quarta-feira, 6 de junho de 2007

Questionário Proust N°17

Em textos anteriores deste blog comentamos sobre o Questionário Proust que aplicamos em todas as entrevistas de Curitibocas - Diálogos Urbanos. São perguntas rápidas e, na maioria dos casos, curtas que dão uma visão geral da pessoa.

Para que os leitores tenham uma idéia de como fica este exercício, a continuação poderão ler o questionário do Paixão, chargista da Gazeta do Povo.

Qual é o cúmulo da miséria?
É uma criança mexendo num latão de lixo.

Onde você gostaria morar?
Curitiba.

Qual é o seu ideal de felicidade na Terra?
Eu sou feliz, eu não preciso mais. Eu sempre falo que se a vida melhorar, estraga.

Para quais erros você tem maior tolerância?
Tem vários. Não tem como não pensar, hoje eu tolero muito mais. Antes eu tolerava bem menos. O simples falto de um mal educado soltar para você, hoje eu tolero mais.

Quais obras literárias você prefere?
Zen, manutenção de motos.

Qual é seu personagem histórico favorito?
Chico Anysio.

Seu pintor favorito?
Salvador Dali.

Seu musico favorito?
Chico Buarque.

A qualidade que prefere no homem?
Respeito.

A qualidade que prefere na mulher?
Respeito.

A virtude que prefere?
Ser ele mesmo.

Sua ocupação favorita? (hobby)
Motocicleta.

Quem você gostaria de ter sido?
Eu mesmo.

O que você mais aprecia nos amigos?
Você pode contar com o cara qualquer hora.

Seu pior defeito?
Não ter estudado muito.

Seu sonho de felicidade?
Não tenho um sonho, não. A questão do ser humano não ter muita expectativa. Eu não tenho, tudo que vem é lucro.

Qual seria sua pior desgraça?
Perder uma pessoa bem próxima.

O que você gostaria de ser?
Nunca pensei.

Sua cor favorita?
Cinza.

A flor que mais gosta?
Lírio.

Qual pássaro preferido?
Muitos, mas favorito é o que eu tenho lá perto de casa, o canarinho-terra.

Seus autores favoritos em prosa?
José Simão é um. Bem psicopata.

Seus poetas favoritos?
Fernando Pessoa.

Seus heróis na vida real?
Guga.

Seus nomes favoritos?
Betina, Guilherme. São meus filhos.

O que você detesta?
Prepotência de uma pessoa não poder achar que é dono de uma área verde e ele negocia como se ele fosse dono. Isso está acontecendo lá perto de casa.

O feito militar que mais admira?
Nenhum.

Qual dom da natureza você gostaria de ter?
O dom da resistência. Até eu vi em um documentário ontem, da Marcha dos Pingüins.

Como gostaria de morrer?
Isso eu não penso.

Seu lema?
Sempre em liberdade.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Cuidado: elogios e depreciações livres




Mais ou menos hora teremos que escrever uma nota de esclarecimento com relação ao conteúdo do livro. Nele os entrevistados (através de nós) dão nome aos bois. Elogiam, depreciam ou citam nomes famosos.


Nisso residem dois perigos na interpretação do leitor. Primeiro de que estamos fazendo acusações levianas ou achincalhando os citados sem dar direito de resposta. Segundo, e mais grave, de que estamos fazendo propaganda travestida de literatura.


Todos nós citamos muitas marcas e nomes nas nossas conversas cotidianas. Isto é o Curitibocas. A naturalidade da fala é levada ao papel com os devidos ajustes técnicos, sem qualquer tipo de alteração no conteúdo.


Nos acostumamos a acompanhar um melindre da mídia (sem excluir os livros) na hora de nomear. "Uma empresa que não vou citar o nome aqui, tal tal tal tal".Para o bem ou para o mal, isto é criminoso. Se o tal tal significa algo ruim, que seja dada luz ao caso - até para previnir que o caso se repita ou denunciar. Se é bom, os louros devem ser dados. Uma empresa que, por exemplo, consegue substituir a palavra "fotocópias" por "Xerox" deve receber a merecida citação caso determinado pessoa tenha se acostumado a falar assim. Um editor que altera essa palavra está censurando e mudando uma caracterísitica de quem a empregou.


