos que o leitor tire suas próprias conclusões. Assim deveria ser o jornalismo. Está na hora dos editores tirarem aqueles repórteres volantes para fazer marcação cerrada nos senadores.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Vamos pelo caminho difícil

Fazer um livro pode ser uma tarefa fácil. Até pode-se resumir numa dessas coisas tipo "Faça em três passos"

1. Escreva o conteúdo que quiser

2. Encontre uma gráfica, faça o layout, pague e imprima o livro

3. Distribua

Obviamente eu fiz um resumo, mas parece uma tarefa fácil. Uma gráfica pode imprimir os livros que você quiser, é só questão de pagar o preço imposto. Mas além do dinheiro investido, você é o responsável pela distribuição dele, o que implica geralmente negociar com livrarias

Nós vamos por o caminho mais difícil, mas o que no final das contas vai rendir mais. Publicar via uma editora tem a vantagem de ter sido aprovado por uma instituição intelectual. Isso dá outra importância que publicar independentemente (sem desmerecer o valor dos que fazem assim). Além das editoras estar encarregadas de fazer a distribuição, desenho de capa, layout, etc.

Os escritores de Curitibocas - Diálogos Urbanos já começou a mover as fichas, e nestas semanas se definirá a questão. Tentaremos também apelar á Lei de Incentivo á Cultura.

O esforço vai dar seus frutos. Por enquanto, seguiremos atualizando neste blog todo o relacionado ao "making of" de Curitibocas.

São tudo flores no paiol de pólvora*


Ontem o Paiol Literário recebeu Flavio Moreira da Costa, que ficou popular graças às suas antologias. Organizou "Os 100 Melhores Contos de Crime e Mistério", "Os 100 Melhores Contos de Humor da Literatura Universal", "As 100 Melhores Histórias Eróticas da Literatura Universal", "Os Melhores Contos Fantásticos", "Os Melhores Contos de Loucura", "Aquarelas do Brasil", entre outras. Vende bem à beça. Ele conversou com o editor do caderno G, o jornalista Paulo Camargo sobre literatura no teatro Paiol - um dos locais mais simpáticos da cidade para este tipo de evento.

O evento tem entrada franca. Todos que foram no evento ganharam de graça um exemplar do Rascunho, jornal literário de boa qualidade. Mais: fez sorteio de livros do autor. Resultado: em volta de trinta espectadores na platéia. Começo a me preocupar com o público paranaense. Se o Rascunho - organizador do evento - pagar para o povo ir, será que melhora? Uns "cincão", vai?

Esse desinteresse curitibano por cultura amedronta. Pior que dizem que estamos acima da média nacional.


* Referência à música Paiol de Pólvora, de Toquinho. Título sensível, não?

Efigenia chora com sua entrevista

Efigênia Ramos Rolim, a Rainha do Papel de Bala, leu ontem, em sua casa, a entrevista que cedeu ao Curitibocas. Em certos trechos se emocionou e chorou.

Aprovou com exaltação o resultado do encontro com a Cecilia e eu do final de março. "Isso que veio aquele pessoal cheio de parafernália e não fez nada tão bonito assim", declarou comparando a entrevista com os dois documentários que sobre a sua obra.

Li toda a entrevista para ela sentado no sofá em meio às obras dela. Recentemente Efigênia organizou seu acervo pessoal em uma meia-água no fundo da casa. Sua vontade era de agregar mais material.

Se surpreendia com certas coisas que ela mesma havia dito. Quando a entrevista envereda para sua história pessoal, a artista chorou.

Efigênia tem 73 anos e está todos os domingos na Feira do Largo da Ordem. Ela é mineira e ex-bóia-fria - as minúcias da biografia dela serão reveladas no capítulo 8, "Um Anjo que Luta" do livro Curitibocas - Diálogos Urbanos.

Livro que influenciou Curitibocas (ou não) 2

John Lennon Remembers (Jann Wenner).

Um livro de entrevista bem solto, com edição mínima. Quem sabe para privilegiar a suposta genialidade de John em tudo. OK, John é um gênio. Mas agora quando ele cagueja ou enrola não tem muita coisa ali.

Um outro livro que li na produção do livro foi um de Juscelino. Pegam uns rabiscos dele da primeira série e afirmam que aquilo era a previsão de Brasília. Uma vez que está institucionalizado, qualquer ato do gênio vira automaticamente genialidade.

Tirando os excessos, a entrevista com John mostra um artista de saco cheio de sua imagem de ex-beatle. A entrevista foi feita em 1970, logo depois da separação do fab four.

Cáustico e sem meias palavras, John tem tiradas e jogos de palavras que jogam no lixo seus ex-companheiros (especial ênfase em Paul), artistas contemporâneos e o senso comum em geral.

A única poupada no tiroteio é Yoko Ono, que acompanha a entrevista. As interferências da japonesa às vezes fazem com que a entrevista perca totalmente o foco.

Enfim, um livro gostoso de ler mas que não traz nada de muito... eeerr... genial. Claro que para quem gosta dos Beatles, ler John é sempre bom.

terça-feira, 19 de junho de 2007

O fim se sente mais tranqüilo

Há uma semana terminamos de escrever o livro. Claro, ainda estamos (leia-se: João está) corrigindo os pequenos erros que passamos por alto.

Mas o trabalho pesado já passou. Nestes momentos que resta apresentar o projeto às editoras, ter futuras reuniões para discutir uma possível publicação, e assim por diante, caio na conta do tempo e energia que dedicamos ao livro.

Tirando o estágio que fiz em abril e a faculdade que acaba esta semana, dedique quase todo meu tempo livre no projeto. E agora que isso acabou começo a sentir o dia mais sossegado, mais tranqüilo. Até deu para ir no cinema segunda-feira à tarde, coisa impossível algumas semanas atrás.

Este projeto transitou por várias etapas e lentamente tudo está chegando ao seu fim. Foi e é uma experiência muito legal. Quem teria dito que em quatro meses escreveríamos o livro? Novamente, cito o slogan de Adidas: "Impossible is nothing"

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Livro que influenciou Curitibocas (ou não)

Enquanto escrevia o Curitibocas, não deixei de ler. A seguir, meus posts tratam dos livros que consumi entre março até agora. Pode ser que alguém identifique alguma coisa deles no Curitibocas. Ou a anti-tese deles. Ou nada.

Enfim... Vamos ao primeiro.


The Portrait of a Lady (Henry James)
Típico livro que encalharia hoje se não fosse um clássico do final do século 19. Livro longo, trama lenta. Justamente aí reside o interessante do livro, as sutilezas sociais de conflitos internos colossais.

A lenga-lenga aristocrata inglesa - que vive de fazer "social" - pode arrancar bocejos nas primeiras páginas do livro.

Gostei muito da protagonista, Isabel Archer. Todo mundo diz que ela é inteligente - fake - e independente - o final do livro prova o contrário. No mais tem MUITA crítica sobre esta história. Falar mais dele é chover no molhado.

Atualmente o público quer mais do objeto livro. Já que vai investir horas na leitura dele, quer algo com muita informação ou diversão fácil. Confira se eu estou errado se os últimos Best-sellers não são a conjugação perfeita destes dois quesitos?

*****
Próximo da lista: John Lennon Remembers, de Jann Wenner.

Só observações da polêmica Curitiba

Curitiba demonstrou ter muita coisa inconclusa. Uns dizem "a" e outros acreditam que é "b". Em vários temas da cidade tem algum debate no meio. Até a Praçinha do Batel gera polêmica.

Eu, que ainda estou longe de conhecer todo o pais, me pergunto se será que em todas as cidades do Brasil é assim.

Curitiba foi uma fonte enorme de inspiração para este livro. Mesmo assim não somos nós quem coloca as questões e formula uma opinião. Nos limitamos a fazer algumas observações com o/a personagem principal, Darcy. São críticas? Pode que sim, pode que não. Mas o tratamento não é pejorativo nem nada que se assemelhe.

No entanto, o que os entrevistados falaram vai ficar no livro. Como João já escreveu algumas vezes, não mudaremos uma vírgula das declarações citadas.

domingo, 17 de junho de 2007

Jornalismo pipoqueiro

Um dos desejos de Valdir Novaki – gestor da Pipoca do Valdir – é que seus concorrentes elevem o nível. Ele não é daqueles demagogos que dizem que “o consumidor ganha mais opções e eu fico feliz de ganhar menos dinheiro”. O desejo dele é que mais clientes se acostumem com o alto valor de qualidade para desqualificar os picaretas da pipoca e expandir o mercado.
Segundo pesquisa do Valdir, ele recuperou 2% dos consumidores que deixaram de comprar pipoca nas ruas por falta de higiene. Se sozinho ele conseguiu este número, imagine se todos os pipoqueiros seguissem suas diretrizes higiênicas?

*****
Diversas vezes manifestei meu desejo de aumentar o nível da minha (futura) profissão. O que acontece com o consumidor de pipoca acontece com o consumidor de noticias. Assim como o mal pipoqueiro prejudica o bom pipoqueiro, o mal jornalista prejudica o bom.


A réplica automática para isso vem da tal regra de mercado. Alguns (futuros) jornalistas opinam que o mercado saberá separar o bom do mal. Ora, se uma empresa contrata os serviços de uma assessoria de imprensa pela primeira vez – convenhamos não é fácil dar esse passo – e faz um serviço ruim. Fim de história, será uma odisséia para esta empresa se abrir de novo.

Convenhamos, um jornalista que presta uma assessoria podre é muito mais danoso que um encanador ruim. Encanamento todo mundo sabe o que deve fazer para estar bem. Assessor não. Vai explicar que o release sai às vezes, que o relacionamento com a imprensa deve ser sedimentado, etc. Tarefa árdua, no mínimo. Na cabeça do empresário todos os jornalistas são picaretas.

Sem contar nas tarefas cotidianas do jornalismo, como a entrevista. Outro exemplo do projetinho: Edílson Viriato sentando as patas em nós devido aos jornalistas despreparados que lhe entrevistaram.

Por estas e outras que sou favorável a um exame no mesmo estilo que a OAB promove para um sujeito ser advogado. Mais: para quem quiser, não necessariamente para graduados em jornalismo. Se um economista consegue escrever, sabe o que deve perguntar, como contextualizar, entre outros elementos essenciais para o jornalismo impresso, muito bem, eis um certificado para escrever em jornais e revistas.

Não dá para contar com os critérios de aprovação dos professores. Muitas vezes por pena deixam alunos sem a menor condição ter o poder de assinar matérias. E assim surgem os jornalistas que pipocam na hora de fazer um bom trabalho.

A maior parte dos assuntos tratados neste blog tem a ver com jornalismo.

Desde qualquer ângulo, há potencial

Desde sexta-feira passada o livro está nas mãos de várias editoras. As mais de 250 páginas estão sendo avaliadas e estudadas para uma possível publicação.

O que se avalia neste caso? Por um lado o conteúdo. É interessante? Vai atrair aos leitores? E assim por diante. Por outro, o potencial comercial do livro, que se resume em uma pergunta: vai vender?

Para responder estas duas questões, cito um trecho do documento que apresentamos às editoras descrevendo o projeto.


Curitibocas - Diálogos Urbanos é uma radiografia da cidade e de seus atores mais influentes. Derrubando as lendas urbanas que a caracterizam, o livro dará um ponto de vista único para o leitor de Curitiba. O leitor de fora da cidade descobrirá junto com o personagem as peculiaridades da capital paranaense.

O livro tem como principal enfoque lapidar e definir a identidade curitibana. Porém, não deixa de lado uma proposta comercial interessante. Certos personagens atrairão certamente a curiosidade do público leitor que nunca teve a oportunidade de conhecer-los a fundo.

O livro tem potencial. Agora resta só aguardar a visão das editoras.

sábado, 16 de junho de 2007

O selo de Viriato

Trecho da entrevista do artista plástico Edílson Viriato. Versão sujeita à alterações e revisões até a publicação do livro.

Sua “grande obra” tem mais reconhecimento fora do país. Que outro país te dá reconhecimento? Uma das coisas mais brilhantes da minha vida foi quando eu estava participando de uma exposição no Museu Henie-Onstad Kunstcenter Hovikodden, em Oslo, na Noruega. O Pierrot Vignat, diretor desse museu disse que o meu trabalho tem uma brasilidade, mas é entendido em todo canto do mundo. Não tem cara de cucaracha. Ou seja, não precisa estar com periquito, papagaio de verde amarelo para ser entendido. Os símbolos que eu uso são universais, por isso que fora atraio tanto. Nessa exposição eu tomei um banho de lama e tinta vermelha, segurando um balão azul. Entrei as três da tarde dentro do museu, gritando: “Help me”. Uma senhora toda fina saiu gritando atrás de mim: “I help you”. Foi fascinante. Me emocionou. Eu fui até o meu trabalho que eram vários brinquedos ligados por transfusão de sangue, por mangueiras infestadas de agulhas. Aí eu tirava as 50 agulhas do brinquedo e me espetava. Fiquei parecendo um ouriço sem artifício nenhum. Eu sentia. Cada vez que eu enfiava uma agulha, doía. Eu gritava desesperadamente. E ela gritava desesperadamente. E o povo gritava desesperadamente. O Museu estava lotado. Tinha 27, 28 anos de idade. Tudo aquilo foi fascinante.

Você conversou com ela depois? Ela veio falar comigo, agradecer. Ela veio contar o que era, foi bem interessante.O filho dela morreu na semana anterior de AIDS. Mais maravilhoso foi no outro dia que sai na capa do jornal norueguês. Quando entrei no Teatro Municipal de Oslo, a platéia inteira levantou, aplaudiu e gritou: “Brazilian art, Viriato”. Uma coisa que eu nunca tive aqui.


Gosta de interagir com o público? Muito. É gostoso quando a platéia participa, mas é complicado. Às vezes o público não entende. Eu tenho uma performance, “A noiva negra”, que eu como dois tubos de pasta de dente, uma dúzia de rosas e saio agarrando nas pernas das pessoas vomitando e gritando. Elas ficam horrorizadas. Tem outra que eu distribuo picolé para as pessoas, elas ficam chupando e eu fico transando com um balão. Aí eu saio gritando: “Chupa, chupa, chupa” e eu transando. Aí quando se liga para de chupar e fica escorrendo picolé na mão, que derrete. Aí tem que lamber. Aí eu grito: “Lambe, lambe”. E eu transando. Claro que eu sempre faço dentro de um contexto de arte. As inaugurações das minhas exposições têm sempre algo assim. A última, por exemplo, eu coloquei a Brigitte, uma drag, vestida de serpente, distribuindo um monte de maças pedindo para cair em tentação. Lá dentro tinha outra drag, a Betty Boop, vestida de sado, dando chicotadas nas pessoas. Isso é legal, tem que envolver.

Maleabilidade Digital


Quando vi as 200 e tantas páginas do livro impressas senti um receio tremendo. Ao ver o arquivo de Word que usamos para unificar todo o conteúdo, fiquei tranquilo.