Cito um caso específico do livro. A PUCPR é defenestrada pelo professor Key Imaguirre. Sua análise será publicada com todas as letras. Nada de usar "uma certa universidade". Em certos momentos, ele elogia a UFPR. Igualmente figurará no livro a citação, sem nenhum tipo de troca espúria ou clientelismo baixo.


*****


Conheço bem o comportamento brasileiro. Detesta qualquer conflito, prefere falar mal à boca pequena do que ter uma posição frontal e direta. A cordialidade portuguesa que corre no nosso sangue fez que questionadores sejam categorizaos como impertinentes. Preferem aceitar teorias conspiratórias ("os jornais são todos comprados") que levam à ações tolas ("por isso não compro jornais"). Qualquer sofisma se instala no nosso vazio crítico.


Por mim não gastaria nem um parágrafo do livro com este tipo de nota de esclarecimento. Infelizmente se faz necessário, sob o risco de sermos malditos à brasileira.

Curitibocas se aproxima à reta final

O ritmo de Curitibocas é bom. Mesmo tendo que estender as datas, estamos quase prontos. No momento João está editando o capítulo 16, de Murilo Mendonça. Eu estou fazendo a primeira leitura da entrevista bruta do Paixão, chargista da Gazeta do Povo.

Incrível mas certo: a gente está terminando de escrever o livro. Nos resta falar com as editoras que já contatamos e avaliar possibilidades de publicação e distribuição de nosso querido Curitibocas - Diálogos Urbanos.

Entrando no quarto mês de trabalho neste livro - começamos em março - podemos dizer que a dedicação e o esforço é bastante, mas com certeza vale a pena.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

O lamentável fim da Pedra da Gazeta


O nome da livraria foi derivado do mural de mármore posto diante do jornal Gazeta do Povo que antigamente servia para que a população se informasse sobre notícias de última hora. Uma homenagem baseada no puro reconhecimento da utilidade pública prestada pelo diário na década de 40. Sem puxasaquismo, demagogia ou golpes baixos do gênero.

O fechamento da Pedra da Gazeta ganhou uma nota de 410 toques na coluna de Nadyesda Almeida no jornal. A nota registra que Anthony Leahy, batalhador do empreendimento, não "recebeu apoio de parte da sociedade".

Na única conversa que tive com Anthony, ele avisou: "Curitibano não gosta de consumir autores daqui". O fechamenta da livraria parece corroborar com as palavras dele. Espero que Curitibocas rompa este bloqueio.

Confira na íntegra a nota veiculada na edição de 3 de junho de 2007 da Gazeta do Povo sobre este tema:

Fim da Pedra

Exatamente um ano após a inauguração da única livraria especializada em autores e cultura paranaense, a Pedra da Gazeta fecha suas portas. Seu fundador, Anthony Leahy, alega que não recebeu suficiente apoio de parte da sociedade e nem mesmo dos autores do Paraná. Uma pena, pois a proposta era nobre e merecia seguir adiante. Apesar das dificuldades, a livraria funcionou bravamente durante um ano.

Fechou a Pedra da Gazeta

No segundo andar do Shopping Itália tinha uma livraria que apoiava a literatura paranaense. Ontem saiu publicado na Gazeta do Povo que a Pedra da Gazeta tinha fechado. Já fizemos alguns posts neste blog sobre a livraria. Além de ser um possível lugar para comercializar Curitibocas - Diálogos Urbanos, conversamos várias vezes com o dono, Anthony Leathy.

Esta vez, quando perguntei pelas razões da notícia, ele respondeu:


"Completei um ano de luta lá na livraria e após avalização achei que poderia contribuir mais para a grandeza do meu tão querido Paraná, tocando exclusivamente os projetos aqui na editora. Lá passávamos o dia inteiro e na maioria das vezes não atendíamos ninguém... Valeu a pena mas chegou a hora de mudar de estratégia no luta pela valorização da cultura regional".


Sentimos muita pena por Pedra da Gazeta e damos força ao Anthony para seus novos projetos.

domingo, 3 de junho de 2007

Primeiros pasos do Plá

Trecho da entrevista exclusiva do Plá. Versão sujeita à alterações e revisões até a publicação do livro.

Quando veio para Curitiba já compunha?

Já. Vim em 1976. Tinha 18 anos. Bem jovem. Estava numa fase de descoberta. Dava aula particular de violão. Aí decidi estudar para ter um conhecimento maior desse dom meu, desde criança já gostava.


Quando foram as tuas primeiras composições?

Eu era guri ainda. As primeiras coisas eu aprendi com o meu pai. Depois eu vim para Curitiba e comecei a me dedicar mais. Fiz faculdade de música por quatro anos. Só comecei a mostrar minha música para a população, na rua em 1984, depois que eu tinha concluído a faculdade de música na FAP [Faculdade de Artes do Paraná]. Até então eu vinha compondo e guardando. Mostrava para uma pessoa amiga, conhecida, mas eu não tinha muita convicção ainda do que eu estava criando, do que estava nascendo em mim. O próprio curso de licenciatura plena em música me ajudou no amadurecimento das idéias, me ajudou a ter um pouco mais de base para saber o que eu queria fazer. Depois decidi que queria vir na rua mostrar minha música.


Como Curitiba recebeu a sua arte na rua?

Era tudo muito difícil. Tive que enfrentar muitas guerras, brigas com fiscais e tudo o mais. Quando comecei a mostrar as primeiras coisas na rua, eu vinha com um gravador. Pus as pilhas, o K7 e vinha na Boca Maldita tocar para as pessoas. Bati um livrinho à máquina com as cifras das letras. Aí eu parava, colocava o gravador no chão e começava a cantar. Ia gravando aquela fita. O pessoal parava, eu dava o livrinho com as letras, e eu falava: “Óh, quando eu acabar de gravar essa fita, eu vou vender. O preço da fita vai ser tanto”. Antes mesmo de eu terminar de gravar, alguém levantava a mão para comprar a fita. Ficava uma fita superinteressante. Fiz várias. Foi a forma que eu achei de começar a me contatar com as pessoas. Daí nisso vinham os fiscais:

- Não pode.

- Como não pode? Eu estou divulgando a minha própria música. Não estou fazendo nada. É uma expressão livre.

Até convencer os caras foi difícil.

Momento Marília Gabriela


Disse e repito: Marília Gabriela engana pela fama. Porém, nas entrevistas apelamos para dois chavões de Marília Gabriela.

Dei-me conta de um deles no último domingo, quando esperava pela Manhattan Connection. A entrevistadora do GNT encerra suas entrevistas sempre pedindo "um ditado, uma frase, um verso, de sua preferência". A última pergunta do questionário Proust é justamente "qual o seu lema".

A outra marca da apresentadora me dei conta ao ver a pavorosa entrevista com Madonna no site da Bizz, dentro da matéria as 10 entrevistas + contrangedoras. Marília pede que o entrevistado faça uma escrição de si. Também usamos muito essa pergunta.
- Madonna por Madonna? - perguntou a jornalista-celebridade.
- Madonna ao quadrado? - respondeu a celebridade-cantora.

Não levamos nenhum invertida dessas. Mas me senti mal quando percebi as coincidências.

sábado, 2 de junho de 2007

Curitiba é nossa fonte de inspiração

Curitibocas - Diálogos Urbanos não será só uma coletânea de entrevistas. Tentando acrescentar interesse para o leitor criamos um personagem - Darcy - quem servirá como desculpa para ilhar as entrevistas.

No começo, a história fictícia era um mero fio condutor, mas cada capítulo foi nos demonstrando o contrário. A moral de destinar tanto tempo a escrever sobre Darcy é justamente contar mais um pouco da cidade. Os entrevistados falam bastante sobre nossa querida Curitiba, mas não nos conformamos.

São na verdade pequenas características que achamos engraçado ou interessante colocar. Descrevemos os biarticulados (e como está invadido por ciclistas), a quantidade de praças, a ponte enferrujada e já sem utilidade da Sete de Setembro e João Negrão, as gravações dos ônibus que indicam as paradas, e a lista continua.

Darcy vai se surpreendendo com vários aspectos de Curitiba. E esse fator surpresa é nossa forma de complementar o que os entrevistados contam da cidade. Tenham certeza que estamos nos divertindo ao escrever cada capítulo. Curitiba tem muito material de inspiração.