Por mais que tenha lido 3416174629 vezes as entrevistas, passei os olhos pela encadernado que a Ceci preparou. Os erros pareciam saltar diante dos meus olhos. Pow, não posso deixar isso chegar nos leitores.

O impresso tem essa questão de ser rígido, imutável. Se chegamos a imprimir uma tirada com um erro, quem comprou o livro levou o erro para casa.

Agora, no caso dos textos digitais a coisa muda de figura. Errou? Seleciona, delete e reescreve. Exemplo disso foi a correção dos erros apontados por Didonet. Outro: retirei o itálico e coloquei a formatação "quote", que até então nem sabia que existia, nos trechos do livro.

No mundo digital, até as imagens são facilmente manipuláveis. Conseguir a mistura do quarteto fantástico com a turma do Harry Potter seria herculeano em um laboratório manual de fotografia.

Essa nova condição nos leva a novos dilemas. Um texto na Internet deve sofrer constantes edições? E uma imagem? Já temos a máscara do nickname, a palavra escrita também pode ser disfarçada?

Ate o livro começar a rodar, este futuro escritor estará abusando da maleabilidade dos processadores de texto.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Nosso querido "projetinho"

Curitibocas - Diálogos Urbanos foi entregado hoje a cinco editoras. O fim de semana será aproveitado para ler e deleitar-se com 17 entrevistas.

O documento final contém 259 páginas. Sempre há modificações que podem alterar este número, mas essa é a extensão do livro. Sentir o peso dessas folhas provocou uma sensação de alivio, felicidade, e mais outras. É bem estranho sentir que estamos próximos ao final

Enfim, o livro agora está nas mãos das editoras. Detalhistas e exigentes, não podemos mais que ler e reler o livro até que fazer a melhor versão.

Marzo foi o mês de fazer as entrevistas; abril a de degravação e dos primeiros contatos com editoras; maio foi dedicado às edições (etapa mais difícil); junho é o mês das correções finais e
reuniões com editoras. Eu me pergunto, o que será de julho. Teremos o lançamento? Aliás, estou começando a contar meus dias em Curitiba, tomara que a publicação seja feita antes de ir embora. As editoras dirão...

Primeira estimativa de custo do livro


Hoje a Ceci imprimiu o primeiro manuscrito do livro. O "projetinho" (termo criado por alguns detratores do Curitibocas) tem 259 páginas e 716.499 caracteres. Segundo Anthony Leahy, o livro impresso custará por volta de R$ 50,00.

O valor é mais alto do que eu imaginava. Mas, como me disse Rubens Campana, livro é um artigo de luxo no Brasil. A nata que compra livro quer um bem durável e de qualidade. Nos Estados Unidos, li alguns livros feitos de papel jornal, que amarelam em pouco tempo - nada que prejudique a leitura. No padrão estadunidense, acredito que este custo cairia pela metade. O barateamento incentiva a leitura e a compra efetiva dos livros.

Acredito que isso afete principalmente os best-sellers. Quando sobrar tempo (e interesse) de ler O Código da Vinci, vou pedir emprestado ou comprar no sebo. Novo na livraria é inviável.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Eu falei tanto assim?

Bem sucinto, algumas considerações sobre correções dos entrevistados que eu acompanhei e ainda não mencionei aqui.

Murilo: veio aqui em casa, tomou um chimarrão. Amenizou alguns trechos que mencionava atores políticos secretos do Paraná.

Paixão: outra vez naquela maravilhosa redação da Gazeta do Povo. Não imaginava que a entrevista seria tão grande. Ficou com uma cópia de recordação. Quer montar um currículo a partir do que disse - ele custa lembrar toda a sua carreira sozinho.

Suk: de novo na sede da Fanáticos. Desta vez, não trajava o uniforme da torcida. Vestia camisa pólo. Também se surpreendeu com a extensão da entrevista.


Só faltou a Efigênia, que viajou. Marquei de combinar com ela na terça, dia que ela volta para Curitiba.

O Gralha em O Ovo ou a Galinha Parte 2

Veja a parte 1 aqui.

Somos todos amigos de Leminski

Dos 17 entrevistados, três se declararam amigos do poeta Paulo Leminski. Ivo Rodrigues, Plá e Hélio Leites contaram que conviveram e tiveram uma grande amizade com o uns dos símbolos curitibanos.

Nos primeiros momentos eu ficava mais impressionada com as pessoas que tinham conhecido ao poeta. Depois destes quatro meses na capital paranaense, já não causa a mesma surpresa.

Até parece que o Leminski conheceu todo o universo artístico da sua época. Foi a relevância que adquiriu depois do morto o que faz a muitos felizmente afirmar: "Eu fui um grande amigo do Paulo Leminski".

O José Castello escreveu o livro "Fantasma", editado pela Record, onde relata a repercussão da morte do poeta na sociedade curitibana. A continuação uns trechos que achei interessantes.


Preste atenção, pois não vou repetir", Maria Zamparo insistiu, apertando-me agora com mais força o antebraço, minhas veias saltando, provocando uma dormência que se transformava em suplício. Foi só nesse momento que, imobilizado, eu a encarei. A notícia que ela viera me trazer cabe, na verdade, numa só frase, uma frase inocente, mas ameaçadora. Foi tudo o que ela disse: "Paulo Leminski não morreu." Palavras reforçadas por um sorriso não muito definido, que ficava entre a desforra e o alívio, o chiado estufando as sílabas.

(...)

Em junho de 1989, toda a imprensa brasileira documentou em detalhes a morte e o funeral do poeta Paulo Leminski, aos 45 anos, depois de longo sofrimento decorrente, diriam os mais ingênuos, da dependência do álcool; agonia que foi só a crosta mais superficial, contudo, de uma rejeição. Até hoje Curitiba cultua esse morto célebre, o acalenta, o reverencia como um santo, já que Leminski acrescenta a essa cidade de barões, viscondessas, desembargadores e sonetistas a nobreza da modernidade. A cidade o cultua, mas, enquanto ele esteve vivo, o desprezou. De modo que, se ele ainda estava vivo como Maria Zamparo agora ousava afirmar (e ela tinha em seus olhos uns vazamentos de luz, me fitava com o fervor das corujas), chegava a hora de prestar contas ao poeta - que santo jamais quis ser. Se estava vivo, era porque havia ressurgido dessa zona de trevas, e especialmente de silêncio, que chamamos de morte, região que nem as metáforas, que são leves e audaciosas, conseguem definir.

***
Paulo Leminski foi uma figura importante no âmbito artístico de Curitiba. Nossos 17 entrevistados de Curitibocas - Diálogos Urbanos também
tem uma atuação relevante na cidade, e o livro será a oportunidade de conhecer-los.

O Gralha em O Ovo ou a Galinha Parte 1

Para quem gostou de O Gralha e o Oil-Man - Um Encontro Explosivo. Outro filme do Tako X com o super-herói Gralha.




Em breve eu posto a parte 2.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Brasília: Fria, feia, falsa, suja, podre, mentirosa














Trecho da entrevista de Joba Tridente. Versão sujeita à alterações e revisões até a publicação do livro.



O que você acha de Brasília?