Manias de curitibanos

Circula pela Internet um e-mail com uma lista das manias dos curitibanos. A leitora Scheila Leticia Gonçalves foi quem fez chegar até a minha caixa de entrada.

Alguns destes mitos e folclores serão explorados na história fictícia. Outros os próprios entrevistados demonstram/discorrem.


FALA:
*Chama salsicha (hot-dog) de "vina".
*Chama o carro Fusca de "fuque".
*Chama o semáforo de sinaleiro.
*Chama mandioca de "Aipim".
*Diz bolacha em vez de biscoito.
*Diz piá em vez de menino.
*Diz guria em vez de menina.
*Diz bexiga ao invés de balão.
*Diz setra em vez de estilingue.
*Diz dolé em vez de picolé.
*Fala "escute" no telefone.
*Acha que não tem sotaque nenhum.
*Ri do sotaque de todo mundo (paulista, carioca,mineiro, gaúcho, etc...)

CLIMA:
*Fala sobre a condição do tempo para puxar conversa com alguém.
*Admira, diariamente, a linda cor cinza do céu curitibano.
*Enfrenta sol, chuva, frio, calor, tudo no mesmo dia e acha legal.
*Mantém as janelas do ônibus fechadas, independente se o dia esta frio, chuvoso ou aquele sol.
*Sai todo agasalhado de manhã, e tira quase tudo até o final do dia.
*O curitibano tem mania de lavar e polir seu carro no sábado ou domingo (o carro fica brilhando), só que toda vez que vai passear.. CHOVE!!!!

PRAIA:
*Fala que vai "pra praia", sem especificar qual.
*As mulheres vão à praia com jóias e maquiadas.
*Fica a "temporada" em Caioba ou Guaratuba mesmo que chova muito mais, do que faça sol.
*Vê o "OIL MAN" andando de sunga no calçadão durante a temporada em Caioba e o resto do ano, na cidade.

ESQUISITICES:
*As mulheres usarem topete.
*Faz fila para tudo (ônibus, mercado, banheiro,elevador,etc...).
*Repara nas pessoas como se fossem de outro planeta.
*Cumprimenta o vizinho de anos com "oi" e "tchau".
*Espera a semana inteira pelo final de semana... e quando chega, acaba não fazendo nada.
*Separa o "lixo que não é lixo".
*Anda c/ o bolso cheio de papéis de balas até encontrar uma lixeira.
*Demora muito para arrancar o carro quando o sinal fica verde.
*Acha que tudo em Curitiba é melhor do que em outras cidades.
*Freqüenta Clube Curitibano/Graciosa e Santa Mônica e cada 15 dias e se esbalda no Baile do Pato em Pinhais.
*Nao aceita que alguem Fale que curitibano é um povo fechado.
*Convida: "Passa lá em casa" mas nunca dá o endereço.
*Chama o povo do norte do Paraná de "pé-vermelho".
*Diz que a cidade não é mais a mesma por causa da invasão do pessoal de outros estados.
*Come pastel e caldo de cana nas feiras livres.
*Nas festas juninas chama vinho quente de quentão.
*Pega o mesmo ônibus todo santo dia no mesmo horário e não cumprimenta nem motorista nem cobrador.
*Acha que quem não é daqui sempre joga lixo no chão.

PRINCIPAL:
*Rir de si mesmo ao perceber que tudo que foi dito acima é a mais pura verdade...

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Curitibocas na newsletter da Austral

A Cecilia foi convidada pela universidade Austral a escrever um texto sobre a cidade e o Curitibocas. Publicaram na newsletter interna:


CARTAS DE NUESTROS ALUMNOS DE INTERCAMBIO
Proyectos en Curitiba

Después de estar tres meses en Curitiba comparto lo que varios me dijeron el año pasado: el intercambio es una experiencia increíble. Los desafíos se imponen en todos los niveles, tanto en la vida académica como en lo cotidiano. Sin embargo hay uno que me demostró ser un tanto más simple de lo que pronosticaba: el idioma. Comunicarme en portugués, en el habla y en la escritura, requiere un esfuerzo mayor pero no es nada imposible. Tanto es así que estoy haciendo una pasantía en la redacción de Gazeta do Povo, el diario local, y el portugués no me genera ningún tipo de problema.