Quando a IstoÉ estava sendo lançada, eu fiz uma matéria para eles. O tema eram as religiões de Brasília. A religião que você imaginar tem. Tem até uma que adora o Juscelino Kubitschek achando que ele é uma reencarnação do Tutankhamon. Aí fiz uma matéria dessa miscelânea religiosa que foi publicada na revista Planeta. Eu tinha entrevistado ufólogos, pessoal do budismo, todo mundo achando que Brasília era a salvação do país, que era a cidade prometida, que o mundo vai desaparecer e Brasília vai ficar de pé. Eu cheguei a publicar o que eu penso de Brasília no Correio Braziliense:

uma cidade

fria, feia, falsa,

suja, podre, mentirosa,

que eu vou ver cair

sentado numa cadeira de balanço

e morrendo de rir.

E a reação dos brasilienses com esse manifesto?

Não existe brasiliense. Não existe nada lá, a cidade não existe. As pessoas não existem, elas simplesmente estão lá. Aquilo hoje é um monstro. Não tem indústria, não tem emprego, nada. Você não sabe do que aquela gente vive, tem invasão para tudo quanto é lado – lá favela é chamada de invasão. Era para ser uma cidade burocrática, administrativa. Não é para ser o que é.

Erros com Didonet

Quanto mais chegamos mais próximos da conclusão do livro, mais vejo o blog como uma ferramenta interessante. Além das conhecidas funções de marketing e comunicação autores-leitores, serve para dar um parecer para os entrevistados. Uma espécie de "ei, sua entrevista está neste estágio". Um incentivo especial para fazer um bom trabalho.

Mas cometemos um deslize com a entrevistada Didonet Thomaz. Primeiro que a apresentamos na Lista Oficial como tombadora de acervos históricos. A descrição é certa, mas dá a idéia de se tratar de uma historiadora. Fato que Didonet nega. A descrição foi corrigida para "Artista plástica que constrói poéticas visuais em casas de famílias curitibanas".

Outro puxão de orelha foi com relação à foto dela que publicamos aqui no blog. Não demos os créditos. Corrigido também.

Quem dá a cara para bater está sujeito a receber críticas. Que bom.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Meu Proust

Difícil tarefa a de fazer o questionário Proust. Recomendável, mas incomoda. Uma vez que tem todas as respostas, a sensação é boa.


Qual é o cúmulo da miséria?
Que as crianças passem fome.

Onde você gostaria morar?
Onde me sinta a gosto. De preferência em Buenos Aires, mas a vida está em constante mudança.

Qual é o seu ideal de felicidade na Terra?
Mais justiça.

Para quais erros você tem maior tolerância?
Aqueles sem intenção.

Quais obras literárias você prefere?
As que quando começo, não posso deixar de ler.

Qual é seu personagem histórico favorito?
O primeiro que vem na cabeça é Martin Luther King.

Seu pintor favorito?
Xul Solar, Dalí, Picasso. Ahh, tem vários.

Seu musico favorito?
Beatles, Jimi Hendrix, Ray Charles.

A qualidade que prefere no homem?
Inteligência.

A qualidade que prefere na mulher?
Segurança.

A virtude que prefere?
Cumprir a palavra dita.

Sua ocupação favorita? (hobby)
Ter conversas produtivas.

Quem você gostaria ter sido?
Alguém que fez alguma boa contribuição no mundo. Essas que ficaram na história.

O que você mais aprecia dos amigos?
Lealdade.

Seu pior defeito?
Tomar as coisas muito a serio.

Seu sonho de felicidade?
Sentir menos a pressão do passar do tempo.

Qual seria sua pior desgraça?
Perder as pessoas que amo.

O que você gostaria de ser?
Uma pessoa com mais conhecimento.

Sua cor favorita?
Violeta.

A flor que mais gosta?
Calas.

Qual pássaro preferido?
Não tenho preferência. Os lindos.

Seus autores favoritos em prosa?
Julio Cortázar, Ernesto Sábato, J.D. Salinger

Seus poetas favoritos?
Não sei.

Seus heróis na vida real?
Os que conseguem mudar o que parece impossível.

Seus nomes favoritos?
Tiago, Lucas.

O que você detesta?
Falsidade.

O feito militar que mais admira?
Em todas as entrevistas fiquei pensando qual seria. Minha resposta ainda é: nenhum.

Qual dom da natureza você gostaria de ter?
Voar.

Como gostaria de morrer?
Tendo me despedido das pessoas mais próximas.

Seu lema?
O primeiro que vem na cabeça é: "El que quiera celeste, que le cueste".

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Antes de que o livro acabe conosco

O Sr. Mario Arbolave (aka meu pai) tende a usar algumas frases de forma repetitiva. Bastantes são acertadas e usadas no momento adequado. Hoje tomo emprestada uma dele:

"Terminemos com o livro antes de que o livro acabe conosco"

Estamos na etapa mais pesada, as correções. É hora de ser detalhista, encontrar o acento errado, colocar as frases mais adequadas, e segue um grande etcétera.

Falta pouco, muito pouco - até poderia dizer que só dias para ter o primeiro original. Mas depois de três meses e pouco de trabalho pesado, há muita ansiedade e impaciência por ter Curitibocas na mão. Vamos trabalhar até o fim, e como a frase diz, sem que o livro acabe conosco.

***
pd: queremos agradecer especialmente a ajuda da Graziela Ferreira no andamento de Curitibocas. Neste momento, seu aporte foi muito valioso.

Ainda sobre a morte das entrevistas...

Este post é meio que uma continuação do assunto tratado aqui. O "meio que" me exime de qualquer culpa quanto às expectativas do leitor =P

Ontem executei a famigerada fase 5 com Didonet Thomaz. Ela leu a entrevista dela e corrigiu os equívocos.

Se tivessemos passado por cima desta correção, muitos nomes seriam publicados de maneira incorreta, além de alguns fatos que perderam validade. Didonet caiu na tentação que os jornalistas tanto temem: quis corrigir imperfeições de sua fala.

Na verdade dei para Didonet uma versão anterior a revisão "pente-forte-no-error". Era evidente a quantidade grande de palavras "eu" na fala dela. Alguns vão permanecer. Expliquei que a entrevista é um gênero que se aproxima mais da fala que o texto científico que ela esta acostumada a produzir e ler. Ela entendeu. Deixou a nosso critério suprimir alguns excessos de linguagem.

Como pesquisadora, Didonet achou normal a checagem de dados e nos felicitou por sermos cuidadosos com esta parte. Por que será que os jornalistas - pesquisadores dos fatos relevantes do dia - se negam a este tipo de atitude. Alguns alegam que falta tempo. Arrisco dizer que na maioria dos casos sobra tempo.

A trava vem da recomendação do manual, executar a conferência no ato da entrevista. IMO, isso tira a fluidez da conversa. Ficar dizendo "pera, pera, um minutin só... como se escreve Cecilia? Com acento no `i´?". Sem contar que na hora da entrevista mal sei qual são os dados que utilizarei na matéria final. De que adianta eu me esmerar em escrever "Cezar" com "Z" e "Varella" com dois "Ls" se no final nem vou citar esse mané?

******
Entre uma rabiscada e outra do lápis de Didonet, conversávamos. Papo bom, de se levar por horas. Ainda mais com o café que ela prepara. Ela pega vários pós - todos lícitos, btw -, mistura Nescafé, agua quente e, voilá, café pegadaço.

domingo, 10 de junho de 2007

De frente com o e-mail


As entrevistas cara a cara estão morrendo. O telefone já foi um duro golpe nessa modalidade - atacaram pelo viés da comodidade. O e-mail é a nova ameaça da tradicional maneira de se fazer uma entrevista. Rita Lee é uma que agora só conversa com jornalistas por correio eletrônico. Porém, este tem a ver com o controle da palavra dos entrevistados.

Ninguém gosta de ver a palavra deturpada. Jornalistas - como qualquer ser humano - cometem erros. Porém, quando erramos, todos os leitores embarcam no erro. Quanto maior o veículo, maior o tombo.