Curitiba es una ciudad particular, llena de mitos y personajes urbanos. Aprovechando esas características, junto a João Varella (alumno que hizo intercambio con la Austral en 2006) comenzamos a escribir un libro. La publicación consta de 17 entrevistas a los personajes más representativos de la ciudad. Una historia fictícia hilará cada una de ellas. Ya empezamos el contacto con las editoras locales y creamos un blog para quien quiera acompañar el desarrollo de este proyecto (http://curitibocas.blogspot.com).

Esta experiencia me está dando una visión muy integrada de la ciudad. La pluraridad de voces produce una especie de mosaico de una Curitiba diferente a la que me esperaba.

- Cecilia Arbolave

O Gralha e o Oil-Man - Um Encontro Explosivo

Curta-metragem com a participação de dois dos nossos entrevistados, Oilman e Plá. A direção é de um futuro entrevistado para outra oportunidade, o Tako X.

Antes do filme você acompanha um curtíssima de animação (meio sem graça).

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Oilman se compara com um...

Há alguns dias escrevi do Top 5 das edições mais complicadas. Oilman pode entrar nesse ranking. Mesmo tendo que botar fora un 40% da entrevista - para dar uma idéia, a bruta era de 35 páginas - tem muitas frases interessantes. Há muitos mitos sobre o Oilman, talvez estas citas ajudem a esclarecer quem realmente ele é.

Pode ser caracterizado como uma sociopata também. E todo sociopata geralmente duram pouco tempo, já era. Não existe outro igual. Eu já fui comparado com o Sombra – pobrezinho, não sabe nem escrever o nome -, com a Borboleta 13, não tem nada a ver.

É uma comprovação que eu sou o cara que tem alguns problemas mesmo, porque eu penso só em coisa negativa, só nos meus inimigos me agredindo. Seria um tipo de paranóia, como a paranóia do presidente americano. O presidente americano não pode nem ouvir pensar em um país que esteja produzindo ou mexendo com substâncias radioativas que ele já pensa em bomba atômica. Então ele já tem uma paranóia. O Oilman é a mesma coisa. Tem uma paranóia eu cuido, tenho muito cuidado. Existe um ditado, eu não preciso ser um cara metido a erudito, tem aquele ditado: “Macaco velho não cai em cumbuca”. Ou “Gato escaldado tem medo de água fria”. Quer dizer, eu já sofri aquele negócio. Agora eu me cuido".

O povão quer a coisa mais mastigada, mais simples. É difícil que a pessoa consiga assimilar alguma coisa, que vá de encontro com a minha expectativa. Tem gente que reconhece um valor. Mas o que eu sinto mesmo é uma consciência coletiva agressiva e intolerante. Por isso você vê muito herói morto. Tiradentes morto, aquele médico da Colômbia... não me lembro agora. Então os heróis mortos, porque o povo não aceita muito heroísmo e não entende.


Eu estou vivendo a minha vida, como se fosse um leão numa savana, um animal no seu eco sistema.

Por isso que essas histórias de fama, de exemplo, não existe para mim. Como aconteceu na Oceania, que as espécies ficaram isoladas quando os continentes se separaram a milhões de anos. Os mamíferos são todos marsupiais. Não existem quase mamíferos marsupiais. Ornitorrinco, tem o bico de pato, eles poem ovos, o canguru é marsupial, ele tem uma bolsa. O Kiwi, é uma ave que tem pelos. Só animais exóticos existem na Oceania, pelo isolamento geográfico. Aqui em Curitiba o Oilman está na mesma coisa.


Como tinha aquela rainha da Espanha, não sei se era da Espanha, a Maria Louca. Tudo que acontecia errado era culpa dela. Porque ela cometia atos, era doente mesmo. No meu caso também, mesmo que não tenha participado posso arcar com negócio no futuro.