Quer ver um jornalista irritado? Primeiro diga que ele errou. Nosso ego aos poucos diminuem com a instituição da errata, mas a maioria ainda é daqueles que empurram para os outros a bomba. "Foi meu editor/fonte/revisor/diagramador/office-boy/sogra quem mudou meu texto". Outra maneira de fazer os jornalistas descerem das tamancas é pedindo (melhor: exigindo) para revisar a entrevista antes de ser publicada. Um sacrilégio.

A discussão é longa, mas os resultados desta briga são o distanciamento cada vez maior de entrevistadores e entrevistados. Pena. Rita Lee fazia ótimas tiradas. Amanhã eu volto com este assunto.

Maratona Curitibocas

Terminamos o livro. O conteúdo, claro. Nos próximos dias vamos a ter que correr para fazer as correções finais. As entrevistas de Ivo Rodrigues, Plá, Borboleta 13, Mila Behrendt e Didonet Thomaz já estão prontas.

Amanhã vamos nos reunir com mais cinco entrevistados para revisar nomes e lugares citados. Se dá o tempo, tentaremos nos encontrar com mais. A previsão é ter na quarta-feira todas as entrevistas prontas para uma lida final.

O tempo corre, nos também.

sábado, 9 de junho de 2007

Habemus libris

Acabei de finalizar a edição da última entrevista. Senhoras e senhores, habemus libris.

Acredita nas bruxas?

Trecho da entrevista da Mila Behrendt. Versão sujeita à alterações e revisões até a publicação do livro.

Acredita nas bruxas?
Se eu não acreditasse, não acreditaria em mim.

Então você é bruxa?
Uma vizinha me disse: “Se você vivesse na idade média, você já tinha sido queimada viva”. No entanto, o que eu faço? Nada de extraordinário. Uma sessãozinha para espantar as aranhas, um benzimento que me ensinaram quando era criança, essas coisas que me dão na cabeça.

Quando a pessoas falam de bruxas, as pessoas sempre imaginam uma dessas bonecas.
Essa bruxa preta foi uma invenção americana. Assim como Papai Noel não era vermelho, quem vestiu ele foi a Coca-Cola. O que a bruxa põe no corpo é de acordo com ela, não com os outros. Se é moda ou não, nem estamos aí. Ela está vestida do jeito que ela quer. Agrada, põe no corpo.

Por que foram tão perseguidas?
Porque faziam alguma coisa que não era aprovada pela sociedade, ou que eles não compreendiam. Quer dizer, qualquer atitude que não fosse conforme a sociedade da época, eles denunciavam. Às vezes nem precisava fazer nada, era só sentir antipatia por determinada mulher que já era presa. O termo surge na idade média. Aí eles passaram a caracterizar a bruxa como uma pessoa má e feia. Eram pessoas que não tinham conhecimento.

Você não gosta das fadas?
São tão sem graça. Fada pode ser ambivalente. Quer dizer, tem as duas facetas. Qual é a faceta da fada? A fada é aquela mimosinha, bem vestida, que a sociedade aprova, que é correta, que faz tudo que manda o figurino e que tem uma varinha de condão. A bruxa não. Ela representa aquela mulher que tem que lutar, que tem que se defender, que tem que ter garra, como a Baba Yaga. Ela tinha que dar cotovelada e arranhar para lutar pela sobrevivência dela. Não é o que você vê a maioria das mulheres fazendo no Brasil principalmente? Tem de abrir o caminha à cotovelada e dentada.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Correções finais das entrevistas

Estamos quase prontos para apresentar o livro às editoras. Antes disso temos que ir a cada entrevistado para que leia seu capítulo.

É imprescindível fazer esta tarefa? É. As correções feitas pelos entrevistados se referem principalmente a nomes ou lugares que degravamos errado. Estaríamos ganhando muito tempo se não tivéssemos esta última lida. Neste caso não é por ser detalhistas, é por respeito ao entrevistado.

Entre os 17, Valdir Novaki e Hélio Leites se anticiparam e expressaram uma queixa sobre esta questão. O primeiro afirmou que uma vez a imprensa errou colocando Novaski como seu sobrenome. O segundo fez a seguinte declaração:

"Sempre quando vai publicar alguma coisa, eu gosto de ver antes. Não para mim, mas é para publicar as coisas certas. Uma vez veio uma mulher que me coloca

Deus não escolhe o lugar para nascer
Quanto mais pobre o templo
Mais nobre o EVENTO


Não é evento, é exemplo. Pô, você demora para fazer poesia. Poesia é palavra, não é como pegar uma corrida de táxi, que qualquer um serve. Mudou todo o sentido".

Palavras mal ditas

Assumo toda a responsabilidade da correção das expressões coloquiais nas entrevistas. Logo no início dos trabalhas, Cecilia me perguntou sobre o tema. Defendi que os "tá" fossem substituídos por "está", "tão" por "estão", entre outros. Ela apontou que Playboy tem um "respeito à coloquiaidade do personagem". Na minha opinião, Cecilia foi enganada.

Playboy selecionou as coloquialidades que foram transpostas no papel. Só para citar um exemplo, a maioria dos brasileiros fala em linguagem coloquial "corretamenti". Alguns - por coincidência, os curitibanos - falam a "E" no final, o que chama a atenção dos brasileiros nativos. "Tive" ao invés de "estive" - que confunde bastante no papel -, supressão do "s" nos plurais, são outros exemplos que fariam deste post um daqueles quilométricos.

Ora, se é para "respeitar a coloquialidade", faça no todo. Nada de selecionar a coloquialidade que entra e a que sai. Ilusionismo lingüístico verossímil, não veraz. Ponto feito, agora agrego novo argumento entre os já citados neste blog sobre a razão de não transpor a totalmente a fala no papel. Mais uma vez, apelo para o que acredito conhecer do leitor brasileiro e leitor modelo deste livro.

Neste país, a credibilidade e peso de argumentos apresentados dependem, dentre outros fatores aqui não mencionados, da retórica. "Isso é no mundo todo, desde Sócrates", dirá o afoito leitor que ejacula precocemente em suas cópulas. Não sei com relação a outros países, mas no Brasil o quesito "domínio do idioma" é fundamental para levar a sério ou não o que alguém diz.

Nosso presidente fala "nóis cheguemu", eu sei. Levemos em conta que a classe consumidora de livros no Brasil têm amplos índices de rejeição ao presidente, que perdeu o segundo turno em 89 para Fernando Collor de Mello - hoje tido por qualquer cidadão bem informado, memoriado ou com um pouco de bom senso como um atraso para o Brasil. Sem contar os milhares de outros líderes que perdem pontos por inaptidão na língua.

Freqüento há anos alguns fóruns de discussão na Internet. Quando a inclusão social atingiu seu auge, foi notório o aumento de usuários sem noção de texto escrito. A conseqüente resistência e preconceito dos "old school" também teve seu apogeu. Hoje a situação foi amenizada, mas não raro me deparo com mostras do falso silogismo "não sabe escrever, logo não pensa direito".

Se colocamos as palavras mal ditas (malditas?) tenho convicção que pareceria ao leitor que estamos acobertando erros de alguns entrevistados em detrimento de outros e/ou o descrédito dos que falam pior que outros.

*****
Justificativa longa, mas na era da comunicação total, não posso deixar passar este fato. Tudo no livro tem um motivo. Alguns são motivos tontos - algum dia, me lembrem de falar dos nomes dos personagens fictícios. Outros, se forem justificados perdem totalmente a graça.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Curitibocas x Playboy

Quando descrevemos o tratamento que damos em Curitibocas - Diálogos Urbanos, muitas vezes comparamos com as entrevistas da Playboy.

João aclarou o preconceito com a revista. Admito ter perdido contra ele a discussão sobre este assunto. Mesmo tendo bastantes, a Playboy não é só de figurinhas. Há entrevistas interessantes, longas e bem detalhadas.

Depois da discussão, ou melhor do bate-papo, eu decidi comprovar que estava errada e pedi emprestado ao Sr. Varella o livro "As 30 melhores entrevistas Playboy" [Agosto 1975 - Agosto 2005]. Entre alguns nomes, posso mencionar o Fernando Collor, Tom Jobin, Jack Nicholson, Quentin Tarantino e John Lennon. É realmente um cardápio interessantíssimo de personalidades.

Ainda não acabei de ler o livro, mas posso indicar algumas diferenças ao respeito de Curitibocas - Diálogos Urbanos. O que mais me chamou a atenção é o respeito à coloquiaidade do personagem.

Só para mencionar alguns exemplos, em nossas edições colocamos "está" em vez de "tá", 1998 e não 98. Se o entrevistado é muito repetitivo, cortamos frases e deixamos um texto mais coerente. Somos obcecados pelo detalhe, já sabemos.

Nas entrevistas de Playboy, varias dessas regras gramáticas são simplesmente esquecidas. Se é intencional ou não, é outra questão. Na real, são pequenas coisas, mas depois de fazer tantas edições, não passam desapercebidos pelos nossos olhos.

Murilo revisado e ampliado

Dos 17 entrevistados, tem um que considero meu amigo pessoal. Conheci Murilo Mendonça em uma outra entrevista, dois anos e meio atrás. Na ocasião, ele serviu de personagem para a nobre página três do Comunicare - jornal laboratório da PUCPR.

Para quem tem curiosidade, a antiga entrevista está disponível no Depósito Mirabolante.

Para o Curitibocas, fizemos uma entrevista maior, melhor e mais ampla. O mais difícil foi entrar em sintonia com a curiosidade quase infantil que as boas entrevistas pedem. Já sabia bastante dele, depois da primeira entrevista fui na casa dele na condição de amigo.

De qualquer forma é uma das entrevistas mais longas e interessantes do projeto. Cada frase parece um uppercut no estômago da hipocrisia.

******
Btw, esta entrevista está pronta. Só falta editar a do Paixão e pronto, habemus libris.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Criadores enfrentando a criatura - meu Proust

Darcy representa duas pessoas: Cecilia Arbolave e João Varella. É justo você conhecer estes dois verdadeiros guias da urbe curitibana. Começo eu:

Qual é o cúmulo da miséria?

Analfabetismo.

Onde você gostaria de morar?

Em qualquer lugar onde possa trabalhar com jornalismo. Acho que o futuro aponta para São Paulo, Rio, Brasília ou, por que não, Curitiba.

Qual é o seu ideal de felicidade na Terra?

Liberdade.

Para quais erros você tem maior tolerância?

Os não intencionais.

Quais obras literárias você prefere?

As boas.

Qual é seu personagem histórico favorito?

Os Beatles. Se for para escolher um, fico com John.

Seu pintor favorito?

Rembrandt.

Seu musico favorito?

Os melhores músicos estão no Rush.

A qualidade que prefere no homem?

Responsabilidade.

A qualidade que prefere na mulher?

Responsabilidade.

A virtude que prefere?

Lealdade.

Sua ocupação favorita? (hobby)

Ler (jornais, revistas e livros), RPG, games da Blizzard, filmes.

Quem você gostaria ter sido?

Joseph Mitchell.

O que você mais aprecia nos amigos?

Companheirismo irrestrito.

Seu pior defeito?

Falta de tato.

Seu sonho de felicidade?

Ter um conglomerado de comunicação.

Qual seria sua pior desgraça?

Perder a credibilidade.

O que você gostaria de ser?

Uma edição histórica de um jornal.

Sua cor favorita?

Indiferente.

A flor que mais gosta?

As de plástico.

Qual pássaro preferido?

Nenhum.

Seus autores favoritos em prosa?

Dora Kramer, Miriam Leitão, Alberto Dines, José Simão, Diogo Mainardi, Truman Capote, Joseph Mitchell, Peninha.

Seus poetas favoritos?

Atualmente, os compositores do Soda Stereo. Os de sempre: Manuel Bandeira, Paulo Leminski, Edgar Alan Poe.

Seus heróis da vida real?

Todos os comunicadores e políticos éticos.

Seus nomes favoritos?

Nome de rima difícil.

O que você detesta?

Malandragem agulha.

O feito militar que mais admira?

Vietnã, por ter sido uma guerra que a superioridade táctica superou o poderio bélico.

Qual dom da natureza você gostaria de ter?

A idade secular de algumas árvores e animais.

Como gostaria de morrer?

Cobrindo algum evento relevante.

Seu lema?
Muda de tempos em tempos. O atual: "Pirataria é crime! Não roube barcos!".

Questionário Proust N°17

Em textos anteriores deste blog comentamos sobre o Questionário Proust que aplicamos em todas as entrevistas de Curitibocas - Diálogos Urbanos. São perguntas rápidas e, na maioria dos casos, curtas que dão uma visão geral da pessoa.

Para que os leitores tenham uma idéia de como fica este exercício, a continuação poderão ler o questionário do Paixão, chargista da Gazeta do Povo.

Qual é o cúmulo da miséria?
É uma criança mexendo num latão de lixo.

Onde você gostaria morar?
Curitiba.

Qual é o seu ideal de felicidade na Terra?
Eu sou feliz, eu não preciso mais. Eu sempre falo que se a vida melhorar, estraga.

Para quais erros você tem maior tolerância?
Tem vários. Não tem como não pensar, hoje eu tolero muito mais. Antes eu tolerava bem menos. O simples falto de um mal educado soltar para você, hoje eu tolero mais.

Quais obras literárias você prefere?
Zen, manutenção de motos.

Qual é seu personagem histórico favorito?
Chico Anysio.

Seu pintor favorito?
Salvador Dali.

Seu musico favorito?
Chico Buarque.

A qualidade que prefere no homem?
Respeito.

A qualidade que prefere na mulher?
Respeito.

A virtude que prefere?
Ser ele mesmo.

Sua ocupação favorita? (hobby)
Motocicleta.

Quem você gostaria de ter sido?
Eu mesmo.

O que você mais aprecia nos amigos?
Você pode contar com o cara qualquer hora.

Seu pior defeito?
Não ter estudado muito.

Seu sonho de felicidade?
Não tenho um sonho, não. A questão do ser humano não ter muita expectativa. Eu não tenho, tudo que vem é lucro.

Qual seria sua pior desgraça?
Perder uma pessoa bem próxima.

O que você gostaria de ser?
Nunca pensei.

Sua cor favorita?
Cinza.

A flor que mais gosta?
Lírio.

Qual pássaro preferido?
Muitos, mas favorito é o que eu tenho lá perto de casa, o canarinho-terra.

Seus autores favoritos em prosa?
José Simão é um. Bem psicopata.

Seus poetas favoritos?
Fernando Pessoa.

Seus heróis na vida real?
Guga.

Seus nomes favoritos?
Betina, Guilherme. São meus filhos.

O que você detesta?
Prepotência de uma pessoa não poder achar que é dono de uma área verde e ele negocia como se ele fosse dono. Isso está acontecendo lá perto de casa.

O feito militar que mais admira?
Nenhum.