Porque a pessoa convive com o Oilman há tantos anos que não imagina aquele. Ou tinha gente que achava o Oilman não um ícone de liberdade, de esporte, ou o que fosse um ícone de protesto. Você imagine o estágio mental de uma pessoa que está fazendo protesto por 15 minutos. Vamos dizer... Eva Perón. Na época que ela governava, existia algum problema político? Existia. Imagina alguém protestando contra ela por 15 minutos. Ele está alterado. Imagine por dez anos. É impossível, porque essa pessoa que estava fazendo o protesto passa a função para outro. Ela não vai agüentar.

Resumindo, o Oilman se comparou com: um psicópata, o presidente americano, o Tiradentes, um leão na savana, as espécies em extinção da Oceania, uma rainha da Espanha e com a Eva Perón. Aliás, esta última nunca governou o pais.

Obcecados pelos números

Tanto João como eu somos fanáticos das estatísticas. Todos os dias acessamos a Google Analytics, que nos dá um relatório completo de tudo o relacionado ao Blog do Curitibocas. Por exemplo, um dato interessante é que ao dia de hoje (com só dois meses de vida) o site já teve 2.287 visitas e 4.150 pageviews.


Várias vezes mencionamos a política de "1 post por dia". Mesmo cumprindo essa regra quase chegando à meia noite, sempre tem textos atualizados. E as estatísticas também se aplicam. No mês de maio tivemos um 10% de aumento de posts. Em abril escrevemos 70, em maio 77.

Acabamos nos dedicando muito para fazer do espaço virtual algo interessante e atraente para os que acompanham nossa luta com o livro. Será por isso que prestamos tanta atenção aos números. Claro, a quantidade não é completamente objetiva . Mas pelo menos é um bom incentivo para acreditar em que Curitibocas é bem recepcionado por vocês, e continuar trabalhando com ainda mais força.

Orkut estréia leitor de RSS

O Orkut ganhou nova funcionalidade. Agora é possível exibir feeds na página inicial do Orkut de sítios com funcionalidade RSS.

Para isso, basta clicar em "edit feeds", novo botão localizado na barra esquerda.

Os curitibocanos podem colocar o endereço http://curitibocas.blogspot.com/feeds/posts/default - feed deste querido blog.

Depois de linkado, o Orkut exibirá um link para o conteúdo do blog. Quem acessar, verã uma tela mais ou menos assim:

As 10 entrevistas + constrangedoras


A Bizz fez um ranking das entrevistas mais constrangedoras do meio musical - tanto para jornalistas quanto para as celebridades. Estão disponíveis os vídeos dos micos.

Erros comuns e recorrentes da profissão - já tratados aqui - são explicitados nessa matéria de Tatiana Azevedo. Agora atenção para os erros dos entrevistados, que podem dizer muito mais do que as próprias respostas. A briga entre os integrantes do Kiss mostra muito mais do que as tontas perguntas feitas para eles.

Eu não devo falar disso aqui neste blog, mas...


Devo ou não devo?
Devo ou não devo?

Foda-se.

TRICOLOOOOOOOOOR
TRICOLOOOOOR
TRICOLOR-TRICOLOR-TRICOLOR
LA-LA-IAAAAAAAA-LALAIA-LA
TRICOLOOOOOORRRR
TRICOLOOOOOOOORRRR
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Grêmio 2 x 0 Santos

quarta-feira, 30 de maio de 2007

To com fomeeeeeeeeeeeeeeeee

Como visto no último post, enfrentamos o frio com o conforto. Fiz queixa do frio, Cecilia prontamente trouxe luva e cachecol. Fome, ela foi para cozinha fazer saborosíssimas panquecas com doce-de-leite argentino.

"Porco machista", "explorador de mão-de-obra extrangeira", pensarão alguns incautos leitores. Convido a uma viagem ao passado.
*****

Em 1999, comecei a trabalhar como office-boy na Natupharma. A equipe era composta de oito belas jovens (do tempo que eu era feliz e não sabia). Depois de um mês, passados os embaraços iniciais, elas tomavam a liberdade de me pedir para pagar suas contas pessoais, devolver fita na locadora, imprimir trabalhos para o colégio, entre outros favores pessoais.