Qual dom da natureza você gostaria de ter?
O dom da resistência. Até eu vi em um documentário ontem, da Marcha dos Pingüins.

Como gostaria de morrer?
Isso eu não penso.

Seu lema?
Sempre em liberdade.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Cuidado: elogios e depreciações livres




Mais ou menos hora teremos que escrever uma nota de esclarecimento com relação ao conteúdo do livro. Nele os entrevistados (através de nós) dão nome aos bois. Elogiam, depreciam ou citam nomes famosos.


Nisso residem dois perigos na interpretação do leitor. Primeiro de que estamos fazendo acusações levianas ou achincalhando os citados sem dar direito de resposta. Segundo, e mais grave, de que estamos fazendo propaganda travestida de literatura.


Todos nós citamos muitas marcas e nomes nas nossas conversas cotidianas. Isto é o Curitibocas. A naturalidade da fala é levada ao papel com os devidos ajustes técnicos, sem qualquer tipo de alteração no conteúdo.


Nos acostumamos a acompanhar um melindre da mídia (sem excluir os livros) na hora de nomear. "Uma empresa que não vou citar o nome aqui, tal tal tal tal".Para o bem ou para o mal, isto é criminoso. Se o tal tal significa algo ruim, que seja dada luz ao caso - até para previnir que o caso se repita ou denunciar. Se é bom, os louros devem ser dados. Uma empresa que, por exemplo, consegue substituir a palavra "fotocópias" por "Xerox" deve receber a merecida citação caso determinado pessoa tenha se acostumado a falar assim. Um editor que altera essa palavra está censurando e mudando uma caracterísitica de quem a empregou.


Cito um caso específico do livro. A PUCPR é defenestrada pelo professor Key Imaguirre. Sua análise será publicada com todas as letras. Nada de usar "uma certa universidade". Em certos momentos, ele elogia a UFPR. Igualmente figurará no livro a citação, sem nenhum tipo de troca espúria ou clientelismo baixo.


*****


Conheço bem o comportamento brasileiro. Detesta qualquer conflito, prefere falar mal à boca pequena do que ter uma posição frontal e direta. A cordialidade portuguesa que corre no nosso sangue fez que questionadores sejam categorizaos como impertinentes. Preferem aceitar teorias conspiratórias ("os jornais são todos comprados") que levam à ações tolas ("por isso não compro jornais"). Qualquer sofisma se instala no nosso vazio crítico.


Por mim não gastaria nem um parágrafo do livro com este tipo de nota de esclarecimento. Infelizmente se faz necessário, sob o risco de sermos malditos à brasileira.

Curitibocas se aproxima à reta final

O ritmo de Curitibocas é bom. Mesmo tendo que estender as datas, estamos quase prontos. No momento João está editando o capítulo 16, de Murilo Mendonça. Eu estou fazendo a primeira leitura da entrevista bruta do Paixão, chargista da Gazeta do Povo.

Incrível mas certo: a gente está terminando de escrever o livro. Nos resta falar com as editoras que já contatamos e avaliar possibilidades de publicação e distribuição de nosso querido Curitibocas - Diálogos Urbanos.

Entrando no quarto mês de trabalho neste livro - começamos em março - podemos dizer que a dedicação e o esforço é bastante, mas com certeza vale a pena.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

O lamentável fim da Pedra da Gazeta


O nome da livraria foi derivado do mural de mármore posto diante do jornal Gazeta do Povo que antigamente servia para que a população se informasse sobre notícias de última hora. Uma homenagem baseada no puro reconhecimento da utilidade pública prestada pelo diário na década de 40. Sem puxasaquismo, demagogia ou golpes baixos do gênero.

O fechamento da Pedra da Gazeta ganhou uma nota de 410 toques na coluna de Nadyesda Almeida no jornal. A nota registra que Anthony Leahy, batalhador do empreendimento, não "recebeu apoio de parte da sociedade".

Na única conversa que tive com Anthony, ele avisou: "Curitibano não gosta de consumir autores daqui". O fechamenta da livraria parece corroborar com as palavras dele. Espero que Curitibocas rompa este bloqueio.

Confira na íntegra a nota veiculada na edição de 3 de junho de 2007 da Gazeta do Povo sobre este tema:

Fim da Pedra

Exatamente um ano após a inauguração da única livraria especializada em autores e cultura paranaense, a Pedra da Gazeta fecha suas portas. Seu fundador, Anthony Leahy, alega que não recebeu suficiente apoio de parte da sociedade e nem mesmo dos autores do Paraná. Uma pena, pois a proposta era nobre e merecia seguir adiante. Apesar das dificuldades, a livraria funcionou bravamente durante um ano.

Fechou a Pedra da Gazeta

No segundo andar do Shopping Itália tinha uma livraria que apoiava a literatura paranaense. Ontem saiu publicado na Gazeta do Povo que a Pedra da Gazeta tinha fechado. Já fizemos alguns posts neste blog sobre a livraria. Além de ser um possível lugar para comercializar Curitibocas - Diálogos Urbanos, conversamos várias vezes com o dono, Anthony Leathy.

Esta vez, quando perguntei pelas razões da notícia, ele respondeu:


"Completei um ano de luta lá na livraria e após avalização achei que poderia contribuir mais para a grandeza do meu tão querido Paraná, tocando exclusivamente os projetos aqui na editora. Lá passávamos o dia inteiro e na maioria das vezes não atendíamos ninguém... Valeu a pena mas chegou a hora de mudar de estratégia no luta pela valorização da cultura regional".


Sentimos muita pena por Pedra da Gazeta e damos força ao Anthony para seus novos projetos.

domingo, 3 de junho de 2007

Primeiros pasos do Plá

Trecho da entrevista exclusiva do Plá. Versão sujeita à alterações e revisões até a publicação do livro.

Quando veio para Curitiba já compunha?

Já. Vim em 1976. Tinha 18 anos. Bem jovem. Estava numa fase de descoberta. Dava aula particular de violão. Aí decidi estudar para ter um conhecimento maior desse dom meu, desde criança já gostava.


Quando foram as tuas primeiras composições?

Eu era guri ainda. As primeiras coisas eu aprendi com o meu pai. Depois eu vim para Curitiba e comecei a me dedicar mais. Fiz faculdade de música por quatro anos. Só comecei a mostrar minha música para a população, na rua em 1984, depois que eu tinha concluído a faculdade de música na FAP [Faculdade de Artes do Paraná]. Até então eu vinha compondo e guardando. Mostrava para uma pessoa amiga, conhecida, mas eu não tinha muita convicção ainda do que eu estava criando, do que estava nascendo em mim. O próprio curso de licenciatura plena em música me ajudou no amadurecimento das idéias, me ajudou a ter um pouco mais de base para saber o que eu queria fazer. Depois decidi que queria vir na rua mostrar minha música.


Como Curitiba recebeu a sua arte na rua?

Era tudo muito difícil. Tive que enfrentar muitas guerras, brigas com fiscais e tudo o mais. Quando comecei a mostrar as primeiras coisas na rua, eu vinha com um gravador. Pus as pilhas, o K7 e vinha na Boca Maldita tocar para as pessoas. Bati um livrinho à máquina com as cifras das letras. Aí eu parava, colocava o gravador no chão e começava a cantar. Ia gravando aquela fita. O pessoal parava, eu dava o livrinho com as letras, e eu falava: “Óh, quando eu acabar de gravar essa fita, eu vou vender. O preço da fita vai ser tanto”. Antes mesmo de eu terminar de gravar, alguém levantava a mão para comprar a fita. Ficava uma fita superinteressante. Fiz várias. Foi a forma que eu achei de começar a me contatar com as pessoas. Daí nisso vinham os fiscais:

- Não pode.