Sentia que era explorado. Levei minha queixa à minha guru espiritual e chefa Simone Minghelli. Com calma, explicou o óbvio. Resumo: se elas se afastam da posição, a farmácia perde produtividade. Eu, ajudando que elas se mantivessem em suas especialidades, ajudava todo o conjunto.
*****

A Cecilia ao me servir, está ajudando o trabalho todo. Eu dou a editada final. Se eu saio, a coisa pára. Ela livre pode ajudar com as minhas necessidades, tipo fome e frio.

Em tempo: quando eu estou livre também ajudo ela. Isso é trabalho em equipe, sem egolatria ou disputas infantis.

Música clásica e chimarrão

A redação de Curitibocas é fora de série. Na maioria dos casos, trabalhamos no departamento de João. O contexto ajuda, tem conexão para os dois computadores, comida quando ataca a fome e uma janela onde entra o sol - não é um detalhe menor, faz muito frio em Curitiba.

Tem dias que a concentração de ambos alcança seu pico máximo. Não sempre acontece porque um dos autores tem uma tendência a se dispersar rapidamente. Mas hoje estamos trabalhando a um bom ritmo. Reina o silêncio na residência dos Varella.

Para que a edição das entrevistas fique ainda melhor, estamos desenvolvendo certos hábitos. Um, é escutar música clássica (parece esta costume já era praticada pelo João). Dois, ter cobertores e mantinhas perto. A razão é simples, é terrível trabalhar com frio. Três, tomar chimarrão, ou mate como dizemos no meu pais.

Parecem detalhes, mas quando as condições não estão certas, dificilmente pode sair algo bom de nossas cabeças. Sem mais excusas, volto a minha edição.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Com vocês, Ivo Rodrigues

Seu Ivo Rodrigues é uma figura. No começo se mostrou resistente a nossa proposta. Um claro exemplo disto foi a entrevista, realizada em dois encontros. Sem possibilidade de objetar, o lugar era sempre o mesmo: o bar Jacobina.

Contrário a outros entrevistados, o músico era de fácil acesso. Um 90% das vezes que liguei para sua casa, ele respondeu. Estes últimos dias na tentativa de marcar uma reunião, foi fiel a seu estilo diplomático. Com um tom meio simpático, se resistia a almoçar conosco, a tomar um café, basicamente, a tudo o que não seja o bar Jacobina ou o Hermes. Desistimos e marcamos o encontro onde o rock star queria.

Hoje às 10.30 h chegou e para seguir ele até o Juca. Pedalando, nos perguntávamos aque se referia com esse nome. Formulamos várias teorias, mas a poucas quadras chegamos ao boteco Juca.

Leu a entrevista. Não censurou as partes de droga e álcool, como tinha ameaçado. Logo disse que fizemos um muito bom trabalho, nos deu seu parabéns e convidou para tomar uma cerveja um outro dia. Que cara extranho. Ele que primeiro se resistiu tanto, mostrou sua cara amigável.

Mas agora está tudo certo. Temos sua aprovação, que comece o show.

Ivo aprova participação no Curitibocas

Acabaram-se as preocupações legais com o livro. Ivo Rodrigues, vocalista da banda Blindagem, leu e aprovou sua entrevista. "Está muito bom", repetiu enquanto lia. Pediu algumas pequenas retificações em alguns trechos que envolviam terceiros: a família de Paulo Leminski, os bateristas da banda, Pato e Marinho Bocão, e seus médicos.

Isso vai ao encontro do que dissemos antes sobre Ivo. Ele tenta estar na boa com todos. O trecho com o atual baterista da banda, Pato Romero, ele pediu que fosse omitido a ironia que fez. Na entrevista, Ivo trocou o apelido por "Chato" Romero. "Ele pode não entender".

O encontro teve um lugar diferente das outras vezes. Marcamos mais uma vez no Bar Jacobina. Ivo chegou no horário marcado com seu fusca e resolveu mudar o local da conversa. Fomos no Bar do Juca, um boteco bem tradicional. Lá ele colocou seus óculos e leu a entrevista. Tomamos uma Skol.

Ivo ficou com uma cópia da entrevista. Anotamos todas as modificações que ele quis fazer. O teor da entrevista não foi alterado. "Parabéns, vocês tem um humor bem refinado", disse na despedida. Um auto-elogio disfarçado, bem ao estilo Rodrigues.