- Como não pode? Eu estou divulgando a minha própria música. Não estou fazendo nada. É uma expressão livre.

Até convencer os caras foi difícil.

Momento Marília Gabriela


Disse e repito: Marília Gabriela engana pela fama. Porém, nas entrevistas apelamos para dois chavões de Marília Gabriela.

Dei-me conta de um deles no último domingo, quando esperava pela Manhattan Connection. A entrevistadora do GNT encerra suas entrevistas sempre pedindo "um ditado, uma frase, um verso, de sua preferência". A última pergunta do questionário Proust é justamente "qual o seu lema".

A outra marca da apresentadora me dei conta ao ver a pavorosa entrevista com Madonna no site da Bizz, dentro da matéria as 10 entrevistas + contrangedoras. Marília pede que o entrevistado faça uma escrição de si. Também usamos muito essa pergunta.
- Madonna por Madonna? - perguntou a jornalista-celebridade.
- Madonna ao quadrado? - respondeu a celebridade-cantora.

Não levamos nenhum invertida dessas. Mas me senti mal quando percebi as coincidências.

sábado, 2 de junho de 2007

Curitiba é nossa fonte de inspiração

Curitibocas - Diálogos Urbanos não será só uma coletânea de entrevistas. Tentando acrescentar interesse para o leitor criamos um personagem - Darcy - quem servirá como desculpa para ilhar as entrevistas.

No começo, a história fictícia era um mero fio condutor, mas cada capítulo foi nos demonstrando o contrário. A moral de destinar tanto tempo a escrever sobre Darcy é justamente contar mais um pouco da cidade. Os entrevistados falam bastante sobre nossa querida Curitiba, mas não nos conformamos.

São na verdade pequenas características que achamos engraçado ou interessante colocar. Descrevemos os biarticulados (e como está invadido por ciclistas), a quantidade de praças, a ponte enferrujada e já sem utilidade da Sete de Setembro e João Negrão, as gravações dos ônibus que indicam as paradas, e a lista continua.

Darcy vai se surpreendendo com vários aspectos de Curitiba. E esse fator surpresa é nossa forma de complementar o que os entrevistados contam da cidade. Tenham certeza que estamos nos divertindo ao escrever cada capítulo. Curitiba tem muito material de inspiração.

Manias de curitibanos

Circula pela Internet um e-mail com uma lista das manias dos curitibanos. A leitora Scheila Leticia Gonçalves foi quem fez chegar até a minha caixa de entrada.

Alguns destes mitos e folclores serão explorados na história fictícia. Outros os próprios entrevistados demonstram/discorrem.


FALA:
*Chama salsicha (hot-dog) de "vina".
*Chama o carro Fusca de "fuque".
*Chama o semáforo de sinaleiro.
*Chama mandioca de "Aipim".
*Diz bolacha em vez de biscoito.
*Diz piá em vez de menino.
*Diz guria em vez de menina.
*Diz bexiga ao invés de balão.
*Diz setra em vez de estilingue.
*Diz dolé em vez de picolé.
*Fala "escute" no telefone.
*Acha que não tem sotaque nenhum.
*Ri do sotaque de todo mundo (paulista, carioca,mineiro, gaúcho, etc...)

CLIMA:
*Fala sobre a condição do tempo para puxar conversa com alguém.
*Admira, diariamente, a linda cor cinza do céu curitibano.
*Enfrenta sol, chuva, frio, calor, tudo no mesmo dia e acha legal.
*Mantém as janelas do ônibus fechadas, independente se o dia esta frio, chuvoso ou aquele sol.
*Sai todo agasalhado de manhã, e tira quase tudo até o final do dia.
*O curitibano tem mania de lavar e polir seu carro no sábado ou domingo (o carro fica brilhando), só que toda vez que vai passear.. CHOVE!!!!

PRAIA:
*Fala que vai "pra praia", sem especificar qual.
*As mulheres vão à praia com jóias e maquiadas.
*Fica a "temporada" em Caioba ou Guaratuba mesmo que chova muito mais, do que faça sol.
*Vê o "OIL MAN" andando de sunga no calçadão durante a temporada em Caioba e o resto do ano, na cidade.

ESQUISITICES:
*As mulheres usarem topete.
*Faz fila para tudo (ônibus, mercado, banheiro,elevador,etc...).
*Repara nas pessoas como se fossem de outro planeta.
*Cumprimenta o vizinho de anos com "oi" e "tchau".
*Espera a semana inteira pelo final de semana... e quando chega, acaba não fazendo nada.
*Separa o "lixo que não é lixo".
*Anda c/ o bolso cheio de papéis de balas até encontrar uma lixeira.
*Demora muito para arrancar o carro quando o sinal fica verde.
*Acha que tudo em Curitiba é melhor do que em outras cidades.
*Freqüenta Clube Curitibano/Graciosa e Santa Mônica e cada 15 dias e se esbalda no Baile do Pato em Pinhais.
*Nao aceita que alguem Fale que curitibano é um povo fechado.
*Convida: "Passa lá em casa" mas nunca dá o endereço.
*Chama o povo do norte do Paraná de "pé-vermelho".
*Diz que a cidade não é mais a mesma por causa da invasão do pessoal de outros estados.
*Come pastel e caldo de cana nas feiras livres.
*Nas festas juninas chama vinho quente de quentão.
*Pega o mesmo ônibus todo santo dia no mesmo horário e não cumprimenta nem motorista nem cobrador.
*Acha que quem não é daqui sempre joga lixo no chão.

PRINCIPAL:
*Rir de si mesmo ao perceber que tudo que foi dito acima é a mais pura verdade...

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Curitibocas na newsletter da Austral

A Cecilia foi convidada pela universidade Austral a escrever um texto sobre a cidade e o Curitibocas. Publicaram na newsletter interna:


CARTAS DE NUESTROS ALUMNOS DE INTERCAMBIO
Proyectos en Curitiba

Después de estar tres meses en Curitiba comparto lo que varios me dijeron el año pasado: el intercambio es una experiencia increíble. Los desafíos se imponen en todos los niveles, tanto en la vida académica como en lo cotidiano. Sin embargo hay uno que me demostró ser un tanto más simple de lo que pronosticaba: el idioma. Comunicarme en portugués, en el habla y en la escritura, requiere un esfuerzo mayor pero no es nada imposible. Tanto es así que estoy haciendo una pasantía en la redacción de Gazeta do Povo, el diario local, y el portugués no me genera ningún tipo de problema.


Curitiba es una ciudad particular, llena de mitos y personajes urbanos. Aprovechando esas características, junto a João Varella (alumno que hizo intercambio con la Austral en 2006) comenzamos a escribir un libro. La publicación consta de 17 entrevistas a los personajes más representativos de la ciudad. Una historia fictícia hilará cada una de ellas. Ya empezamos el contacto con las editoras locales y creamos un blog para quien quiera acompañar el desarrollo de este proyecto (http://curitibocas.blogspot.com).

Esta experiencia me está dando una visión muy integrada de la ciudad. La pluraridad de voces produce una especie de mosaico de una Curitiba diferente a la que me esperaba.

- Cecilia Arbolave

O Gralha e o Oil-Man - Um Encontro Explosivo

Curta-metragem com a participação de dois dos nossos entrevistados, Oilman e Plá. A direção é de um futuro entrevistado para outra oportunidade, o Tako X.

Antes do filme você acompanha um curtíssima de animação (meio sem graça).